E o palhaço o que é? É ladrão de empregos, PIB e dignidade

"O que Bolsonaro fez naquele momento foi passar a faixa presidencial a um cidadão comum. Colocou o mandato no plano da galhofa", escreve Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia. "Tudo isto para não assumir o fiasco que é dele e de Paulo Guedes, seu ministro 'mais importante'. Pelo menos do ponto de vista da mídia e do mercado"

(Foto: Reprodução)
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Por Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia 

Hoje, em a sua já habitual saída para o trabalho, Jair Bolsonaro apareceu acompanhado do humorista Márvio Lucio, contratado para uma performance destinada ao Programa Espetacular, da TV- Record, uma das emissoras “amigas” do presidente da República, Jair Bolsonaro. Cabe a pergunta: quem ali era o palhaço? O humorista contratado, ou o próprio presidente, que atingido pela notícia de um PIB irrisório, na casa de 1,1%, em 2019, abriu mão do seu show diário de ataques à imprensa e cedeu a prerrogativa do cargo para um “figurante”?

Simbolicamente, o que Bolsonaro fez naquele momento foi passar a faixa presidencial a um cidadão comum. Colocou o mandato no plano da galhofa. Abdicou do posto. Abriu mão de sua autoridade, em nome de “carnavalizar” a função, a liturgia do cargo. Tudo isto para não assumir o fiasco que é dele e de Paulo Guedes, seu ministro “mais importante”. Pelo menos do ponto de vista da mídia e do mercado.

Tal como uma criança que aumenta o impacto das suas artes e testa a paciência dos pais, Jair Bolsonaro vai avançando sobre todos nós e sobre as instituições, para saber até onde pode ir. E ele está indo longe demais. Não nos termos do risco de “golpe”, como tem sido rugido pelo seu ministro militar, Augusto Heleno, mas na audácia do que pode destruir, do que pode “avacalhar” e desmoralizar. Alguém precisa avisá-lo de que os palácios de Brasília, colocados à disposição dos presidentes da ocasião, não são “playgrounds”, onde ele sobe, desce, escorrega e chama os “amiguinhos” para brincar.

Há um país a ser governado. Há uma economia afundando num pântano de incompetência, há 12 milhões de desempregados, há vítimas das tragédias do descaso de anos na infraestrutura, (que dois governos petistas não dariam conta de sanar). Enquanto isto, no lugar de distribuir vagas nas escolas, ele distribui “bananas”. Em vez de distribuir oportunidade para os trabalhadores, distribui o seu descaso pelo posto. E o faz para a própria claque disposta a tirar selfies, aplaudi-lo e bancar o seu auditório, relembrando a época áurea do rádio (politicamente incorreta), em que as tietes dos ídolos em questão eram rotuladas de “macacas-de-auditório”.

Fizeram muito bem, desta vez, os repórteres, que à espera de notícias, serviram involuntariamente de plateia para um presidente desrespeitoso, “irreverente” muito além do que seria tolerável. Sem o que foram buscar, as explicações para um desempenho tão pífio, os jornalistas desta vez, finalmente, viraram as costas e deixaram a falar sozinho um presidente que renuncia da sua autoridade, para ser ácido, grotesco, agressivo e ignorante. E o termo aqui, é usado no sentido de que ele ignora a envergadura de suas funções, das tarefas que precisa cumprir, e do zelo que deveria ter pela faixa presidencial. (Como desfilar, sem a sua faixa, na presença de outro que tem uma, inclusive com o brasão da República, bordado na altura do peito?).

Vamos verificar, senhores juristas, se não é o caso de invocar a Lei 5.700, que trata dos símbolos da República Federativa do Brasil. O texto é claro: “a Lei 5.700 não restringe o uso do Brasão por particulares, desde que de forma respeitosa”. E tudo o que não se viu na cena de Bolsonaro “passando a tropa em revista”, ao lado do humorista, foi o brasão bordado na faixa fake, ser usado de forma respeitosa. Com a palavra, os senhores juristas.

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