Eleições na França: O fenômeno ‘Marine dos pobres’

"Nem Macron, nem Le Pen! Construir a França Insubmissa!", defende

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(Foto: Reprodução)


As eleições francesas neste domingo e o fenômeno ‘Marine’ — agora somente o suave e doce ‘Marine’ — o sobrenome pesado do clã foi deixado de lado. Leio em diversos jornais e sites europeus que ‘Marine’ (outrora Le Pen), segundo as últimas pesquisas, continua tendo a preferência do voto entre a classe trabalhadora e das camadas mais empobrecidas da população da França. Trabalhadores urbanos, desempregados, camponeses arruinados, aposentados, jovens sem perspectivas e da imensa maioria dos ‘coletes amarelos”, que apostam as suas fichas na candidata do Reagrupamento Nacional (ex-Frente Nacional).

O que explica o fenômeno? O pouco que consigo vislumbrar da situação, indica que o voto majoritário da população trabalhadora em “Marine” é, em primeiro lugar, de rechaço aos efeitos das brutais e seguidas políticas de ajustes neoliberais encaminhadas antes pelo finado Partido Socialista (PS), Sarkozy, e agora por Macron. Ou seja, por que os trabalhadores seguirão o apelo de setores de esquerda (verdes, residuais, como o PC) de votar em Macron? O governo de Macron foi exatamente o operador dessa desastrosa política, que só favoreceu os oligarcas franceses, as corporações econômicas da união europeia e empobreceu os trabalhadores.

Macron corporifica o poder do capital e, por isso, é rechaçado, odiado e desprezado pela população mais pobre, mesmo agitando o espantalho do fascismo contra a democracia e do conservadorismo de ‘Marine’.

Segundo fator, o voto antissistema, que nesta eleição foi representado pela candidatura de Mélechon (União Popular/França Insubmissa), que por muito pouco não foi para o segundo turno contra o intragável Macron. Neste segundo turno, Marine tenta, com muita demagogia capitalizar, e tem conseguido. Não e à toa que Mélenchon indicou a palavra de ordem de “nenhum voto para Le Pen”, mas tampouco embarcou na canoa neoliberal de Macron. Apesar do assédio e do apelo ao voto contra o “perigo fascista”, Jean-Luc Mélechon e sua base política adotaram uma posição mais cautelosa para o segundo turno.

Nesta semana, circulou a tese de Mélechon ‘primeiro ministro’, o que significaria, na prática, uma sinalização para a sua base política na direção de um acordo com Macron — o que pode ser apenas um “balão de ensaio” — a ver …

A terceira questão que aproxima “Marine’ do voto popular, é o discurso e a narrativa da reconstrução do poderio e do prestígio da França, da recuperação do orgulho nacional dos franceses, diminuído nos marcos da União Europeia e pela governança de Bruxelas.

Além do discurso nacionalista, mais suavizado nos últimos meses, em defesa da cultura e das tradições da França, contra as supostas ameaças representadas pelos imigrantes, principalmente de origem muçulmana. Os eixos políticos de caráter nacionalista encontraram apelo nas camadas menos consciente da classe trabalhadora, na pequena burguesia empobrecida e na chamada direita republicana tradicional (gaullistas, Chirac, entre outros).

Portanto, apesar das pesquisas indicarem o favoritismo de Macron, a “França profunda” pode surpreender nas urnas neste domingo. Também muitos analistas estimam uma grande abstenção dos eleitores mais jovens e de um vasto segmento do eleitorado de esquerda.

Por último, independentemente do resultado das urnas, a velha França vai continuar dividida e os dois candidatos/a representam, de modo diferenciado, os interesses do capital francês aliado ao imperialismo norte-americano e de seu braço armado na Europa – a Otan.

Nem Macron, nem Le Pen! Construir a França Insubmissa!

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