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Não há necessidade de o Banco Central aumentar os juros. Todo esforço fiscal feito pelo governo, com apoio do Congresso, ficará inócuo com aumento da taxa Selic
Em 2015 todas as medidas de ajustes que eram necessárias foram tomadas e apesar da insistência de parte do mercado de semear pessimismo incentivando a especulação, os efeitos positivos começam a ser percebidos.
A inflação deve fechar em 2016 abaixo de 7%, cerca de 4 pontos percentuais a menos do que neste ano, e muito próxima ao teto da meta.
Estamos com posição sólida nas reservas internacionais, em torno de U$ 368 bilhões, a sexta maior do mundo. Nosso déficit em conta corrente caiu de cerca de 4,3% para 3,5% do PIB em relação a 2014.
Temos equilíbrio competitivo. O dólar deve estabilizar na casa de R$ 3,80 a 4,00. A participação dos manufaturados cresceu de 35,6% para 38,1% do total de nosso resultado comercial de 2015, que foi superavitário.
O Bradesco BBI, um dos principais bancos de negócios do país, acaba de divulgar um levantamento que confronta com as avaliações das agências de rating que recentemente baixaram a nota do Brasil: os Fundos de Investimentos querem comprar empresas no Brasil e dispõem de mais de R$ 100 bilhões. Apostam na área de energia, concessões de estradas, aeroportos, negócios imobiliários. Grandes grupos empresariais também aportam por aqui. Avaliam que a crise passa e querem ficar no país que tem muitas oportunidades.
Na área fiscal, principal foco das medidas do governo, economizamos, em 2015, mais de R$ 108 bilhões. Foi o maior contingenciamento já realizado no país. Além disso, o Congresso Nacional já aprovou o orçamento de 2016 com uma previsão de economia de 0,5% do PIB, sem comprometer os recursos para área social.
Houve a quitação total das dívidas com os bancos, as chamadas pedaladas fiscais, pelas quais só a presidenta Dilma pagou. Esse dinheiro, mais de R$ 70 bilhões, que entra nos bancos públicos, vai permitir a retomada do crédito por esses bancos, principalmente para pequenas e médias empresas, sem precisar de subsídios. A agricultura já foi contemplada na semana que passou.
Estamos com o menor índice de Restos a Pagar em dez anos. A redução é de 17,6% em relação a 2014. E o que é mais importante é que a queda maior foi nas despesas correntes e não nos investimentos. Estes recuaram de cerca de R$ 80 bi para R$ 76 bi. E as correntes de cerca de R$ 119 bi para R$ 87 bi.
Outras medidas já estão bem encaminharas no Congresso e devem ser aprovadas pelos plenários das duas casas: a MP da reestruturação administrativa e a que impacta nos juros sobre capital próprio. Aliás, precisamos focar aí a eficiência do sistema tributário: no ganho do capital.
Por tudo isso é que não há necessidade de o Banco Central aumentar os juros. Todo esforço fiscal feito pelo governo, com apoio do Congresso, ficará inócuo com aumento da taxa Selic. Além do mais, o BC tem oito reuniões para avaliar a política monetária do país. Não precisa iniciar o ano com aumento dos juros. Se isso realmente se mostrar necessário, março está perto.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
