Eleições francesas ensinam: as esquerdas precisam se unir

As esquerdas brasileiras precisam se unir em torno de um candidato único nas próximas eleições gerais, ou correremos o risco de repetir o trágico roteiro gaulês, no qual a esquerda ficou de fora do segundo turno da eleição presidencial

Candidato à Presidência da França, Emmanuel Macron. 17/04/2017 REUTERS/Christian Hartmann
Candidato à Presidência da França, Emmanuel Macron. 17/04/2017 REUTERS/Christian Hartmann (Foto: Guilherme Coutinho)

A esquerda está fora do segundo turno na França. A disputa agora está restrita a um representante do liberalismo econômico e uma representante da extrema-direita. Dois candidatos de esquerda foram derrotados. Dividiram os votos dos eleitores, se enfraqueceram mutuamente e se tornaram, ambos, pouco competitivos. As esquerdas brasileiras precisam se unir em torno de um candidato único nas próximas eleições gerais, ou correremos o risco de repetir o trágico roteiro gaulês.

Benoît Hamon, do partido socialista francês, obteve pouco mais seis por cento dos votos. Mélenchon, da Frente de Esquerda francesa, pouco mais de dezenove. Competindo entre si, ficaram com as duas últimas colocações. Se somassem os votos, a esquerda teria o candidato mais votado no primeiro turno. Em tempos de golpe, as esquerdas brasileiras precisam observar o exemplo francês, ou poderemos ter aqui um segundo turno entre a direita e a extrema-direita. Um cenário trágico e possível.

Lula é sem dúvida o candidato com maior capital político no país. Possui a experiência de um grande estadista e uma militância fiel a seus ideais. Caso não haja impedimento a sua candidatura na (in) justiça, ele deve ser o candidato único e natural, sendo apoiado por todos os demais partidos de esquerda. No entanto, o PDT tem claras intenções de lançar candidato próprio e o PSOL pretende novamente lançar a candidatura de Chico Alencar. Essa divisão é a ruína da esquerda.

Ciro Gomes poderia ser o candidato da Esquerda no caso de impedimento de Lula, mas deveria abrir mão de sua candidatura caso tudo ocorra normalmente. Pelo bem da esquerda, pelo bem do país. A militância não pode é aceitar uma Esquerda desunida, enfraquecida e realizando parcerias com partidos golpistas como o PMDB e o PP, por exemplo. Afinal de contas, L'enfer est pavé de bonnes intentions, ou em bom portugês, de boas intenções o inferno está cheio.

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