Esquerda pequeno-burguesa ou a direita com camisa vermelha

Não é tempo de antipetismo, quem dá munição ao inimigo, a historia dirá como se chama, mas pode procurar no dicionario de sinônimos

Não é tempo de antipetismo, quem dá munição ao inimigo, a historia dirá como se chama, mas pode procurar no dicionario de sinônimos
Não é tempo de antipetismo, quem dá munição ao inimigo, a historia dirá como se chama, mas pode procurar no dicionario de sinônimos (Foto: Igor Santos)

Quando Lula decidiu se entregar e no portão do estacionamento do Sindicato, vi militantes do PCO, PCdoB ( e sua juventude a UJS) correntes do PSOL, esquerda do PT e pessoas sem filiação partidária tentando impedir a rendição de Lula, naquele instante prometi não mais criticar a esquerda, enquanto estivéssemos vivendo esse duro golpe.

A esquerda sempre foi um polo político diverso e plural, tanto na sua composição de ideias quanto de divergências e militância. No ultimo 7 de abril, nas ruas ao redor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, pude ver uma infinidade de partidos e movimentos, além é claro de pessoas sem filiação partidária mas com ou sem afinidade ideológica ao Presidente Lula. Estavam todos lá, com suas bandeiras, cartazes e solidariedade de classe, homens, mulheres, jovens, velhos, metalúrgicos e estudantes descontentes com a judicialização da politica, inquietos e contrários a prisão sem provas de Lula.

Nos últimos dias e decorrente da solidariedade criada ao redor de Lula, setores da chamada ultra esquerda ou melhor dizendo a esquerda pequeno-burguesa vem criticando tal solidariedade. Gritam em suas torres de marfim acadêmico que Lula fez por merecer, sentados em seus apartamentos de classe media chamam aqueles que divergem de linha auxiliar do petismo.

Bem, não sei que mundo essa gente projeta. Começo a entender que a grosso modo, posso estar generalizando, mas comumente são pessoas cuja miséria e a fome nunca bateram a porta. Os sectários de hoje, são os futuros "cidadãos de bem'', o clássico hoje militante de extrema esquerda, amanhã advogado com escritório na Av Paulista, a garota branca que saí com rapazes negros da periferia para mostrar como é desconstruída, o designer que projeta cartazes de fora lula e daqui um pouco fará o novo logo da Fiesp.

Vejam por exemplo Luciana Genro e Diogo Maynard, ambos filhos de alguém, cujas carreiras são assentadas sobre o principio de ter uma família abastada que lhes forneceu segurança para uma solida formação acadêmica, não é de se espantar que ambos deem vivas a lava jato, a divergência nesse caso é apenas no vocabulário e publico etário. Diogo escreve para os pais dos jovens brancos de classe média, Luciana anima os edipianos. O antipetismo de ambos é raivoso, o de Luciana Genro tem o cinismo de se revestir de esquerda, resta saber quantos operários são seduzidos pela cantilena histriônica da Filha de Tarso Genro ou do Filho de Plínio De Arruda Sampaio.

Não foi com surpresa que essa segunda-feira, durante a manhã no trabalho, vi a ocupação do MTST ao Triplex ser ridicularizada por gente dita de esquerda, adjetivando Guilherme Boulos como linha auxiliar do lulismo e outras assombrações que dignas do MBL ou outro agrupamento de direita.

Querem saber qual o futuro da direita?

Minha dica é olharmos os jovens junhistas e os movimentos identitários. O emocionalismo no lugar de coerencia e analise, nunca resultou em algo bom.

Precisa ser muito protegido social e economicamente ou um baita alienígena mimado pelo papai e a mamãe, para não perceber a conjuntura atual, o avanço do fascismo em esfera global e o duro golpe. Não são as direções que nos empurram a unidade, mas a conjuntura, ainda que cada organização possua seu programa e candidatura. Não é tempo de antipetismo, quem dá munição ao inimigo, a historia dirá como se chama, mas pode procurar no dicionario de sinônimos.

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