Essa mamata vai acabar!

Ao ser criticado por nomear um "amigo particular" para uma assessoria na Petrobrás, o chefe do governo foi rápido no gatilho: Peço desculpas à (SIC) grande parte da imprensa por não estar indicando inimigos para postos em meu governo! – fuzilou o capitão, em seu twitter. Esse tipo de argumento foi disseminado pelas redes sociais, pelos apoiadores do "mito". Virou verdade e pronto; leia a crônica de Gilvandro Filho, Jornalista pela Democracia

Essa mamata vai acabar!
Essa mamata vai acabar!

Por Gilvandro Filho, Jornalista pela Democracia Lá pelos anos 1960, esse era um bordão infalível para zoar com quem vivia de bola, mas não queria nada com o basquete.

Lembro de um desses esforçados azeitadores do eixo do sol que vivia pelo meu bairro, aqui no Recife. Tinha uma grana relativa, os pais viviam bem. E ele, melhor que os pais. Tinha carro, até. Costumava pagar rodadas de chope para os menos afortunados, time no qual eu jogava na extrema esquerda.

Esse folgazão orgulhava-se de sua condição de não bater um prego numa barra de sabão e de levar a vida na valsa. Ou no rock, para ser mais fiel à época.

O tal bordão da mamata era repetido em uníssono quando ele aparecia. E a quem reclamava que ele vivia escorado no dinheiro dos pais, a resposta estava na ponta da língua:

- Mas, meu pai vai dar dinheiro a mim ou a vocês?

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Essa semana, lendo o noticiário político, lembrei de Alex (era o nome dele). A chuva de nomeações de amigos, parentes e aderentes que o governo de Bolsonaro fez chover nos primeiros dez dias de regência trouxe-me de imediato a figura em tela.

Mais ainda, me fez lembrar as respostas dadas pelos envolvidos nessas cenas de nepotismo amplo, geral e irrestrito.

O próprio presidente da República deu sua contribuição para o glossário de desculpas .... Ao ser criticado por nomear um "amigo particular" para uma assessoria na Petrobrás, o chefe do governo foi rápido no gatilho:

– Peço desculpas à (SIC) grande parte da imprensa por não estar indicando inimigos para postos em meu governo! – fuzilou o capitão, em seu twitter.

Esse tipo de argumento foi disseminado pelas redes sociais, pelos apoiadores do "mito". Virou verdade e pronto.
Bolsonaro também postou o currículo do afilhado, argumentando com a competência como requisito ao invés da influência política. O mesmo que fez o vice-presidente Hamilton Mourão para calar os críticos da nomeação do filho a um cargo de salário módico de 36 mil mangos.

Os exemplos não param nos dois. Tem amiga da primeira-dama, tem amigo dos primeiros-filhos. Ao arrepio da ética e do bom senso, o nepotismo campeia em um governo eleito na garupa do discurso da seriedade, da transparência e da moralidade.

Para fechar, recorro ao velho e saudoso Alex, que já seguiu para outro plano. É como se eu o estivesse vendo. Quando a gente gritava o bordão da mamata, ele abria o sorriso e, com a maior cara de não-estou-nem-aí, retrucava:

– Vai nada, mané!

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