Entre o passado e o futuro

Tramita na Câmara o PL 7218/14, de minha autoria, que pretende renomear a Ponte Presidente Costa e Silva para Ponte Rubens Paiva. Trata-se de uma justa homenagem ao construtor de pontes que teve seu ofício interrompido e sua vida ceifada pela ditadura

Rubens Paiva era um construtor de pontes. A ditadura o impediu de continuar sua lida.

Engenheiro civil formado pelo Mackenzie em 1954, Rubens Paiva exerceu seu ofício construindo pontes na região de origem de seu pai, o Vale do Ribeira. Construiu pontes na política estudantil também, ligando a luta estudantil à épica batalha do "Petróleo É Nosso".

Ainda jovem, foi eleito deputado federal por São Paulo, e procurou lançar luzes sobre o iminente golpe de Estado que se tramava contra Jango na CPI do IBAD/IPES, que integrou. Essas duas instituições, financiadas com dinheiro de grupos econômicos nacionais e estrangeiros, comprofunda relação com o governo e a embaixada estadunidenses, promoveram intensa atividadepolítico-ideológica contra Jango, as Reformas de Base e a democracia.

Por sua atividade e pela resistência ao golpe de 31 de março, Rubens Paiva integrou a primeira lista de parlamentares cassados pela ditadura. Cassado e exilado, voltou ao Brasil para exercer seu ofício de construir pontes. Radicou-se no Rio de Janeiro, onde movimentou-se graças à solidariedade a companheiros perseguidos pelo regime militar.

De sua nova casa, pôde acompanhar o início das obras da Ponte sobre a Baía da Guanabara ligando o Rio a Niterói. Autorizada pelo ditador Costa e Silva em 1968, a obra foiidealizada por Mário Andreazza, ministro dos Transportes e artífice de outras obrasfaraônicas do "Brasil Grande" forjado pelos militares. A ponte Rio-Niterói foi executada à custa da vida de muitos operários, fato abafadopela censura do regime.

Uma das filhas de Rubens, Vera, recentemente relatou, em evento no Memorial da Resistência, em São Paulo, a impressão causada pela obra em seu pai. Construtor de pontes, Rubens monitorava de longe a obra e sempre mencionava a seus filhos os riscos à segurança dos trabalhadores envolvidos em sua construção.

Nas águas da Baía da Guanabara, segundo várias narrativas, foi jogado o corpo de Rubens Paiva, sequestrado, torturado e morto por agentes da repressão política. Nesta semana, a 4ª Vara Criminal Federal do Rio decidiu levar a julgamento por estes crimes cinco de seus algozes: o general reformado José Antônio Nogueira Belham, os coronéis reformados Rubens Paim Sampaio e Raymundo Ronaldo Campos e os ex-sargentos paraquedistas Jurandyr Ochsendorf e Souza e Jacy Ochsendorf e Souza.

O Rio começa, assim, a prestar homenagens àquele que escolheu a Cidade Maravilhosa para trabalhar e viver com sua família, e militar por um Brasil com democracia e Justiça Social.

Tramita na Câmara o Projeto de Lei 7218/14, de minha autoria, que pretende renomear, a partir de uma indicação da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, a Ponte Presidente Costa e Silva, que passaria a se chamar Ponte Rubens Paiva. Trata-se de uma justa homenagem ao construtor de pontes que teve seu ofício interrompido e sua vida ceifada pela ditadura.

Costa e Silva simboliza o passado sombrio do país; Rubens Paiva, a aposta num futuro melhor.

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