Erotização precoce, estupro e feminicidio
Não podemos nos furtar dessa tarefa fundante. Educar é função social. No dia da mulher, que tal lutarmos para afastá-la do destino mortífero - futuro nefasto
Há muito que a onda de apressar a vida sexual de nossas garotinhas se tornou uma realidade em nossa sociedade.
Adultização - tendência em libidinizar o mundo infantil vestindo as meninas como adultas, reforçando a sensualidade como o uso de maquiagem. O ato de substituir o que antes inspirava candura revela o grau de submissão dos pais aos ditames do mercado.
A Erotização precoce provoca no corpo infantil alteração hormonal - distúrbio endócrino adiantando a menarca (primeira menstruação), disponibilizando o corpo para gravidez.
A iniciação sexual no Brasil diante dos padrões mundiais é bastante antecipada. Algo na educação sexual dos filhos entre as famílias pode ser melhor ajustada. Cabe à escola também papel fundamental.
Em relação aos garotos o abismo é enorme. Muitos estão se orientando pela Internet em sites da pior qualidade, onde o incentivo às agressões às garotas que os recusam tornaram-se uma tônica.
Muitos passam o dia se deleitando com vídeos - mensagens e imagens de ódio às mulheres. Verdadeiros shows de misoginia e estratégias de violência contra elas. Vivemos a cultura da desresponsabilização. A tendência é buscar algo na mulher que possa reverter a punição à ela.
Pai ausente, mãe abandônica, a falta de dedicação é grave, pois quem vai impor limites aos garotos e garotas será a polícia. Estamos realmente interessados em reverter esse estupor?
O cenário aponta para uma juventude sem noção do perigo, a falta de limites deflagra uma relação de transgressão da Lei.
É sabido que o superego é o que garante as interdições e os ideais, e quando a função paterna e materna não são exercidas com rigor, estes aspectos fracassam.
Educar implica reprimir pulsões descabidas. Se os interditos, proibições não são respeitadas, bem como as referências que poderiam servir de orientação ética ao sujeito, o caminho para a anomia se abre. O conceito de anomia é aqui usado como ausência de Lei.
Ao investigar o aumento dos estupros e feminicidios contra as mulheres, não podemos prescindir de um estudo sobre as famílias e o momento histórico que vivemos.
O neoliberalismo privilegiou o enriquecimento das famílias, a educação dos filhos perdeu relevância. Os pais, ao indagarem os motivos que leva o filho a usar de violência contra a mulher, acabam descobrindo que a resposta deve incluí-los.
Ausência de amor, carinho, presença. Os filhos sofrem com o abandono e acabam se expondo ao risco. A vida no crime é sintoma, algo fracassou na construção do laço social - denuncia dificuldade em lidar com a frustração. É quando buscam alívio nas drogas ou outros aditivos narcísicos.
Quando a inserção na cultura se realiza de forma frouxa, quando o exercício da função dos pais fracassa, o sujeito torna-se disponível ao crime.
Ao abrimos mãos de educar, coibir, barrar a criança em seus atos erráticos, impedimos a inscrição do ser humano no social.
E o pior, corremos o risco de oferecer a ela apenas três destinos trágicos: o hospital, a prisão e o cemitério.
Educar bem uma criança é garantir um futuro vivo e seguro à toda sociedade.
Não podemos nos furtar dessa tarefa fundante. Educar é função social. No dia da mulher, que tal lutarmos para afastá-la do destino mortífero - futuro nefasto.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
