Embaixador de Cuba critica influência norte-americana em políticas cubanas na América Latina

A influência imperialista americana na América Latina tem prejudicado o continente, sobretudo Cuba, declarou o embaixador cubano no Brasil, em encontro com jornalistas

Há um ano, Cuba prestava assistência médica em 70 países no mundo. Hoje, esse número se reduziu para 62. Os últimos países a recusarem a assistência, mundialmente reconhecida pela excelência, foram Bolívia e Equador, países que vivem momentos de grande efervescência política.

Nesta quinta-feira, 5 de dezembro, o embaixador cubano no Brasil, Rolando Antonio Gómez Gonzáles, em um encontro com jornalistas, criticou o que denominou de influência imperialista americana na América Latina, que tem prejudicado o Continente, sobretudo Cuba, que tem sofrido ataques cada vez mais sórdidos e duros, partindo, sobretudo do Estados Unidos, e de novos aliados que o país tem conquistado no Continente.

Ao ser questionado se os EUA estavam por trás da recusa da Bolívia da referida assistência, logo após o golpe de Estado sofrido recentemente, o chanceler afirmou não ter dúvidas de que sim. Detalhe importante a ser destacado, é que, de forma diferente do Programa Mais Médicos que houve no Brasil, os médicos Cubanos que atuavam na Bolívia não recebiam qualquer contrapartida financeira por parte do Estado boliviano.

É importante destacar que o governo Donald Trump endureceu o embargo que perdura há 57 anos sobre a ilha de Cuba. Entre os retrocessos do atual governo americano inclui a proibição a cidadãos e empresas norte-americanas de realizar transaçõ0es financeiras com entidades cubanas com vínculo com o estamento militar. Entre tais entidades, se encontram os maiores hotéis cubanos. O governo de Trump ainda deu um golpe mais duro contra o turismo cubano, uma das principais fontes de renda da Ilha, ao impor uma inédita restrição ao turismo de norte-americanos ao país socialista.  

Há 27 anos, existe uma votação na ONU, que trata sobre o bloqueio econômico em Cuba. Historicamente, apenas os próprios americanos e o Estado de Israel votavam pela manutenção do embargo. Neste ano, de forma vergonhosa, o Brasil aderiu a esses países, sendo, junto com os dois primeiros, os únicos a votarem a favor do embargo. Apesar da vitória, sempre esmagadora, dos países que querem o fim do bloqueio – esse ano foram 187 países votando pelo fim e apenas 3 pelo não – o embargo continua.

O fato de Bolsonaro e seu chanceler, Ernesto Araújo, votarem a favor do embargo confirma as declarações de Rolando Gonzáles sobre a influência americana em uma “nova’ América Latina, mais alinhada à direita e aos interesses do capital financeiro imperialista. Como disse um assessor de Gonzáles, nem mesmo a Colômbia, aliado histórico dos EUA na América do Sul, votou uma única vez sequer a favor do embargo, que é considerado pelo embaixador cubano como genocida.

A recusa da assistência médica humanitária em alguns países latino-americanos é uma clara intenção do sistema imperialista de reduzir a influência do país no continente, enquanto apoia partidos de direita que ascendem ao poder, seja de forma democrática, seja por golpes de Estado. Ao mesmo tempo, segue o embargo, condenado por praticamente todos os países do mundo, atingindo em cheio uma das maiores fontes de renda da pequena ilha, o turismo, que se localiza a apenas cem quilômetros do gigante capitalista. Mas apesar dos pesares, Cuba resiste.

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