É preciso radicalizar, com atos e comandos para fechar as escolas

Com mais de 3 mil infectados e 100 mortos e ante um colapso geral do sistema de Saude de SP, é preciso intensificar o enfrentamento contra a politica genocida de Doria e Cia.

Greve dos professores
Greve dos professores (Foto: Diário Causa Operária)
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Por Antônio Carlos Silva, no Diário Causa Operária

Levantamentos parciais dos Sindicatos dos professores da rede estadual de SP (APEOESP), dos trabalhadores da Educação do Município de São Paulo (Sinpeem) e dos servidores da Capital (Sindsep), cujos trabalhadores decretaram greve contra a criminosa reabertura da escolas em plena explosão da pandemia, apontam que já são mais de 3 mil pessoas infectadas e mais de 100 mortos por conta dessa política genocida.

Mesmo diante da decretação da chamada fase vermelha, com um fechamento parcial do Estado, para encenar um combate que não existe à pandemia, os governos genocidas de João Doria, Bruno Covas (ambos do PSDB) e muitos outros, resolveram manter funcionando as escolas para atender aos interesses dos banqueiros e mercadores do ensino pago.

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O governador “científico” procura mostrar para toda a burguesia golpista que seu caráter direitista vai muito além dos discursos de Bolsonaro, se efetiva na prática, no estado mais rico do País, onde mais de 63 mil pessoas (em números oficiais, sabidamente falsificados) foram mortas em uma situação em que não nenhum combate à pandemia: não há testes, não investimentos devidos na saúde, os hospitais de campanha são fechados, não há contratação em massa de trabalhadores da saúde, há superlotação dos hospitais e UTIs etc. Bolsonaro discursa e deixa morrer, sem iniciativas nacionais. Doria e Cia. mata com sua ação e encena que está combatendo, atuando como garoto-propaganda da vacina com menor eficácia de todas as que estão sendo aplicadas pelo Mundo, embora seja uma das mais caras de todas.

Greve continua

Mais uma rodada de assembléias regionalizadas da APEOESP (on-line), nas quais os professores foram divididos em  quatro blocos, com cerca de 20 a 30 subsedes da entidade em cada, foi realizada na última sexta (dia 5). Apesar  da gravidade da situação, verificou-se uma pequena redução da participação nos eventos, dos quais participaram cerca de 700 professores. É bom lembrar que a APEOESP tem em sua diretoria 120 membros e cerca de 800 conselheiros estaduais eleitos nas subsedes (em uma espécie de “Senado” da categoria, entre outras coisas, porque o método individualizado de eleição e sob estrito controle dos detentores de mandato, facilita a eleição dos ativistas mais antigos da categoria, incluindo uma maioria de aposentados).

Esse número reduzido de participantes é o resultado da recusa da burocracia sindical em realizar uma ampla atividade de mobilização em torno da greve, o que dificulta a sua expansão e a sua vitória.

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Acaba predominando a política de clara sabotagem de alguns setores que se opõem à greve (como é o caso do PSOL e do PCB) e dos demais setores conservadores que se adaptam à orientação que emana da direita burguesa de que durante a pandemia não é possível haver mobilização. Assim, não há uma efetiva divulgação desse e de outros eventos junto à categoria: não há campanha nas escolas, chamados públicos etc. Desta forma as assembleias, acabam por se constituir em um reunião da burocracia sindical com um reduzido grupo de ativistas de base, mais ativos na categoria.

Para reverter essa situação, nós de Educadores em Luta (militantes e simpatizantes do PCO) defendemos – desde antes do começo da greve –  a realização de assembleias de verdade, amplamente convocadas, unificadas, de toda a categoria, híbridas, presenciais e on-line (permitindo-se o acesso daqueles que por motivos diversos de saúde não pudesse estar presentes). Assim, como tradicionalmente acontece, na luta da categoria, as assembleias seriam o centro da mobilização dos educadores, servindo para mobilizar milhares contra os governos e sua política criminosa.

As assembleias, mais uma vez, rejeitaram a política reacionária do setores da própria esquerda que se opõem à greve e defendem uma capitulação diante da ofensiva nazista do governo de transformar as esolas em verdadeiras câmaras de contaminação e morte, dos trabalhadores da educação, das crianças e  jovens estudantes e dos seus familiares.

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Intensificar o enfrentamento

A expectativa de setores da burocracia de que seria possível impor uma derrota ou mesmo se chegar a um acordo com o governo por meio de uma pressão limitada, burocrática sem um amplo enfrentamento com o governo, mostra-se um equívoco profundo. A luta dos educadores, e em geral de todo o funcionalismo, é uma luta política que só pode ser vitoriosa se enfrenta o governo que se pretende derrotar para conquistar determinada reivindicação.

A política de setores da esquerda de buscar uma aliança com tais governos da direita (como no caso dos governos do PSDB), por meio da política de frente ampla com a direita a pretexto de combater Bolsonaro, está na raiz do abandono de uma luta política real. Por isso mesmo, os setores mais ferreamente defensores dessa política de “unidade” com os governos pseudo científicos, da frente ampla com os golpistas do PSDB, DEM, Globo etc., como o PSOL e o PCdoB e a direita do PT, foram os que mais se colocaram contra a greve e alguns deles, mesmo diante do colapso atual (como PSOL e PCB) continuam a defender o fim da mobilização.

Contra essa política de derrotas, é preciso reagrupar o ativismo, os professores de base e todos que de fato defendem a greve em torno de intensificar as iniciativas de mobilização, tais como, a ação de comandos de greve junto às escolas com casos de infecção (a maioria) chamando os professores a paralisarem e o apoio da comunidade escolar; bem como a realização de atos públicos de rua, regionais e na capital, unificados com os trabalhadores da Educação do Município.

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Propostas aprovadas pelas assembleias

Algumas propostas deliberadas, conforme divulgadas pelo Informativo da APEOESP,  Informa Urgente:

  • 12/3 – 10 horas – carreata ao Palácio dos Bandeirantes convidando outros sindicatos e movimentos sociais, juntamente com estudantes, funcionários e pais/mães
  •  13/3 – Assembleia estadual regionalizada, após a reunião do Conselho Estadual de Representantes
  •  Manter nossas visitas às escolas, com registros e divulgação, para conversar com os professores, funcionários, estudantes e pais/mães
  •  Manter a luta pela vacinação para todos
  •  Exigir testagem em massa dos profissionais da Educação e comunidade escolar – cobrar providências das Diretorias de Ensino e das prefeituras para que os testes sejam disponibilizados na rede pública de saúde
  • Lutar pelo auxílio emergencial nacional e no estado de São Paulo.
  • Cobrar do governo a garantia da sustentabilidade alimentar dos estudantes com a distribuição de cestas básicas para as famílias.
  •  Continuaremos ocupando todos os espaços possíveis nas mídias estaduais e regionais
  •  Continuamos orientando os professores e as comunidades escolares a cobrar dos diretores de escolas a convocação dos conselhos de escola para deliberar sobre o fechamento da escola na situação de pandemia

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