E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate

O ódio não é algo a ser enfrentado por principiantes. O ódio não é algo que se combate só com amor. É preciso saber derrotá-lo pelas frestas. Pelas portas que deixam abertas com sua violência primária. Pelo que escancara e constrange

O ódio não é algo a ser enfrentado por principiantes. O ódio não é algo que se combate só com amor. É preciso saber derrotá-lo pelas frestas. Pelas portas que deixam abertas com sua violência primária. Pelo que escancara e constrange
O ódio não é algo a ser enfrentado por principiantes. O ódio não é algo que se combate só com amor. É preciso saber derrotá-lo pelas frestas. Pelas portas que deixam abertas com sua violência primária. Pelo que escancara e constrange (Foto: Renato Rovai)
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Era evidente que isso iria acontecer. O fascismo e a barbárie teriam de bater à porta do nosso maior artista vivo para consagrar-se enquanto narrativa. Uma espécie de tentativa de xeque mate dessas hordas que têm atacado a qualquer um que ouse ter opinião diferente. Desses grupos que entendem democracia como sistema do ego. Do que eu quero. Do que eu acho.

Chico Buarque de Holanda não é uma torre, não é um bispo e sequer é a rainha ou o rei deste jogo que estamos a disputar. Mas ele é o nosso Kasparov ou o Mequinho, para os que vivenciaram a história desse gênio brasileiro. Ele é o nosso maior enxadrista. Aquele que sabe como se mexem as peças.

E por isso ele tinha de ser desafiado. Ele tinha de ser confrontado. Como deixá-lo solto por aí a desafiar a burrice? Como deixar um Chico por aí a nos lembrar da nossa história de coronéis e escravocratas? Como deixá-lo cantando um amor que desafia o ódio? Como entender o que somos e onde estamos nessa Roda Viva?

Eles cercaram o Chico e filmaram a cena. Era o trunfo. Era a grande vitória que seria barbarizada nas redes.

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Mas eis que Chico é Chico e no meio daquele constrangimento todo ainda teve tempo de dizer “eu acho que te conheço” e perguntar “qual o seu nome?” Ao que o covarde respondeu apenas com um “Túlio”. Mas Chico é enxadrista de primeira. E contra-atacou. “Túlio de quê?”. E aí não teve jeito, aquele que também se diz músico não pôde mais se esconder. “Dek”. E Chico com um “ah, tá” acabava de vez com o embate colocando ponto final na tentativa de carreira do intimidador.

Chico deu um xeque mate na galera do Túlio e em todos aqueles que buscam nos intimidar com seus micros e macro fascismos.

Caetano sabia o que escrevia quando cravou “que Chico Buarque de Holanda nos resgate. E xeque mate”. Chico foi imenso e nos deu o melhor presente de Natal dos últimos anos desvelando o que se esconde na alma do ódio.

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O ódio não é algo a ser enfrentado por principiantes. O ódio não é algo que se combate só com amor. É preciso saber derrotá-lo pelas frestas. Pelas portas que deixam abertas com sua violência primária. Pelo que escancara e constrange.

Desde o xeque mate de Chico muitos estão pensando se vale a pena ser como seus contendores. Se vale a pena ser confundido com um babaca filho de usineiro que chama Chico de merda.

Não vale.

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E por isso Chico os massacrou no debate público. Chico sambou. E vai do palco, de novo, aplaudidíssimo.

Porque Chico fala seu nome inteiro. E não tenta fazer de conta que não é ele. Chico Buarque de Holanda. Viu, Túlio. Viu, Garnerinho. Viu, filhinho de papai usineiro.

Feliz Natal, aos que vão raiar o ano ouvindo Chico.

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Como me lembro de ter feito na virada de 84 para 85 na casa de um amigo ouvindo e chorando ao som de Apesar de Você. A gente sabia que algo no Brasil estava mudando. E os querem fazer aquele tempo voltar não passarão.

Ainda temos Chico. E muitos como ele por aí.

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