Energia não é mercadoria!

Permitir a privatização da Eletrobras é fechar os olhos para a segurança energética da população brasileira e abrir mão da soberania nacional sobre recursos naturais, especialmente o controle dos nossos rios e da nossa água

Sede da Eletrobras no centro do Rio de Janeiro. 20/09/2014. REUTERS/Pilar Olivares
Sede da Eletrobras no centro do Rio de Janeiro. 20/09/2014. REUTERS/Pilar Olivares (Foto: Pedro Uczai)

A segunda-feira 16 de abril foi escolhida pelos trabalhadores e trabalhadoras do setor elétrico brasileiro como o Dia Nacional de Luta Contra a Privatização da Eletrobras. Atos, paralizações e manifestações foram programadas para repudiar a tentativa de venda da maior empresa de energia elétrica da América Latina, em mais uma demonstração de que a população brasileira não aceita a transferência do patrimônio público para a iniciativa privada.
 
A Eletrobras é responsável por mais da metade da energia elétrica consumida no País. A estatal controla 47 usinas hidrelétricas, 114 térmicas e 69 eólicas, além de distribuidoras de energias em 6 estados. Em outras palavras, uma empresa com presença em todo o Brasil evidencia a sua importância estratégica. 
 
Estudos conduzidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que a privatização da Eletrobras resultará em um aumento inicial de tarifa na casa dos 17%, sendo que alguns especialistas do setor afirmam que os reajustes podem ser superiores a 70%. 
 
Mas não é só isso. A tarifa social, que garante descontos para consumidores de baixa renda e beneficia mais de 8 milhões de famílias, será extinta de acordo com a nota técnica nº 5, proveniente da consulta pública nº 33, que altera o marco regulatório do setor elétrico. 
 
Entretanto, a luta empreendida pela população brasileira contra mais este crime de lesa-pátria do governo ilegítimo de Michel Temer tem surtido efeitos. O projeto de lei com a proposta de venda da estatal tem encontrado grande resistência dentro do Congresso Nacional. Parlamentares de diferentes legendas e regiões do Brasil estão unidos na defesa de uma Eletrobras pública e eficiente.
 
Este fato gerou, inclusive, a expectativa de uma atitude autoritária por parte de Temer com a edição de um decreto para efetivar a venda do setor elétrico, atropelando prerrogativas do Congresso Nacional em mais uma demonstração de desrespeito à Democracia e às instituições iniciados com o golpe de Estado perpetrado em 2016. 
 
Permitir a privatização da Eletrobras é fechar os olhos para a segurança energética da população brasileira e abrir mão da soberania nacional sobre recursos naturais, especialmente o controle dos nossos rios e da nossa água, bem valioso e alvo da cobiça do capital internacional, diluído dentro da tentativa de entregar o setor elétrico brasileiro para a iniciativa privada. Energia não é mercadoria!

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