É Lula ou nada

A direita quer isolar Lula. A única política correta é a mobilização por Lula presidente e pelo “Fora Bolsonaro e todos os golpistas”

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Lula (Foto: Ricardo Stuckert)


Por Juca Simonard

Em julho de 2018, comitês de luta contra o golpe de todo o país realizaram sua primeira Conferência de Luta contra o Golpe. A reunião ocorreu nos dias 21 e 22 do mês e juntou milhares de militantes da esquerda e lideranças políticas, como o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, a dirigente da Apeoesp (maior sindicato da América Latina), Professora Bebel, entre tantos outros.

Foi uma conferência dos movimentos sociais e dos partidos que estiveram à frente da luta contra o golpe de Estado no Brasil. Nela, por votação, deliberou-se o apoio à candidatura de Lula à presidência em 2018 e definiu-se a palavra de ordem “É Lula ou nada - Nada de plano B”. Ficou expresso que, para derrotar o golpe no país, seria preciso unificar todas as organizações dos trabalhadores em torno de uma candidatura perseguida pelos golpistas e que polarizasse com o atual regime.

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Nas condições da época, a candidatura de Lula era a única que favorecia essa política. Atualmente, a situação continua a mesma e justamente por isso os golpistas têm focado em promover a formação de uma frente ampla entre setores que lutaram contra o golpe e setores que o apoiaram. É uma forma de tentar conter a polarização existente no país, utilizando-se da esquerda para estimular setores da direita golpista.

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Tratando-se de uma forma de sustentar o golpe de Estado, a frente tem buscado isolar Lula na política nacional, enquanto estimula “novas lideranças da esquerda”, como Boulos, Ciro e outros, na tentativa de fazer a esquerda abandonar o ex-presidente. Para a direita acabar com a polarização, é necessário tirar Lula e o PT, que hoje ainda refletem a política de um amplo setor da classe trabalhadora brasileira, do centro da política nacional - ou pelo menos, colocá-los em segundo plano (algo que a direita conseguiu realizar em capitais importantes, como Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, entre outras).

O PT, porém, é um partido que conta com diversos grupos. A ala lulista, que tem apoio das grandes organizações dos trabalhadores, como a CUT e o MST; alas minoritárias; e uma grande ala direita, que busca defender os interesses da frente ampla. Essa última é formada pelos setores oportunistas do partido, como diversos deputados, senadores e governadores. Em estados como Rio Grande do Sul (Tarso Genro), Bahia (Rui Costa e Jaques Wagner) e Ceará (Camilo Santana) o partido foi tomado totalmente por este setor.

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Com a manobra promovida pelos golpistas nas eleições de 2020, a burguesia já apresenta as ideias de que o PT acabou e de que Lula está ultrapassado. Não é de espantar os abutres dentro do partido, que logo após o segundo turno, saíram a público para defender a frente ampla e atacar o ex-presidente.

Em entrevista ao Metrópoles, o senador Jaques Wagner (PT), articulador da aliança do partido com ACM/DEM na Bahia, afirmou que o partido não pode “ficar refém dele [Lula] a vida inteira” e defendeu novos nomes para dirigir o PT. Ele também disse que seu nome é um dos cotados pelo partido para 2022.

Wagner, além das alianças com o carlismo (base da ditadura militar) na Bahia, é também o dirigente que apoiou Ciro Gomes em 2018, posicionando-se contra a candidatura de Fernando Haddad (que em si já surgiu do erro de abandonar a de Lula). O senador também se destacou por não ter mobilizado ninguém para participar do discurso de Lula no Fórum Social Mundial de 2018, ocorrido em Salvador, capital da Bahia, que é governada por um petista.

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Neste mesmo sentido, Alberto Cantalice, da direção do PT, declarou à Globo que Lula era culpado pela derrota do partido nas eleições e ressaltou “lideranças” petistas que estão integrados na política de aliança com os golpistas - como “(o ex-prefeito Fernando) Haddad, (governador) Camilo (Santana), (o senador Jaques) Wagner, (os governadores) Rui Costa, Wellington Dias e Fátima Bezerra. Vários senadores”.

“O Lula já deu muito para o partido. É hora de abrir espaço", afirmou.

Desta forma, a ala direita aproveitou a vitória da manobra dos golpistas durante as eleições deste ano para se rebelar contra Lula, o político que faz a ponte entre o PT e a classe operária. Trata-se de uma política para retirar, definitivamente, os trabalhadores da participação política em nome das alianças escusas que os oportunistas defendem. É uma questão chave: os golpistas caminham no sentido de fortalecer uma ditadura no país e para isso é preciso neutralizar a classe operária. Por isso, Lula e o PT são alvos centrais da direita golpista.

Também por isso, o movimento contra o golpe deve reforçar novamente a política aprovada em 2018: “É Lula ou nada”. 

Alguns alegarão que, diante de sua condenação fraudulenta, o ex-presidente está inelegível e que será difícil dele ser candidato. Mas é justamente por isso que se deve apoiar sua candidatura. Para que ele seja candidato, será preciso muita luta - luta esta que coloca a necessidade dos trabalhadores de lutarem contra os golpistas e seus tribunais.

O problema central atualmente continua sendo o problema do golpe, que foi uma ruptura política com o pacto estabelecido pela Constituição de 1988. Agora, o que está em jogo é quem liderará o novo regime: se serão os golpistas (imperialismo, direita tradicional, extrema-direita), ou os trabalhadores e suas organizações. Para que os últimos sejam vitoriosos é preciso uma oposição completa aos primeiros. 

Assim sendo, a única política correta atualmente é a mobilização por Lula presidente e pelo “Fora Bolsonaro e todos os golpistas”.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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