Espiões da UnB: derrubar a ditadura fascista

Com certeza a UnB se destaca nos últimos anos como laboratório do avanço da extrema-direita. É preciso criar comitês de autodefesa. Apenas a nossa organização poderá garantir nossa manifestação, nossa liberdade de expressão

Foi revelado pelo jornal Metrópole e confirmado pela Carta Capital, que há um espião da Abin trabalhando disfarçado como vigilante na UnB, no campus Darcy Ribeiro. Com certeza a UnB se destaca nos últimos anos como laboratório do avanço da extrema-direita. Ele é um “oficial de inteligência”, o topo da carreira da Abin, do qual se exige ensino superior e a produção de relatórios, por exemplo.

Para aqueles que querem desconsiderar a existência de uma ditadura fascista fica a tarefa de normalizar este fato. Mas, essa prática tem nome, endereço, cheiro e gosto de ditadura e o movimento estudantil conhece muito bem, de longa data esse tipo de prática fascista contra a liberdade de expressão e organização dos estudantes.

Este espião vazou. Mas quantos mais existirão? Desde o golpe de estado de 2016, a Abin já contratou mais de 300 espiões e recebeu treinamento do FBI e CIA no ano passado. Em 2017 veio à tona o capitão do exército, William Botelho que se passava por Balta Nunes. Ele se infiltrou num grupo de jovens que planejavam um ato, pregou uma armadilha e prendeu quatro. Todos os movimentos sociais estão sendo vigiados de perto, seja através de espiões, seja através de ação ostensiva policial. Sindicatos e reuniões são invadidos sem mandados judiciais nem nada em todo o país.

Espiões têm sido colocados para “assessorar” reitorias, como na UFMS. Reitores fascistas têm sido nomeados por Bolsonaro à revelia das eleições internas em várias universidades. A Constituição foi rasgada e a polícia já faz parte da paisagem universitária. Os estudantes secundaristas estão sendo encarcerados nas suas próprias escolas por soldados. Como em 1964, meninos não podem mais ter cabelo comprido ou barba, meninas precisam andar com cabelo preso e todo aquele controle totalitário conhecido. A juventude não tem emprego, não tem acesso à cultura e lazer, não tem perspectiva e está sendo violada pelo aparato estatal. Até a vida sexual é objeto de controle do Estado.

Integralistas atacam comediantes. Ministros plagiam nazistas. Milícias matam opositores e queimam arquivos com a caneta presidencial na mão. Mais de 2.500 militares no governo. O exército treinando guerra civil contra a população desarmada com as múltiplas GLO’s. Arte censurada. Ciência destruída. “Precisamos matar pelo menos uns 30 mil” é o objetivo do presidente.

Todo esse terror estatal, essa ditadura totalitária é criada diariamente, desde 2016, para garantir a destruição total e completa da economia nacional e a transformação do país numa colônia. “A Amazônia não é mais nossa”, afirmou Bolsonaro após bater continência para a bandeira norte-americana. Embraer, Correios, Petrobrás, Eletrobrás, tudo está sendo destruído e entregue para os norte-americanos. Miséria e fome voltam a corroer milhões de brasileiros.

A UnB se destaca, nos últimos anos, como laboratório político dos fascistas no movimento estudantil. Todos os matizes fascistas se juntaram anos atrás e tomaram de assalto o DCE, com o apoio da reitoria e a complacência da esquerda pequeno-burguesa. Até hoje a esquerda senta para discutir com pessoas que querem destruir a universidade pública e, portanto, por questão óbvia, não podem ser considerados parte do movimento estudantil, que se define não como representatividade dos matriculados, mas como movimento social de defesa e ampliação da educação pública. Da mesma maneira que um defensor do latifúndio não pode fazer parte do MST, privatizadores não são parte do movimento estudantil.

Nazistas, bolsonaristas com a cumplicidade dos neoliberais invadiram a UnB com porretes e bombas para intimidar os estudantes que iniciavam um movimento grevista. Mas ao mesmo tempo, a UnB se destaca como vanguarda na luta antifascista. É só ver como centenas de estudantes expulsaram um aglomerado de bolsominions logo após a eleição presidencial de 2018.

Por isso, os infiltrados. O governo teme o movimento estudantil e com razão. É preciso tomar medidas de precaução, mas não é a hora de intimidar-se. É a hora da ofensiva de todos contra essa ditadura. Ela enfrenta enormes debilidades. Os petroleiros realizam a maior greve dos últimos 30 anos. Ocupações se espalham. É a hora de irmos para as ruas contra o governo fascista, pela sua derrubada. 

Não adianta mudar de ministro. Tudo que é fascista, pode ser ainda mais. Eis o que este governo tem nos ensinado. Não adianta cair o presidente e assumir o vice. É preciso derrubar a ditadura militar e miliciana que aí está.

O movimento estudantil sempre se destacou na história brasileira nas principais lutas políticas nacionais. Eis que mais uma vez é convocado a cumprir seu papel.

É preciso criar comitês de autodefesa. Apenas a nossa organização poderá garantir nossa manifestação, nossa liberdade de expressão. Quando ameaçam o nosso direito de falar, de pensar, de criar, quando ameaçam nossa liberdade, temos todo o direito de reagir por todos os meios possíveis e necessários.

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