Em meio ao deserto, eis que surge Haddad e a esperança de que o Brasil tem jeito

Pela primeira vez, depois de décadas, Haddad ousou encarar e modificar o Plano Diretor de São Paulo servindo-se de novos conceitos sobre a Urbe, seus principais interessados - a população, e as Políticas Públicas direcionadas ao futuro da cidade à base de mudanças sólidas priorizando o Coletivo no uso dos bens e das próprias políticas

Haddad concedeu entrevista para tratar da prisão de quatro ex-funcionários da prefeitura
Haddad concedeu entrevista para tratar da prisão de quatro ex-funcionários da prefeitura (Foto: Walter Santos)

Quem esteve em João Pessoa durante a semana finda em uma série de Palestras com setores intelectuais da cidade discutindo a ocupação ordenada da Urbe, formas de uso da Política na direção do bem coletivo e os efeitos do desmonte das Políticas Culturais é o pós Doutor Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, demonstrando estar preparado para, se for preciso, mostrar que o Brasil tem jeito de se resolver. Fez o que andara fazendo dias atrás em Recife, ou seja, ampliando seu network.

Haddad se impõe na cena por ele próprio, embora seu futuro passe por diversos outros fatores, entre os quais a conjuntura jurídico - política em torno de Lula, que se não for apeado como o Juiz Sérgio Moro sinaliza, é o ex-prefeito paulista quem reúne as condições básicas de uma cara nova, estilo diferenciado e domínio tático do uso proativo da política na direção, repito, do bem coletivo.

Sem tirar nem por, ele expõe com clareza princípios e formas de ação à base conceitual do filósofo alemão Max Weber, segundo o qual, a solução está na Política - diria mais com P maiúsculo.

Além do conceito, a prática
No Teatro de Arena, em João Pessoa, Haddad se expôs por inteiro com domínio sereno e seguro sobre o fazer político a partir de atitudes próprias, diferenciadas e apropriadas ao novo tempo, como ele exerce ao, por exemplo, optar por não ter veículo particular e fazer uso diário das opções públicas, como Uber, ônibus, metrôs, etc.

É que em torno dele e de sua vida está o conceito de Ser social com base em nova postura contemporânea na qual é possível adotar Políticas de solução para o Bem coletivo à base de decisões difíceis, mas sensatas, de não apego ao Poder sabendo fazer uso dele em benefício da coletividade e não do interesse particular ou de fazer da Política um balcão de negócios.

Como ele encarou a derrota
O ex-prefeito tem noção exata do tsunami que o afetou em cheio em 2016 na avalanche de preconceitos contra o PT, diante da onda de ódio às políticas de inclusão sob argumento da falsa moral contra a corrupção, mas nem por isso deixa de entender o revezamento político como elemento importante para a Democracia.

Para ele, em algum tempo seria fundamental o PT entender que algum tempo haveria de deixar o Poder, pois faz parte do processo político, daí sua crítica dura a Temer e Aécio que não souberam esperar e alcançar o Poder por meios lícitos preferindo construir o Golpe.

Haddad sabia tanto dos efeitos e da iminente derrota que, mesmo assim, não parou de experimentar com Políticas ousadas em São Paulo, sobretudo na mobilidade urbana com resultados fantásticos, mas duramente atacados à época pela elite e taxistas paulistas.

Formas de mudar para melhor
Pela primeira vez, depois de décadas, Haddad ousou encarar e modificar o Plano Diretor de São Paulo servindo-se de novos conceitos sobre a Urbe, seus principais interessados - a população, e as Políticas Públicas direcionadas ao futuro da cidade à base de mudanças sólidas priorizando o Coletivo no uso dos bens e das próprias políticas.

Exemplo clássico: na Mobilidade Urbana, grave problema das urbes e em especial de São Paulo, Haddad simples fez uso do que está no Código nacional, no qual se prioriza primeiro o Pedestre, o Ciclista, o Transporte Público para, em último plano, estar o Veículo de uso particular.

Isto chama-se novo ordenamento e conceito cultural de Políticas Públicas com base em decisão Política difícil, mas corajosa e indispensável para o bem coletivo de São Paulo, e não só dos ricos dos Jardins.

Haddad assanhou a elite e os taxistas ao adotar limite de velocidade, faixas exclusivas e acatar o Uber como alternativa de transporte, pagou o preço da ousadia, mas os dados estatísticos provam com a redução dos acidentes e melhor agilidade do trânsito que ele estava certo.

Progressista além do PT
Embora seja Político com desapego ao Poder pelo Poder, Fernando Haddad se insere no contexto nacional como o melhor quadro além de Lula, sem dúvidas o mais preparados dos presidentes e líderes políticos.

Mas Haddad vai além do PT e seus avanços e vacilos porque sua postura amplia o leque e diálogo com os diversos segmentos sociais porque sua escala de valores não se fixa nem se pontua ao campo restrito do sindicalismo, mesmo importante, porque a sociedade é muito maior e ele tem base de convivência e negociação claras.

Trocando em miúdos, quando o Brasil conhecer Fernando Haddad do Oiapoque ao Chuí então a partir desse instante certamente seu nome será lembrado e ungido como pronto e preparado para presidir o Pais por mérito e domínio da Política na direção do bem Coletivo.

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