E se o PT fizesse aliança não com Ciro, mas com Guilherme Boulos?
Boulos performa muito mal nas pesquisas eleitorais, em 1%, empatado com Michel Temer e nanicos da direita que querem defender este governo ilegítimo. No entanto, diferentes fontes do PT informaram que Lula pode migrar até 20% de suas intenções de voto
Meus amigos do PDT e possíveis eleitores de Ciro vão começar a ler este texto muito possivelmente putos comigo. Ao longo de meses me tornei crítico ao pré-candidato Ciro Gomes. Talvez por tê-lo entrevistado pessoalmente, me deu um certo choque ver o seu discurso favoravelmente ao PT se transformar "nem uma coisa e nem outra". Por isso, por mais que ele se vendesse como uma via de centro-esquerda para a corrida de 2018, eu o batizei carinhosamente de "Macron brasileiro de esquerda". Justamente por vender social-democracia, como o presidente francês, e entregar na prática o neoliberalismo.
Mas eu não estava, nos últimos dias, com mal humor sobre Ciro em minhas possíveis análises. Vi com bons olhos seu desejo de visitar Lula na prisão e nunca achei que ele deveria ser subserviente ao petismo. Vi com bons olhos também uma análise que ele fez ao jornalista Fernando Morais, afirmando que, com a invasão de empresas estrangeiras, talvez nós futuramente teremos que defender a Rede Globo no mercado de mídia.
No entanto, no meu cálculo pessoal, acho que ele perdeu uma chance de ouro de capitalizar em cima do carisma lulista e ganhar uma boa migração de votos se o ex-presidente de fato for impedido.
Ciro não aproveitou a janela e ganhou duas inimizades: A da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e de de Luiz Marinho, pré-candidato ao governo. Nenhum dos dois era difícil de se conquistar com uma pequena política de boa vizinhança. Mas esta não parece ter sido a preocupação de Ciro Gomes, que preferiu ir num evento liberal que culminou no pedala dado no vlogueiro MamãeFalei (um ótimo episódio da pré-campanha de Ciro, diga-se de passagem).
Com cada vez menos chances de herdar o petismo e, quem sabe, o lulismo per se, os holofotes da corrida presidencial se voltam para o pré-candidato Guilherme Boulos do PSOL.
Seu único contra para o PT é o partido que escolheu, que formou-se de uma dissidência entre filiados petistas e José Dirceu, enrolado no Mensalão. Mas Boulos parece falar acima da legenda e muito ainda para o movimento dos sem-teto que protagoniza.
O MTST ganhou o noticiário ao ser associado erroneamente com o desabamento do edifício no largo do Paissandu. Boulos, que não é nada bobo, aproveitou para desmentir, anunciar processos e explicar o que é de fato luta social por moradia. Que ela não envolve corrupção de ocupações e sim o absoluto abandono do Estado. Nesta semana, Guilherme Boulos antagonizou com o vexame completo de Michel Temer no Paissandu.
Boulos explicou que a pauta da cidade e da moradia pode ser nacional.
No mês anterior, antes de ir para a cadeia, Lula lembrou primeiro de Guilherme Boulos no palanque do Sindicato dos Metalúrgicos em seus agradecimentos. Eu estava lá. A impressão generalizada era que, nesta eleição ou no futuro, Boulos poderia muito bem encarnar a herança popular do lulismo através daquele ato. Após o discurso do ex-presidente, seus filhos disseram na imprensa que ele tem um carinho enorme pelo dirigente do MTST.
Boulos performa muito mal nas pesquisas eleitorais, em 1%, empatado com Michel Temer e nanicos da direita que querem defender este governo ilegítimo. No entanto, diferentes fontes do PT me informaram que Lula pode migrar até 20% de suas intenções de voto. A Folha de S.Paulo crava 17% de migração para o "ungido" do ex-presidente.
Se isso acontecer, e Guilherme Boulos for o escolhido, ele ainda é competitivo o suficiente para encarar Bolsonaro, Marina, Alckmin ou Ciro.
Por isso, e por diversos outros motivos, há uma possibilidade ai. E se Boulos, e não Ciro, for o plano B do PT?
O PT, enquanto isso, busca não negar a candidatura Lula para proteger o seu próprio legado. Estrategicamente, no entanto, as articulações se formam para que a legenda esteja na corrida na cabeça de chapa ou com um vice impulsionador.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
