Educação e Política: Danilo Gentili como a solução "Tiririca – pior que tá não fica"

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Um dos maiores intelectuais da Educação do último século, Edgar Morin, criou um conceito para caracterizar os sujeitos diplomados, mas não educados: o “Especialista Ignorante”. 

Os psicólogos norte-americanos, David Dunning e Justin Kruger, da Cornell University, chamam esse fenômeno de “Síndrome da Superioridade Ilusória”. 

Ambos refletem aqueles sujeitos que até passaram pelos bancos escolares e conseguiram um diploma de ensino superior, mas que nada ou quase nada evoluíram como sujeitos providos de cognição e inteligência. Esse fenômeno é mais intenso em membros da classe média, com destaque para os que ocupam posições de destaque (médicos, advogados, engenheiros, servidores do judiciário, dentistas etc). São pessoas que até conhecem as técnicas e procedimentos de uma profissão, mas que exibem uma atrofia cognitiva em quase todos os outros aspectos da vida. 

Por ocuparem cargos e funções que garantem certo poder aquisitivo e padrão de consumo, imaginam que estejam aptos a opinar sobre qualquer tema. Pior: acreditam que o status quo seja balizador de profundidade racional e científica. Mormente manifestam verdadeiras aberrações opinativas sem qualquer fundamento razoável, espalhando impropérios, fakenews e desinformação aos borbotões. 

Leem pouco, informam-se pela GloboNews e congêneres e reproduzem as “opiniões” dos jornalistas de cativeiro que trabalham nessas empresas midiáticas que são uma espécie de departamento de comunicação e marketing do Mercado Financeiro. 

Em resumo, não são educados pelas escolas (que só focam em conteúdos e não em aprendizagens) e tampouco pelos meios de comunicação. 

São apedeutas políticos, econômicos, sociais e científicos (vide, por exemplo, os médicos cloroquiners e os juristas “lavajatistas”), limitados intelectualmente e, portanto, facilmente manipulados por discursos moralistas (Anticorrupção, Família, Deus, Pátria, Meritocracia). O mesmo ocorre para as classes populares que têm ainda esse discurso reforçado pela classe média muitas vezes entendida como “intelectualmente” superior.

É o cenário perfeito para o que Alcir Lenharo chamou de “sacralização da política”, situação em que estratagemas similares aos das religiões são usados no debate político, apelando para alegorias morais, sacras e movimentando paixões, fé e sentimentos num campo que deveria ser racional. Aliado a isso, cabem os alertas de Raoul Girardet em Mitos e Mitologias Políticas, pois facilmente nesse cenário surge a imagem do Salvador, o Messias ou o Mito, aquele que artificialmente imbuído dos valores morais e cristãos levará o povo à redenção. Girardet explica que esse Salvador não se ancora em ciência e livros, mas em discursos e valores emotivos e de fé para arrebanhar seguidores.

Chegando ao poder essas figuras “míticas” formam o que Benedito Croce classificou como Governo dos Asnos Zurrantes, formado por figuras incultas e ideologizadas ao extremo, contando com uma base social que os representa. No brasil essa base está em todas as classes sociais, já que os sujeitos  não são educados em escolas e universidades, mas apenas instrumentalizados. 

O problema desse processo é obvio: a inépcia dos governantes néscios leva o país ao caos econômico e social, minando as esperanças de um povo limitado e crente em salvadores representantes da “nova política”. A desilusão com o Mito em vez de recuperar a crença na política profissional como único caminho possível, conduz, no mais das vezes, ao esculacho e aos temerosos “votos de protesto”, o que afunda ainda mais a política e o país num poço sem fundo. 

É aí que essa figura atroz da extrema direita brasileira, Danilo Gentili, pode insanamente aparecer. Depois de se golpear o país, de se criar um imaginário de ódio contra o campo progressista que defende políticas de desenvolvimento harmônico para todos e de se empossar um Mito salvador inconsequente e inepto, à população o caminho mais fácil parece ser o escracho. Abre-se a porta para que jogadores de futebol, apresentadores de TV ou humoristas se coloquem como possíveis soluções. Assim a solução Tiririca “pior que tá não fica” assume novos contornos que podem se resumir à figura de um Danilo Gentili, Luciano Huck e afins. 

E isso não é piada. Na Ucrânia essa desilusão política levou ao poder o humorista Volodymyr Zelenskiy, eleito depois de dizer que não tinha propostas de governo pois “se não tem promessa não tem decepção”. Também se negou a debater na imprensa e fez campanha por redes sociais. Já tivemos (temos) a experiência de um candidato fujão, que não debateu, despreza a imprensa e se elegeu por fakenews de redes sociais.

Gentili representaria um grau de putrefação ainda mais asqueroso desse processo, pois juntaria toda a carga de boçalidade típica da extrema direita num tom de piada, na maioria das vezes de muito mal gosto, o que já o levou a tomar vários processos, inclusive de racismo. Aliás, Gentili, indagado sobre qual seria sua plataforma de governo, recorreu à mesma fuga do presidente ucraniano, dizendo que sua base seria a “realidade”. Mais vago e vazio que isso impossível, pois do contrário, sua base política seria o mundo fantasioso das fadas ou do gabinete do ódio?

Fiquemos atentos!

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