É sábado de aleluia. Escolha o seu Judas

"A tradição de malhar o Judas no Sábado de Aleluia é antiga e atinge, de muito tempo, o Brasil cristão e ocidental", afirma Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia; "É hora de mantar a tradição. A seguir, exemplos potenciais de personalidade do governo que podem encarnar a brincadeira da Malhação de Judas", diz ele, citando Jair Bolsonaro; "Cerca-se de tanta gente bizarra e profere um número tão absurdo de tolices, que muitos pensam que isto não passa de diversionismo, enquanto ele dizima o patrimônio e os trabalhadores do País"

É sábado de aleluia. Escolha o seu Judas
É sábado de aleluia. Escolha o seu Judas (Foto: Adriano Machado - Reuters)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Gilvandro Filho, do Jornalista pela Democracia

A tradição de malhar o Judas no Sábado de Aleluia é antiga e atinge, de muito tempo, o Brasil cristão e ocidental. Consiste em pegar um boneco, de pano ou de palha, e através dele “homenagear” alguém, com versos, cantos ou simplesmente impropérios. A farra sempre foi muito popular. No Nordeste virou motivo de brigas e reações até a bala.

É o Dia da Vingança. O povo castiga, com a malhação, os crimes cometidos por Judas Escariotes, que vendeu Jesus Cristo ao exército romano por 30 dinheiros. Com o ato de alta traição, Jesus foi preso, julgado, condenado sem provas (isso existe e é antigo...) e crucificado no Monte do Calvário depois de, xingado e açoitado, percorrer as ruas de Jerusalém com sua cruz pesada nos ombros, caminho que acabou conhecido por Via Crucis. Judas, de remorso, cometeu suicídio, enforcado.

O dia da Malhação de Judas é simbólico. No sábado, Jesus, morto no dia anterior, ressuscitou e anunciou ao mundo, segundo a doutrina cristã, a sua vitória sobre seus algozes. Deixou o sepulcro, fez algumas aparições a seus discípulos e, no dia seguinte, realizou sua “passagem”, ou Páscoa, para o Reino dos Céus. O mundo nunca mais foi mesmo, como todo cristão sabe.

Apesar de um dos principais ensinamentos de Jesus Cristo ter sido o perdão, o “dar a outra face a quem lhe fez mal”, a turma não quer saber. E o Sábado de Aleluia virou o momento ideal para tirar a casquinha em cima de quem não se gosta. Com o tempo, Judas saiu de cena e deu a lugar a políticos, empresários, pais brabos de moça bonita, adversários de qualquer sorte.

É hora de mantar a tradição. A seguir, nove exemplos potenciais de personalidade do governo que podem encarnar a brincadeira da Malhação de Judas. Escolha o seu e boa farra. Ou Boa Páscoa!

01 - Jair Bolsonaro

Presidente da República, é indicado pétreo. Elegeu-se de casa, após um atentado mal explicado. Prometeu eliminar os adversários e liberar geral as armas para a população, o que tratou de cumprir no primeiro dia de governo. É deslumbrado com os Estados Unidos e com Israel, e levou o País a se tornar praticamente uma colônia de ambos. Cerca-se de tanta gente bizarra e profere um número tão absurdo de tolices, que muitos pensam que isto não passa de diversionismo, enquanto ele dizima o patrimônio e os trabalhadores do País.

02 - Paulo Guedes

Ministro da Economia. Trabalha na parte perigosa do governo e tem como missão americanizar o Brasil, entregando aos EUA o patrimônio nacional. Já anunciou que vai vender tudo, da Amazônia ao petróleo, enterrar radicalmente os direitos trabalhistas e pinochetizar a Previdência. É oriundo da Escola de Chicago, o que lhe rendeu alguns apelidos que ele não suporta, alguns mais desairosos que outros, como revelou o deputado Zeca Dirceu, numa malhação antecipada que fez, na CCJ.

03 - Sérgio Moro

Ministro da Justiça, cargo a que fez jus após influir decisivamente na eleição, tirando do páreo o principal concorrente do atual presidente. Fez carreira na Operação Lava Jato, tornando-se ídolo para uns, por colocar na cadeia o ex-presidente Lula, malgrado o estrago financeiro que isto provocaria na economia nacional. Tem problemas sérios no trajar e no falar. Nada que o tire do nível dos demais colegas de governo.

04 - Olavo de Carvalho

Escritor, ex-astrólogo, armamentista, se diz filósofo. Sobrevive fora do seu País ministrando um curso de filosofia prática, online. Tornou-se mentor de grande parte da nova extrema-direita brasileira e guru de muita gente do atual governo, para o qual indica ministros e afins. Talvez seja hoje a mais perfeita tradução de pensamento teórico sem noção que assola o Brasil, criatório de teses estapafúrdias como “marxismo cultural” e “terraplanismo”.

05 – Deltan Dallagnoll

Procurador do Ministério Público, é especialista em softwares de apresentação, como o Powerpoint, pelo qual sempre nutriu especial predileção. Autor de teses que revolucionaram o saber jurídico, lançou a teoria do julgamento sem provas, mas com convicção.  Ultimamente, tem se dedicado a ações e acordos com o governo americano, o que pode render a sua corporação quantias de até R$ 2,5 bilhões. Há controvérsias e há reações, porém.

06 – Ernesto Araújo

Por incrível que pareça, é o atual chanceler do Brasil, embora muita gente no exterior não acredite e faça chacota de tal afirmação. Foi um dos indicados a Bolsonaro pelo “filósofo” Olavo de Carvalho, a quem segue com fidelidade e afinco. A sua inclusão na lista provocou polêmica, já que muitos não o veem com autonomia e poder para receber a indicação. Apesar de ministro das Relações Exteriores, é deixado de fora de reuniões importantes onde sua pasta acaba sendo representada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, que faz as vezes de chanceler, de fato.

07 – Ônyx Lorenzonni

Ministro-chefe da Casa Civil, é o responsável pela articulação do governo junto ao Congresso Nacional. Ou seja, não funciona. Em algumas de suas intervenções, como no caso do veto do presidente ao aumento (visto e revisto) do óleo diesel, a coisa por pouco não desanda, irremediavelmente. Acabou que o presidente Jair Bolsonaro ouviu quem realmente manda, o ministro da Economia, voltou atrás e ordenou um “Senta aí, Ônyx!”.

08 - Abraham Weintraub

Ministro da Educação, ganha a vaga que seria, com distinção e louvor, do seu antecessor no cargo, o colombiano Ricardo Veléz Rodrigues, o maior demitidor em linha reta e curto prazo que já passou pelo MEC. Abraham não deixou por menos e, com dias de função, já mostrou a que veio. De autoplágio de artigos no Lattes ao fato de não ter pisado em escola pública, é um inovador. É tido como especialista em Previdência (é dele boa fatia teórica da reforma de Bolsonaro) e atuou nos últimos 20 anos no mercado financeiro. O que não passa de detalhe, claro.

09 – Filhos de Bolsonaro: Flávio, Carluxo e Eduardo

Indicação tripla, pela desenvoltura e certeza de poder que todos têm em escala igualitária e equânime. Cada um em sua área de atuação, os três têm contribuído para o governo e recebem do pai-presidente apoio e importância filiais. Têm em comum, também, a antipatia de boa parte do governo, pelo alto grau de intrometimento e soberba. Não dá para indicar um só. Os três fizeram jus à honraria.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247