Em paz consigo: bandeira e camiseta amarela

O vermelho em bandeiras em geral é uma homenagem ao sangue derramado dos compatrícios. Então vermelho seria bom ou não?

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Taxativo. Bateu o olhar, notou. Aos iniciados ou nem tanto. Viu passar na rua jovem de camiseta preta, cabelo muito curto ou careca, robusto, na camiseta um enorme 88. Nem precisava usar a suástica nazista pintada explícita. Coturno militar com cadarço branco, o branco sobre o negro. Semiótica é espetacular, muita gente pensa ser coisa de Tecnologia da Informação.

Só há pouco notou-se o porquê do azul calcinha sem graça e o amarelo mais sem graça ainda na bandeira da Ucrânia. A referência é belíssima, ou de uma morbidade tormentosa. Ao olhar, um campo homogêneo de trigo, dourado, farfalhando em ondas graciosas à brisa moderada, encimado por um belo e limpo céu puro e azulado. Este olhar não pode ser uma referência ruim, portanto coisa divina, graciosa, reconfortante, o trigo símbolo do alimento, tal qual o arroz, o milho, outros símbolos imediatos da alimentação. A espiga de trigo da FAO, sim espiga, tal qual o milho e o arroz, pois gramíneas, que tem frutos, sim, tal qual as maçãs e laranjas. O que vem após uma flor é um fruto. O legume do amendoinzeiro, enterrado, não deixa de ser um fruto. Onde está o tormento mórbido sofrível?

Recomendadíssimos os estudos contemporâneos. Vários, favoráveis e contrários. Trigo atual foi manejado, o que é diferente de transgenia, que faz uma manipulação genética. Porco foi manejado geneticamente, tomate, praticamente tudo. Faça em casa, compre lebistes ou guppys de aquário, escolha os machos mais coloridos e as fêmeas mais robustas, cruze sucessivamente, ao final, após gerações, você terá peixes mais vistosos e mais fracos. Você manejou, selecionou genes de fenótipo, esqueceu os que dão resistência às doenças. O tomateiro atual é tão ridículo que pega praticamente todas as doenças vegetais existentes possíveis. A planta original produzia mirrados frutos. 

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Trigo mudou muito desde Cristo, hoje possui muito mais glúten, ou seja, cola. William Davis, há favoráveis e contrários, vale estudar. O que não é polêmico é a epidemia de diabetes, quase uma pandemia. Davis associa ao consumo de trigo.

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Josué de Castro, um iluminado, já no período entreguerras defendia a farinha de mandioca misturada a de trigo. Por milênios as melhores mandiocas foram experimentadas em Terra Brasilis. Nativos pré-colombianos morreram testando variedades bravas. Centenas de estudos posteriores: em torno de 20% da atual farinha das massas poderia ser de mandioca. Imagine-se a colossal redução de importações de trigo. No dia a dia o que se come: pão, macarrão, produto matinal, pizza, coxinha. Brasil centro de origem genética e possuidor de diversidade de mandioca espalhada por todo seu solo, folhas e talos comestíveis.

A bandeira brasileira chama a atenção, inegável. Um arranjo sagaz, na origem monarquias que subjugaram suas colônias imperiosamente. Coerente o símbolo de uma ONG de proteção à Mata Atlântica, a boa parte de verde que já se foi. Ouro nem se fala, azul do céu idem. Lema positivista. O estado do Pará segregado, estrela isolada. Negros, índios e pobres verteram seu sangue em luta desigual.

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Impossível mais simbólico um jovem robusto trajando camiseta preta 88 e exibindo bandeira nacional. O atual governo inegavelmente neofascista brasileiro. Poderia trajar a camiseta amarela da CBF, uma empresa lucrativa. Os progressistas hão de inaugurar o hábito de trajar a camiseta amarela da seleção nacional de handebol feminino.

O punho cerrado é socialista, vermelho, os negros adotaram o preto, ambos lindos, o punho branco seria White Power? Talvez adotem, ainda não, o punho cerrado não mereceria, Sócrates e Casa Grande, meio brancos, jamais autorizariam. Reinaldo e o Black Panther, nem se fala.

Vermelho na bandeira, se vangloriam por não termos. Ótimo, mas neofascistas se contradizem, dizem eles que deveríamos ter passado por mais guerras, para aprendermos. Ocorre que o vermelho em bandeiras em geral é uma homenagem ao sangue derramado dos compatrícios. Então vermelho seria bom ou não? Dizem eles "Nossa bandeira jamais será vermelha", nem camisetas, nem faixas, as cores do socialismo. Haverá paz possível a quem quiser trajar nas ruas o vermelho, amarelo, preto, branco, o que seja?

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Cidadania e bom senso. Bom senso não trajar camiseta de time A em torcida B, mesmo assim o desejando. A sua liberdade. Cidadania trajar algo na praia, sua nudez, a sua liberdade, mas é uma contravenção penal. Admita-se, o enquadramento amplo na tevê de um belo gramado de futebol em Copa beira o irresistível. Portar a bandeira nacional, a camiseta da seleção, uma exibição, querer-se mostrar ao mundo, sou brasileira, uma honra, nasci em um país que acaba de golpear com força o neofascismo. Oxalá! Queiram os deuses. Mas, e se não?

Estadunidenses veteranos do Vietnã, muitos, adotam ainda hoje a alienação política. Brasileiro adora copiar cegamente tudo o que vê nos EUA, o trumpismo. Lá outro contexto, dezenas de guerras mundo afora, mesmo assim. Então que se copie aqui o movimento politicamente alienado estadunidense. Culpa nossa, mas nem tanto, lavagem cerebral é termo forte, mas foi por aí, assistir tevê desde criança com tamanha inundação de referências estadunidenses disneylândicas foi de um efeito implacável. Depois brincar de Forte Apache, Bang Bang.

Injusto mandar toda a contra para os estadunidenses. Europeus simpáticos ao histórico nazista sempre houve, talvez também alguns poucos italianos ao Duce, mas dizem que foi um maluco lá nas Filipinas que deu uma cara nova, morena, alguém que poderia bem ter nascido por aqui. Hoje o planeta Terra em tintas neofascistas esparsas, uma Internacional Socialista às avessas.

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Valeria acá adotar a postura política alienada dos veteranos do Vietnã, a mesma que algumas regiões predominante negras adotam em terras de Tio Sam? Muito diversos os dois contextos. Em Brasília muita gente tem na ponta da língua discurso pronto, jovens estudados classe média ou alta em geral. Quando abordados por PMs nas ruas de Brasília em suas baladas noturnas onerosas mandam logo um artigo tal de tal. Significativo que, por lá, de pronto também o PM retruque com o caput da legislação ou com uma interpretação ou jurisprudência.

Os estadunidenses se especializaram, também as forças policiais diversas, os militares, todos bem sabem o que significa a postura alegada por alguns grupos, uma leve desobediência civil, o refutar sempre que possível, ao máximo, ao limite permissível, o que é obrigatório e o que é facultativo. O voto eleitoral, o recolhimento de certos tributos ou taxas, os direitos, a manifestação espontânea, explícita que seja, os deveres, questioná-los sempre e passar os olhos rápidos neles.

O Pavilhão Nacional deles frequentemente é visto em chamas, mais comum ainda hasteado em ponta-cabeça. O nosso em ponta-cabeça nem faz tanta diferença, ocorreu oficialmente até, e ninguém se liga muito no lema positivista. A minha ordem seria igual à sua ordem? Progresso. Seríamos pois todos e todas progressistas. Vejam bem, o atual conservadorismo seria portanto antipatriótico segundo o Pavilhão Nacional, em uma visão superficial.

Positivismo. Pouco a ver, mas pensemos de forma positiva. Dia haverá, breve esperemos, em que qualquer um traje o que quiser: vermelho, amarelo, seu time do coração, o semblante sisudo do Guevara, Lamarca, o Papa, Frankenstein, a bolinha risonha amarela e feliz, ou porte a bandeira vermelha e preta que facilmente pode ser confundível entre os opostos antifascismo e o Pravyi Sektor ucraniano, óbvio passando ela pelo apaixonante e apenas esportivo Clube de Regatas do Flamengo.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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