Eleição em Salvador ainda é incerta. E Neto sabe disso

Que eleição é aposta, todos estão cansados de saber. Mas erra quem coloca todas as fichas na reeleição do prefeito ACM Neto

Que eleição é aposta, todos estão cansados de saber. Mas erra quem coloca todas as fichas na reeleição do prefeito ACM Neto. O quadro é favorável? Sim. O cenário de partida é promissor? Certamente. Contudo, a história recente das eleições em Salvador sugere que a disputa está aberta, nada está decidido, tem muita água para passar por baixo dessa ponte.

Senão, vejamos.

Em julho de 2008, segundo o instituto Vox Populi, as intenções de voto apontavam Neto (DEM) liderando com 26% e enfrentando no segundo turno Imbassahy (PSDB), que pontuava com 24%. Deu João Henrique (PMDB) contra Pinheiro (PT), ambos alcançando 30% dos votos válidos. Quatro anos depois, a pesquisa IBOPE de julho de 2012 apontava Neto isolado na liderança com 40% das intenções de votos. A urna confirmou isso, realmente ele obteve 40% dos votos válidos. Mas neste ano a tradicional surpresa soteropolitana se deu quanto ao segundo colocado: em julho Pelegrino tinha apenas 13%, nas urnas cresceu impressionantes 27 pontos e empatou com Neto na primeira colocação.

Desta forma, não se deve, não se pode, é errado acreditar que a eleição está jogada. Salvador sempre reserva fortes mudanças de cenário entre julho e o resultado na urna; muita alteração entre as convenções e o voto final do eleitor.

Ainda assim, mesmo a gente descarte a história das últimas eleições e que sejam considerados apenas os argumentos dos apoiadores do atual prefeito ou dos analistas mais apressados, é correto afirmar que a tendência de mudança no quadro atual se consolidará.

Um argumento facilmente identificado (e usado) diz respeito à sensação de melhoria das condições da cidade e a consequente melhoria da avaliação da administração. Vale lembrar que uma grande parcela, senão a maioria das intervenções na cidade, intervenções que elevaram a qualidade de vida da população e trouxeram essa sensação de melhoria são, a rigor, do Governo do Estado. Em outras palavras: muita coisa que o soteropolitano acredita ser obra de ACM Neto, na verdade é obra de Rui Costa; a placa é da Prefeitura, o realizado é do Governo.

Outro elemento apresentado para a suposta vitória antecipada se refere à crise política que alcança o Partido dos Trabalhadores e seus principais aliados. Ora, se o PT e aliados fossem verdadeiramente cartas fora do baralho, no sentido eleitoral, o prefeito e seu grupo político não acompanhariam com tamanha atenção as movimentações para montagem da chapa de oposição. Oposição que conta com um leque importante de partidos (PCdoB, PSB, PSD, PP, PR, PTN, além do PT) que caminhando juntos ou em mais de uma candidatura, representam uma força política importante da capital, com raízes fortes na luta popular, das comunidades, dos bairros e dos movimentos sociais, mas também junto à classe média, aos servidores públicos, profissionais liberais, autônomos, etc.

Assim, o atual cenário não permanecerá o mesmo. O prefeito lidera pois não enfrenta oposição clara, porque recebe toda a paternidade das obras e fatura politicamente as grandes melhorias na cidade. O período de campanha mexerá com essa percepção, mudará essa realidade e vai, certamente, bagunçar o cenário eleitoral da nossa capital.

A única coisa certa, me perdoem o fraco trocadilho, é a incerteza. E quem mais sabe disso é o prefeito.

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