Entre Jotão e o Rei Leão

Não resisti à oportunidade de comparar as parábolas ao que está acontecendo no Brasil: a exemplo da parábola de Jotão, os brasileiros, ainda que sob estimulo de uma onda de “fake news”, escolheram o espinheiro para presidi-los, que, apesar de seus espinhos, sempre à mostra, convenceu seus eleitores, contra todo o bom senso, de que poderia oferecer sombra ao país

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No livro bíblico dos juízes, AT, encontra-se a parábola de Jotão, que narra uma reunião das árvores do bosque que queriam ter um rei, e, para isso, convidaram as árvores nobres que se recusaram, uma a uma, então, convidaram ao espinheiro para que sobre elas reinasse.


O espinheiro aceitou, exigindo que as árvores se abrigassem sob a sua sombra, caso contrário sairia dele fogo que consumiria até os nobilíssimos cedros.


Jotão contou essa parábola para denunciar um golpe de Estado, levado a efeito contra o seu pai, perpetrado por seu irmão Abimeleque, que, depois de três anos de reinado, acabou morrendo em meio a uma das várias batalhas que travou com revoltosos.


Assisti, recentemente, ao filme Rei Leão, em sua nova versão.


Um trabalho digno de nota!


Revi a história de como Scar, o irmão do rei Mufasa elabora uma armadilha que leva à morte o seu irmão.


Scar assume, assim, o reino e o entrega às hienas que, com sua insaciabilidade, trazem a fome e a miséria ao reino, outrora fausto.


O que há de comum entre essas duas parábolas, eminentemente, políticas, é o golpe de Estado e a desgraça que produziu.


Não resisti à oportunidade de comparar as parábolas ao que está acontecendo no Brasil: a exemplo da parábola de Jotão, os brasileiros, ainda que sob estimulo de uma onda de “fake news”, escolheram o espinheiro para presidi-los, que, apesar de seus espinhos, sempre à mostra, convenceu seus eleitores, contra todo o bom senso, de que poderia oferecer sombra ao país.


Cada vez mais, entretanto, a exemplo de Scar, este espinheiro, entrega o país às hienas insaciáveis do rentismo, do agronegócio, da geopolítica estadunidense e européia, e do capitalismo internacional.


Não bastasse isso, a exemplo do espinheiro, esse governo incendeia os nobilíssimos cedros (os trabalhadores), aprofundando a precarização do trabalho, levada a efeito no primeiro movimento do golpe; flexibilizando as regras do trabalho análogo a escravidão; e propondo uma reforma da previdência que levará o trabalhador à indigência.
Temos de reagir, imediatamente, a esse estado de coisas para impedir que a parábola vire história.



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