Em momento de tensão no continente, Polícia Nacional de Israel abre escritório em São Paulo

"A presença de uma polícia oficial estrangeira atuando no país é esdrúxula e preocupante. Primeiro, pelo momento em que acontece, quando ali ao lado, na Bolívia, Evo Morales é levado a renunciar, sob pena de ter o país torrado em uma onda de incêndios e violências", escreve a jornalista Denise Assis

(Foto: R2Press/Divulgação)

Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia 

A notícia veiculada no dia 29 de outubro, não chegou a ter destaque na mídia nacional. Apenas o Estadão antecipou o assunto no dia 28 do mês passado, mas o site R2Press, responsável por divulgar as atividades do Estado de Israel em vários países registrou a instalação do escritório da Polícia Nacional de Israel no seio do consulado israelita em São Paulo, no dia 11 de outubro. É no mínimo estranho que só no dia 28 a informação tenha ido parar nas páginas do jornal.  

De acordo com o texto do consulado, a cerimônia teve a presença do chefe do Escritório Central Nacional da Interpol em Jerusalém, Dror Assaraf,  a chefe  da Seção de Representação Estrangeira da INTERPOL, a Chefe Superintendente Galia Batz, do novo Adido Policial para a América Latina, o Tenente Coronel Moshe Turgeman, do Cônsul Geral de Israel em São Paulo, Alon Lavi, e de representantes do alto comando das agências de seguranças públicas brasileiras, como as polícias federal, militar e civil.   

A Polícia Nacional de Israel está em outros países, todos alinhados aos EUA, como a Guatemala, por exemplo. A instalação da PN de Israel no Brasil é decorrência da visita de Bolsonaro àquele país, em abril deste ano. Bolsonaro fez questão de ir à sede e fazer uso de um fuzil, disparando no centro do alvo sete tiros.   

A presença de uma polícia oficial estrangeira atuando no país é esdrúxula e preocupante. Primeiro, pelo momento em que acontece, quando ali ao lado, na Bolívia, Evo Morales é levado a renunciar, sob pena de ter o país torrado em uma onda de incêndios e violências. Por aqui circularam notícias sobre a participação do Brasil e de Israel no golpe boliviano.

Uma dessas notícias foi dada pela Revista Forum, que estampou em manchete: “Homem de confiança de Jair Bolsonaro” é citado em áudio de opositores que tentam golpe contra Evo na Bolívia - Série de áudios de opositores ao governo Evo Morales revela ainda o apoio "das igrejas evangélicas e do governo brasileiro” além da articulação com políticos dos EUA e de Israel para "queimar estruturas do partido de governo e atacar também a embaixada de Cuba". Segundo, porque acontece quando o ex-presidente Lula ganha a liberdade e volta a andar pelas ruas, ainda que guardado por seguranças.  

Embora possam ser creditadas como “teoria da conspiração”, as denúncias foram baseadas em áudios e, dada a instabilidade do momento, não devem ser descartadas. Nesta última semana circularam também notícias sobre a contratação, por parte de empresários bolsonaristas, de um “sniper” – aquele que atira na cabecinha – para eliminar Lula. São boatos? Fica a dúvida.  

Convém não esquecer o alerta feito por Steve Bannon - assessor da campanha de Trump, à presidência, idealizador da campanha do Brexit, na Inglaterra; e “pitaqueiro” no esquema de robôs para a disseminação de fake news durante a campanha de Jair Bolsonaro. Bennon saiu de seus cuidados para chamar a atenção dos seus seguidores: Lula é 'maior ídolo da esquerda globalista do mundo' em liberdade trará 'enorme perturbação' ao Brasil. O que demonstra a sua constante preocupação com o cenário político brasileiro.

Ele deu a declaração em uma entrevista concedida à BBC, quando acrescentou: "Agora que está livre, Lula vai virar um imã para a esquerda global se intrometer na política brasileira. Ele é o "poster boy da esquerda globalista”. Demonstrou também estar bem informado sobre o que se passa por aqui, quando opinou sobre as investigações quanto ao uso de laranjas no PSL e suposto caixa 2 na campanha de Bolsonaro à presidência, classificando as acusações como "puro non-sense" e uma tentativa do establishment de boicotar o governo. "Aconteceu o mesmo com Trump."

A matéria da BBC diz que Bannon, cancelou recentemente viagens ao Brasil, à Inglaterra, à Itália e à Austrália para estruturar uma força-tarefa contrária ao processo de impeachment contra Trump, nos EUA. Cita, ainda, que ele considerou ser "bastante evidente" que o STF (Supremo Tribunal Federal) agiu para atrapalhar Bolsonaro, ao decidir que réus só devem ser presos após se esgotarem as possibilidades de recursos. Em sua opinião, foi com esta intenção que a suprema corte permitiu a libertação de Lula da carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, na última sexta-feira. Pelo sim, pelo não, é bom a assessoria de Lula estar atenta a seus passos. São demais os perigos desta vida. (Leia a íntegra da notícia veiculada pela consulado)

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