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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Enxugando GLO

"Milhões serão gastos, mais uma dor de cabeça para o Haddad. E o pior: será enxugar gelo", diz Alex Solnik

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e militares (Foto: Ricardo Stuckert | ABR)

Não custava uma delegação do governo viajar ao Uruguai para verificar se está dando bons ou maus resultados a política de maconha livre, se a violência diminuiu, se o consumo aumentou, se a arrecadação do governo melhorou, se as prisões esvaziaram, se os uruguaios viraram escravos da erva maldita e se arrastam pelas ruas feito zumbis.

Não custava aprofundar os debates com sociólogos, psicólogos, e outros especialistas, daqui e do exterior, sobretudo de países que já deram esse passo. 

Não custava amadurecer propostas.

Mas não. O governo, atiçado pelo açodamento das redes sociais, que exigem soluções imediatas para problemas milenares, optou pela velha e mal sucedida política de guerra às drogas: mais repressão.

Como se não bastasse a Polícia Federal fiscalizar os portos e aeroportos, abrir as malas na alfândega, os militares terão o direito de abrir as malas também, como resumiu o ministro da Defesa, José Múcio.

Em vez de aniquilar e enfraquecer o crime organizado, a consequência será o seu enriquecimento. Os preços vão subir (já devem ter subido a essa altura) e os lucros vão crescer e vão possibilitar comprar metralhadoras que derrubam helicóptero e matam policiais, médicos, militares e juízes.

O crime organizado se fragiliza se perder o monopólio de sua principal fonte de renda: a maconha. É um produto que tem demanda fácil, fiel e ilimitada. Está sempre em falta, sobretudo nos feriados.

O governo sequer cogitou abrir o debate. Optou por uma GLO, que não é bem uma GLO, mas é uma GLO.

Milhões serão gastos, mais uma dor de cabeça para o Haddad.

E o pior: será enxugar gelo.

Ou enxugar GLO.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.