Em tempos do Inominável me falte até inspiração

Vivemos o dilema de continuar a falar o que acreditamos ser a verdade quando a mentira tem o poder de mobilizar milhões



São tantas notícias tristes nas páginas dos jornais, revistas, Blogs e Sites e até na Televisão que o sentimento de indignação com tudo o que acontece diariamente no Brasil foi me deixando sem emoções que justifiquem assombro ou algo parecido. 

Eu nunca estive em um sanatório, mesmo que de passagem, mas pelo que já li sobre o que acontecia no passado e ocorre hoje em dia, me parece que estamos no que um dia definiu o poeta Chico Buarque em sua bela canção, “Bastidores”, “Num tempo página infeliz da nossa história. Passagem desbotada na memória das nossas novas gerações. Dormia a nossa pátria mãe tão distraídas sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”. E é assim que estamos sobrevivendo. 

Nos tiraram o sorriso do rosto e só nos resta caras fechadas. Acabaram com os sonhos dos meninos e meninas e as histórias infantis perderam a graça de um Pequeno Príncipe, de gibis onde víamos a Mônica correndo sempre atrás do Cebolinha com seu coelho de pelúcia. 

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Hoje a verdade virou artigo de luxo e quem a pratica é visto como o diferente da sociedade. E como enfrentar a mentira, o mentiroso? Como sentir a felicidade de escrever um texto que possa trazer algo novo, quando tudo já está tão batido e rebatido, agora com versões que para todos os gostos, e claro, sempre com uma pitada de inovação Bolsonarista. 

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E vivemos o dilema de continuar a falar o que acreditamos ser a verdade quando a mentira tem o poder de mobilizar milhões. Diante desta situação, me falta até inspiração para falar de algo que não domino. 

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Só resta buscar inspiração passeando pelas estradas de terra da minha terra natal, onde cangaceiros pisaram, Antônio Conselheiro seguiu para montar a primeira reforma agrária do Brasil pelas bandas de Canudos e Dona Catarina em sua fazenda serviu de inspiração para o Raso e onde vejo o urubu Rei passear na manhã ensolarada que queima a pele do corpo de qualquer Cristão que se aventura em visitar a Baixa do Chico e dar e cara com os Índios Pankararés que moram por lá. 

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