É preciso votar em Haddad

"Numa perspectiva que liga passado,  presente e o futuro, cabe reconhecer que o voto em Haddad pode representar a última oportunidade para uma geração de brasileiros e brasileiras derrotar a mais grave operação de guerra contra nossos valores democráticos desde o golpe de 1964," escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247. "Num país com 14 milhões de desempregados, quando famílias de miseráveis voltam as ruas, é hora de apoiar o candidato que se dispõe a reanimar a economia, o trabalho e a produção, único caminho para impedir um retrocesso intolerável ao mapa da fome, à escalada da miséria e da desigualdade". 

É preciso votar em Haddad
É preciso votar em Haddad (Foto: Ricardo Stuckert)
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Os 147,3 milhões de eleitores e eleitoras que tomarão o caminho das urnas, em 28 de outubro, têm um dever com a própria  história, a memória dos pais e o destino  dos filhos: votar em Fernando Haddad.

Numa perspectiva que liga passado,  presente e o futuro, cabe reconhecer que o voto em Haddad pode representar a última oportunidade para uma geração de brasileiros e brasileiras derrotar a mais  grave operação de guerra contra nossos valores democráticos desde 1964. Realizada quando a Constituição chamada cidadã completa 30 anos, a eleição de 2018 não envolve uma escolha qualquer, uma corriqueira sucessão presidencial, prevista para  ocorrer de quatro em quatro anos.  

Num caminho enganoso, pois se trata de um processo que se desenvolve sob a legitimidade  de uma campanha eleitoral,  assistimos ao crescimento de um movimento perverso contra a democracia,  conquistada com tanta dificuldade após 21 anos de ditadura militar.

Sob impulso de organismos  malignos  que sobrevivem nos subterrâneos da sociedade brasileira,  destilando os piores venenos de nosso passado, pretende-se substituir um regime fundado na liberdade e na busca do bem-estar social  pela  lógica infame do Senhor & Escravo,  típica de sociedades condenadas a um cotidiano de opressão permanente, ódio e divisão, deixadas para trás pela evolução humana a partir do século XVIII. Entre socos, facadas e chutes, tatuagem com ponta de canivete, conta-se pelo menos uma vitima fatal, Romualdo Rosário da Costa, o Moa do Katendê. O número de feridos já se perdeu.  

Neste momento, o futuro do país está sob ameaça da máquina ideológica do pensamento único, alimentada anos a fio pelos grandes grupos de comunicação, num esforço sob medida para  amortecer consciências e facilitar o assalto às riquezas do país. O projeto é construir um totalitarismo político-mental dominado pelo Grande Irmão, aquele que diz que Mentira é Verdade,  Opressão  é Liberdade, Miséria é Riqueza. Uma farsa. Como nós sabemos, este é o programa do candidato Jair Bolsonaro.

De hoje até a votação, os adversários de Haddad irão operar 24 horas por  dia, para  derrotar os valores democráticos e impedir  o povo de recuperar o fio da própria história. Agem assim porque sabem que têm muito a perder.

Foram eles que instalaram  Michel Temer no Planalto. Nunca lhe negaram apoio -- no Congresso, o minúsculo PSL foi mais fiel que o PSDB e o próprio MDB --  e, através de Bolsonaro,  pretendem lhe dar continuidade, "só que mais rápido", como disse o guru Paulo Guedes à Globonews.  Quebraram os direitos trabalhistas, leiloaram a riqueza disponível e já embalam o que  resta para despachar na primeira oportunidade. Planejam  reescrever os livros de História, que ensinaram as novas gerações a valorizar a democracia e a liberdade sem medo de conhecer o que se tramava  nos porões do Estado. Querem acabar com a luta social, a começar pelos sindicatos de trabalhadores, instrumentos essenciais da  resistência da maioria  que  sobrevive com o suor do próprio rosto. Retornando ao Brasil de um século atrás, anterior ao voto livre e secreto estabelecido na Revolução de 1930,  empresários de um  pré-capitalismo selvagem querem encabrestar  o voto dos empregados, para garantir apoio ao anti-Haddad, sucessor do anti-Lula, que já foi o anti-Jango e o anti-Getúlio. Não importa quem é. Importa que seja anti.  

Num primeiro olhar, o espetáculo desses dias é de difícil de compreensão porque mostra uma cena que nunca se viu, nunca se imaginou. Assistimos a  revanche dos carcomidos da República Velha contra 90 anos da história que se fez a seguir. Cidadãos de cavanhaque, fraque e cartola, sotaque inglês -- já eram anacrônicos quando viviam em seu próprio tempo.

O Grande Irmão possui várias ideias para submeter e reprimir a juventude. Nenhuma  para  lhes oferecer as justas oportunidades há muito reclamadas. Nos seus planos,  a aposentadoria dos vovôs e vovós  cada vez mais presentes em nossas vidas devem ser entregues a própria sorte e virar caderneta de poupança, num projeto que só dá certo para o sistema financeiro. Os filhos de trabalhadores e da população super explorada devem ser expulsos das universidades públicas a partir da cobrança de mensalidades, iniciativa que o governo dos EUA pretendia impor ao Brasil através do regime de 64, até que foi vencido nas ruas pela resistência da juventude de 1968. Num país no qual os negros constituem 53% da população e carregam a herança jamais reconhecida do cativeiro -- traço fundador de nossa sociedade -- o regime de cotas está com os dias contados.

Através de elogios rasgados aos torturadores do regime militar,  a própria tortura agora é glorificada publicamente, num gesto de estímulo à violência cotidiana que todos os anos mata 60 000  de brasileiros, em sua maioria pobres e negros.  

Num país sob o risco de voltar aos cárceres do passado, a eleição  de Haddad é a oportunidade de retomar  o  sonho justo e humano de nossos pais e avós para dar mais  a quem pouco possui, aproveitar as riquezas de uma natureza abençoada em nome do bem comum e acender a  luz da cultura e do conhecimento para quem parecia  condenado a sobreviver na treva.

Com uma história que nos ensinou a ser tolerantes com as opções individuais de comportamento, os valores morais e também com as diferenças religiosas -- e por isso nossa República separa a Igreja do Estado -- mais do que nunca  é preciso distinguir o principal do secundário, o que diz respeito a toda sociedade  e aquilo que pertence às escolhas de cada um. Num país com 14 milhões de desempregados, quando famílias de miseráveis voltam as ruas, é hora de buscar união na diferença e apoiar o candidato que se dispõe a reanimar os motores da economia, do trabalho e da produção, único caminho para impedir um retrocesso intolerável ao mapa da fome, à escalada da miséria e da desigualdade e fazer frente ao tenebroso  exército de mortos-vivos que insistem em voltar a superfície para tentar governar a Terra.

Em disputa na campanha presidencial,   o esforço para construir  uma nação soberana, com atenção especial aos explorados, os fracos e os perseguido, permanece como único horizonte  aceitável  num país livre, que tenha coragem para encarar seu futuro com dignidade.   

Não há outro  caminho para evitar um abismo que há pouco ninguém conseguia enxergar nem imaginar mas agora está aí, diante de todos nós, perplexos ou não.

É nesta  busca permanente que vamos caminhar até  28 de outubro, falando a quem quer nos ouvir, debatendo com quem quer nos silenciar.  É a  nossa luta. Pode durar um dia, uma semana -- ou um século.  Mais do que nunca, o voto em Fernando Haddad é uma etapa essencial deste percurso. 

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