Eleições 2020: PT-PB um partido em autoflagelação pública

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As eleições municipais 2020, entre outras coisas, desnudou completamente a situação de colapso político interno que vive o Partido dos Trabalhadores na Paraíba. Ou pelo menos nas suas duas principais cidades, João Pessoa (capital) e Campina Grande (interior).

Esse colapso vem acontecendo há um bom tempo. Mas, agora assumiu ares de uma autofagia pública! Seus elementos são conhecidos até pelo reino mineral, como costuma dizer Mino Carta: burocratização da vida partidária, envelhecimento dos quadros militantes, escassez de lideranças, distanciamento das bases sociais, encolhimento eleitoral, etc.

No caso paraibano, àqueles problemas somaram-se as disputas internas que marcaram inserção do partido no processo eleitoral de 2020. Em João Pessoa, por exemplo, o Diretório Nacional (DN-PT) não titubeou em promover inconsequente e desrespeitosa intervenção desconsiderando sua militância e o próprio regimento partidário e defenestrar a candidatura definida em convenção, no caso a do deputado Anísio Maia. E numa negociata, tão obscura quanto autoritária, avalizar o nome do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) como seu candidato a prefeito.

Ainda que o processo que ratificou o nome de Anísio Maia tenha seguido todos os trâmites definidos pelo DN-PT, este demostrou não ter respeito algum por suas resoluções, a não ser as que lhe interessa, tentou desmoralizar uma das poucas lideranças petista que restam na Paraíba, além de desmobilizar e desmotivar a militância na capital paraibana, com óbvios efeitos sobre o resto do Estado. (E mais, assumiu-se como avalista do caráter autoritário e da personalidade vaidosa do ex-governador, causas, aliás, do rompimento em seu próprio partido na Paraíba, diga-se de passagem.)

Vale ser dito que, pelo menos em nível municipal, o PT tem demonstrado resistência, tentando sobreviver ao emparedamento burocrático do DN, afirmando disposição de levar a candidatura de Anísio Maia até o fim, inclusive, recorrendo à Justiça para garantir o respeito à decisão partidária local.

Já em Campina Grande, além da ausência absoluta de líderes de quaisquer tipos e do abandono por parte da direção municipal local das candidaturas de vereadores e vereadoras a sua própria sorte, a implosão interna assumiu ares de verdadeiro suicídio político-eleitoral quando parte significante dos quadros de militantes, filiados e até mesmo de diretorianos decidiram organizar um movimento de apoio à candidatura do advogado Olímpio Rocha (do PSOL) à prefeitura municipal. 

A decisão é um claro enfrentamento ao Diretório Municipal que havia optado por uma aliança, sem muita clareza sob quais critérios e/ou objetivos, com o neocomunista Inácio Falcão (do PCdoB – ou de um tal Movimento 65, seja lá o que for). Mas, é também um espécie de autoflagelo público do partido que, ao menos eleitoralmente, corre risco de ser “varrido” (palavra cara, aos dias de hoje) da principal cidade do interior paraibano.

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