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Renato Giugni Santos

Engenheiro Eletrônico formado pela Universidade Federal de Itajubá

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Educação, desenvolvimento e tempos de guerra

As leis internacionais em colapso

Estudantes universiários em sala de aula (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O mundo está à beira da terceira guerra mundial ou de grandes e tenebrosas guerras por procuração, nas quais os EUA pagarão para matar inocentes e destruir culturas – basta olhar o que fizeram com o povo palestino recentemente.

Nesses tempos difíceis, nos quais a diplomacia falhou, visto que os senhores das guerras não seguem as normas do Direito e não têm o termo Direitos Humanos em seu vocabulário, vejamos o que a realidade mostra. O ataque estadunidense à Venezuela foi um produto de engenharia de guerra. Ataques à infraestrutura de radares, guerra eletrônica, tudo isso foi usado por Donald Trump para inutilizar as defesas aéreas da nação bolivariana. Além disso, relatos apontam que a engenharia militar venezuelana não é desenvolvida o suficiente para manter operacionais os equipamentos militares russos e chineses, como radares. Nesse momento das agressões militares, o Direito é jogado de lado, e outros campos do conhecimento entram em jogo, e são eles a ciência, a tecnologia e a engenharia – que foram, obviamente, usadas para o mal no caso dos EUA.

Brasil em maus lençóis

Guerras destroem não somente veículos militares, mas a infraestrutura do país atacado. E, para reconstruir essa infraestrutura – adivinha? –, necessitamos de técnicos, engenheiros e cientistas. É nesse contexto que a nação brasileira está em maus lençóis. Não temos formação de profissionais STEM (sigla para ciência, tecnologia, engenharia e matemática) adequada para reconstruir um país devastado. Basta ver os dados do IDEB sobre o ensino de matemática nos anos finais do ensino médio, com apenas 5% dos alunos entendendo corretamente os principais conceitos da área, para crer que é impossível formar profissionais, em grande quantidade e com qualidade, em um país que não forma seus alunos com o mínimo repertório possível na área mais básica para os profissionais STEM.

O exemplo chinês

Para entender a gravidade da nossa posição em relação aos desafios que o mundo irá nos oferecer no curto e no médio prazo, olhemos o exemplo da China. No início dos anos 2000, falava-se que os potinhos e brinquedos eram chineses. Hoje em dia, a indústria é chinesa. Isso não é obra do acaso, é política pública bem orientada, seja na área educacional, com a formação de quase 50% dos graduandos chineses sendo da área de STEM, ou industrial, com o plano MIC 2025 (Feito na China 2025, em tradução para o português) para investir em setores estratégicos e internacionalizar a indústria. Efeito de tudo isso? Olhemos o grande desfile militar da celebração dos 80 anos da vitória chinesa sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial. Mísseis de alcance global, drones submarinos, armas a laser para defesa aérea. Tudo isso é fruto de décadas de investimento e décadas de políticas de governo que funcionaram.

E agora, José?

A diplomacia não é suficiente para conter os senhores das guerras. Um exemplo disso é a diplomacia brasileira, que foi pega de surpresa com o sequestro de Nicolás Maduro. Diversas fontes dizem que o Itamaraty nunca trabalhou com a hipótese de sequestro estadunidense em território venezuelano, e isso se deve ao fato de que já mencionamos anteriormente: o respeito às normas não está no léxico do idioma dos estados de guerra.

Assim, a população brasileira precisa acordar. Desenvolver a educação a níveis técnicos de alta qualidade não é luxo, é necessidade básica. Todos os setores que poderão sustentar o país em um eventual conflito irão se beneficiar. Porém, esses planos levam décadas, mas é melhor começar agora e ter um fio de esperança no futuro do que esperar na varanda por helicópteros e caças inimigos passando por nossos telhados, sem nenhuma resistência, como foi o caso da Venezuela.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.