Efeito reverso

Em efeito reverso, quanto mais Lula é atacado desmesuradamente, mais ele cresce e seus eleitores aumentam na mesma proporção do desespero daqueles que tentam, a qualquer custo, bloquear sua candidatura

EX-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio ao povo
EX-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio ao povo (Foto: Ricardo Flaitt)

Por Ricardo Flaitt – Muito além do jardim do Judiciário, as lanças midiáticas objetivavam sangrar Lula, um possível – e forte – candidato à presidência em 2018. Porém, o mesmo gigantesco aparato midiático, que há mais de dois anos disseca Lula, não conseguiu destruir sua imagem nos corações e mentes do povo brasileiro.

Ao contrário: com os setores mais poderosos da imprensa, por meio de seus telejornais, revistas, sites e impressos com edições inteiras dedicadas a atacar Lula, reinseriram-no, em um efeito reverso, ainda com mais força no cenário político nacional.

Mas como política e história são processos dinâmicos, após esses dois anos de massacre midiático, eis que Lula, contrariando todos os prognósticos, reaparece em primeiro lugar nas pesquisas, com chances reais de vencer já no primeiro turno, fosse o pleito realizado na atual conjuntura.

Diante dos altos índices de Lula nas pesquisas, desesperaram-se os opositores. Então, o contragolpe foi confeccionar outras lanças, além das forjadas com as pontas da imprensa. Também não está dando certo.

Em efeito reverso, quanto mais Lula é atacado desmesuradamente, mais ele cresce e seus eleitores aumentam na mesma proporção do desespero daqueles que tentam, a qualquer custo, bloquear sua candidatura.

Um dos fenômenos desse movimento reverso é que grande parte da população pode até não saber explicar em termos técnicos, com verbetes da sociologia ou sob o prisma da filosofia o massacre direcionado a Lula; no entanto, o povo possui um Senso de Justiça, que está além do saber acadêmico.

Esse Senso, que habita a consciência, gera estranheza no povo, a partir do momento em que a imprensa mira as investigações em um único alvo, Lula, como se ele fosse a personificação de todas as mazelas e falcatruas do país; enquanto outros políticos passam à margem dos noticiários.

A desproporção, ou até mesmo unilateralidade, é que materializa a injustiça no imaginário coletivo das massas, formando esse Senso de Justiça.

O desmedido carregamento nas tintas da imprensa com ataques desproporcionais ao ex-presidente, somada às propostas do governo, que sob o nome de "reforma", pretende implodir os direitos trabalhistas e previdenciários, e o preconceito destilado nas redes sociais pelo fato de Lula ser um operário, um homem que saiu do chão de fábrica e chegou ao comando de uma nação, compuseram um cenário perfeito para que as pessoas compreendessem, através da simples comparação, quem de fato estabelece políticas em defesa dos mais pobres e qual lado representa o poder econômico, com políticas que ampliam a exploração daqueles que estão no "andar de baixo" do estamento social.

Os dois pesos e duas medidas que parte da grande imprensa adotou e o posicionamento do governo, com projetos que suprimem direitos sociais, tornaram-nos, por mais contraditório que possa parecer, os principais cabos eleitorais paneleiros de Lula. Como já cantou Geraldo Vandré, na música Aroeira: "É a volta do cipó de aroeira / No lombo de quem mandou dar".

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