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Aquiles Lins

Aquiles Lins é colunista do Brasil 247, comentarista da TV 247 e diretor de projetos especiais do grupo.

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Escândalo do BolsoMaster avança sobre Brasília enquanto Campos Neto segue intocado

Novas revelações de Daniel Vorcaro ampliam a lista de envolvidos, mas o papel de Roberto Campos Neto segue quase ausente do noticiário

Escândalo do BolsoMaster avança sobre Brasília enquanto Campos Neto segue intocado (Foto: REUTERS/Brendan McDermid)
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A cada semana surge um novo capítulo no escândalo do BolsoMaster. Novas denúncias aparecem, novas suspeitas são levantadas. O nome de Daniel Vorcaro continua produzindo ondas de choque em Brasília. Mas um personagem central da história parece permanecer protegido por uma espécie de zona de silêncio: o ex-presidente do Banco Central de Jair Bolsonaro, Roberto Campos Neto.

A mais recente revelação, publicada pela revista Veja, aponta que uma nova proposta de delação de Vorcaro menciona o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo o relato atribuído ao ex-banqueiro, Alcolumbre teria recebido US$ 30 milhões em conta no exterior, supostamente em troca de apoio a interesses do banco. O senador nega as acusações. A delação também cita a relação do grupo com o programa CredCesta, que prosperou na Bahia durante governos petistas e teria sido decisiva para a expansão da instituição financeira.

Antes de Alcolumbre, outros nomes da extrema direita e do Centrão já haviam sido arrastados para o escândalo. Entre eles está o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato presidencial do PL. Segundo documentos, áudios e mensagens divulgados pela imprensa, Vorcaro negociou um aporte de até US$ 24 milhões para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Desse total, pelo menos US$ 10,6 milhões teriam sido efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025.

No caso de Ciro Nogueira, as investigações apontam suspeitas de pagamentos periódicos a pessoas ligadas ao senador e a chamada "Emenda Master", proposta que, segundo investigadores, beneficiaria diretamente o modelo de negócios do banco ao ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. Ciro nega qualquer irregularidade. Antônio Rueda apareceu em contatos revelados pela quebra de sigilo, enquanto o governador Ibaneis Rocha surgiu em agendas e relações mantidas por Vorcaro no entorno político de Brasília.

O escândalo do Master virou um retrato das conexões entre poder financeiro e poder político. Mas justamente por isso chama atenção a ausência de Roberto Campos Neto do centro do debate. O ex-presidente do Banco Central comandava a autoridade monetária durante os anos em que o Master viveu sua expansão mais acelerada, acumulando operações de alto risco e despertando alertas de agentes do mercado.

As investigações da Operação Compliance Zero lançaram novas dúvidas sobre esse período. Relatórios que ajudaram a afastar a possibilidade de intervenção no banco foram produzidos por servidores do Banco Central que hoje são investigados pela Polícia Federal por suspeita de favorecer Daniel Vorcaro. Entre eles estão Paulo Souza, responsável pelo acompanhamento do Master, e Belline Santana, então chefe da área de supervisão. Ambos sustentaram avaliações segundo as quais não haveria irregularidades relevantes na instituição.

Campos Neto também recebeu alertas sobre possíveis distorções nas operações do banco e determinou análises internas que concluíram pela normalidade da instituição. Agora, com a PF investigando suspeitas de corrupção, favorecimento e captura regulatória dentro do próprio Banco Central, cresce a pressão para esclarecer se a direção da autarquia foi apenas induzida ao erro ou falhou em exercer a supervisão que lhe cabia. Se o escândalo já alcançou políticos de diferentes correntes e até servidores do regulador, torna-se cada vez mais difícil justificar a ausência de Roberto Campos Neto do centro dessa história.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.