Esquerda deve propor a reconstrução do Brasil

O sociólogo Emir Sader aponta que o Brasil regrediu em todos os aspectos de qualidade de vida sob o governo de Jair Bolsonaro; "Cabe à esquerda tratar de resgatar o país, propor aos brasileiros um projeto de recuperação da democracia, dos direitos de todos, da soberania nacional", avalia

(Foto: Stuckert)

O período mais virtuoso da recente história brasileira foi protagonizado pela esquerda. Foi quando o país diminuiu as desigualdades sociais, a fome, a miséria e a exclusão social. Foi quando o Brasil foi mais democrático, mas incluiu a novos setores à vida política do país, mais respeitou as opiniões diferentes, em que o Estado mais agiu para garantir os direitos de todos, para afirmar a soberania popular e a soberania nacional. Foi quando o Brasil foi mais respeitado no mundo, pelas suas políticas internas de combate à fome e pela sua atuação externa, de integração regional e de resolução dos conflitos pela via pacífica e democrática. Foi quando os brasileiros mais se orgulharam do seu país, mais tiveram sua auto estima elevada. Foi quando o Estado brasileiro mais teve prestígio diante da população, quando mais o Brasil foi democrático, solidário e respeitado.

A direita, derrotada quatro vezes sucessivamente em eleições democráticas, apelou para o atalho do golpe, que rompeu com a democracia no Brasil e abriu o caminho para a destruição do que de melhor o país havia construído. Desde então primou uma agenda negativa, de destruição do país, dos direitos das pessoas, do patrimônio público, da soberania nacional, do diálogo democrático entre todos.

O país está mais pobre, mais triste, mais dominado pelo ódio e pela intransigência, com menos empregos, salários menores, menos oportunidades para todos, menos prestígio externo, menos alegria aqui dentro, menos esperança, menos solidariedade e menos aconchego para os mais desvalidos. O Brasil piorou em tudo quando abandonou a democracia. Em qualquer critério de comparação, estávamos melhor nos governos do PT: a economia crescia mais, criava mais empregos, aumentava os salários, ampliava os espaços educacionais para todos, integrava a toda sua população em algum espaço, tinha deixado de haver gente abandonada, morando na rua, crianças vivendo de vender balas nas esquinas.

Era uma sociedade melhor, as pessoas tinham mais esperança, chegamos a ter pleno emprego no final do primeiro mandato da Dilma. O Brasil saiu do Mapa da Fome, deixou de ser o mais desigual do continente mais desigual do mundo.

Três anos depois da ruptura da democracia, tudo piorou. A direita so fez mal para o Brasil, para todos e para cada um. A direita não sabe, nem quer governar para todos. Governa para uma minoria, enriquece ainda mais os ricos e empobrece ainda mais os pobres. Fez do Brasil um país de ódio e de intransigência, de pobres e miseráveis de um lado, de muito ricos de outro. Não dá nem esperança, nem oportunidade para as pessoas. Tudo é desalento, desespero, desesperança.

Cabe à esquerda tratar de resgatar o país, propor aos brasileiros um projeto de recuperação da democracia, dos direitos de todos, da soberania nacional. Mostrar que já vivemos bem melhor, que o Brasil já foi melhor, que todos tivemos uma vida melhor, com mais solidariedade e mais esperança, com mais escolas e mais empregos, com lideres em quem confiávamos.

Só quem respeita os direitos de todos pode governar para todos, pode restabelecer uma sociedade em que caibam todos. Só quem prega a paz, o amor ao próximo, a liberdade para todos, pode restabelecer no Brasil um clima de concórdia, de respeito à opinião de todos.

A direita levou o país para um caminho oposto. Quer estabelecer não um Estado democrático, mas um Estado autoritário, violento, policial, repressivo, de ódios e ressentimentos, de violação dos direitos de quem ja tem menos direitos. De somar o país ao que tem de mais odioso e violento no mundo, de distanciar-se dos que pregam o apoio mútuo e a integração entre os países e os povos.

Lula já disse que, uma vez livre, vai lutar por um acordo nacional, que restabeleça as condições de discussão e de construção comum de um sociedade livre, democrática, em que não se exclua a ninguém, um mundo em que caibam todos os mundos.

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