Estamos juntos, Lula!

"Em nenhum momento 'Estamos Juntos' fala contra Bolsonaro, contra o fascismo, contra a tutela militar", analisa Valter Pomar, que acrescenta: "Por enquanto, basta dizer que estamos juntos sim. Juntos com o que disse Lula!!"

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(Foto: Ricardo Stuckert)


Nesta segunda-feira, 1 de junho, aconteceu uma reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores.

Seguindo o modelo adotado desde que começou a pandemia, a reunião teve uma parte transmitida ao vivo, pela TV do Partido dos Trabalhadores.

Entretanto, diferente de reuniões anteriores, esta realizada no dia 1 de junho limitou-se a esta parte transmitida ao vivo, na qual falaram – entre outros -- o ex-ministro Chioro, o governador Wellington e a governadora Fátima, os líderes Enio e Rogerio, prefeitos e duas integrantes da executiva nacional do PT, Fernando Haddad, Dilma Rousseff e Lula.

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Na segunda parte deste texto, destacarei o que me pareceram ser os melhores momentos, inclusive a exposição de um trigêmeo muito famoso. 

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A íntegra do que foi dito está disponível na TVPT.

A rigor, o que ocorreu dia 1 de junho foi uma “live”, uma “audiência pública” denominada, inadequadamente, de “reunião extraordinária do diretório nacional”. Mas reunião mesmo não houve, inclusive porque não houve debate, não houve deliberação. Exceto, a bem da verdade, uma importante declaração de apoio à imponente mobilização da população negra dos Estados Unidos, contra o racismo da suposta “maior democracia do mundo”.

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Alguns dirigentes do Partido solicitaram que houvesse reunião “de verdade”, já que a conjuntura internacional e nacional está aquecendo muito rapidamente, manifestos estavam circulando etc. Mas foi dito, por quem estava dirigindo a reunião, que não era possível, que não havia horário livre para uma reunião esta semana e que uma reunião deveria ser preparada, além de outros argumentos.

Mas a realidade se impôs. Lula era o último a falar. E falou. Parte do que ele disse já era de conhecimento público. Parte não era. E, muito rapidamente, o debate que poderia ter sido feito, de maneira organizada, numa reunião do Diretório Nacional, passou a ser feito publicamente.

O pano de fundo do debate é um manifesto intitulado “ESTAMOS JUNTOS”. Curiosamente, parte dos que criticam a fala do companheiro Lula, parecem não ter lido o texto deste manifesto, que reproduzo na íntegra ao final.

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“Estamos Juntos” não fala de Bolsonaro.

“Estamos Juntos” não fala do fascismo.

Nem da tutela militar.

Do que fala “Estamos Juntos”?  

O tal texto abre assim: “Somos cidadãs, cidadãos, empresas, organizações e instituições brasileiras e fazemos parte da maioria que defende a vida, a liberdade e a democracia”.

Claro que cada um tem seu conceito de “liberdade e democracia”. Mas não há relativismo que nos permita acreditar que “empresas” sejam capazes de defender “a vida, a liberdade e a democracia”.

A inclusão desta palavra – “empresas” – é muito reveladora, acerca da autoria intelectual do manifesto.

O texto continua assim: “Somos a maioria e exigimos que nossos representantes e lideranças políticas exerçam com afinco e dignidade seu papel diante da devastadora crise sanitária, política e econômica que atravessa o país”.

Convenhamos: o mundo aponta o dedo acusador contra Jair Bolsonaro. Mas o manifesto prefere não citar nomes.

Segue o texto: “Somos a maioria de brasileiras e brasileiros que apoia a independência dos poderes da República e clamamos que lideranças partidárias, prefeitos, governadores, vereadores, deputados, senadores, procuradores e juízes assumam a responsabilidade de unir a pátria e resgatar nossa identidade como nação”.

A “independência dos poderes da República” está ameaçada por quem? O texto prefere não citar nomes. Mas fala em “unir a pátria”. Unir a pátria contra quem e a favor do que? Nossa “identidade como nação” inclui ou exclui Guedes Chicago Boy??

Na sequência, o texto afirma: “Somos mais de dois terços da população do Brasil e invocamos que partidos, seus líderes e candidatos agora deixem de lado projetos individuais de poder em favor de um projeto comum de país”.

Opa, opa!

Em nenhum momento “Estamos Juntos” fala contra Bolsonaro, contra o fascismo, contra a tutela militar.

Em nenhum momento “Estamos Juntos” fala do sofrimento da classe trabalhadora brasileira, vítima das políticas neoliberais e ultraliberais de Guedes e, antes dele, de “Temer-ponte-para-o-futuro”.

O texto fala em nome de dois terços, mas não coloca sobre a mesa temas como o desemprego, os baixos salários, as longas jornadas, a perda de direitos, o ataque contra os sindicatos.

Sendo assim, em nome de que “projeto comum de país” se está invocando que todos abandonem seus “projetos individuais de poder”??

O texto continua: “Somos muitos, estamos juntos, e formamos uma frente ampla e diversa, suprapartidária, que valoriza a política e trabalha para que a sociedade responda de maneira mais madura, consciente e eficaz aos crimes e desmandos de qualquer governo”.

Frente ampla, diversa, suprapartidária, contra “qualquer governo”?

Nem uma palavra sobre o governo concreto, que está cometendo crimes e desmandos todo dia.

No parágrafo seguinte, o texto diz que: “Como aconteceu no movimento Diretas Já, é hora de deixar de lado velhas disputas em busca do bem comum. Esquerda, centro e direita unidos para defender a lei, a ordem, a política, a ética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia”.

A lembrança das Diretas Já é ótima! Lá havia um objetivo claro: aprovar uma emenda constitucional convocando eleições diretas para presidente da República.

E hoje? Os signatários do “Estamos Juntos” estariam de acordo em defender a PEC das eleições diretas, que está tramitando na Câmara dos Deputados? Estariam de acordo em apoiar o impeachment do cavernícola? Em defender o Fora Bolsonaro?

Só fazendo algo desse tipo, caberia comparar o “Estamos Juntos” com as Diretas Já.

Mas é pouco provável que isso ocorra. Afinal, o texto -- que começou dando às empresas o mesmo status que os cidadãos—nesta passagem propõe “deixar de lado velhas disputas em busca do bem comum”, incluindo no bem comum “a lei e a ordem”.

Como já foi dito, a autoria intelectual deste texto é óbvia.

O texto continua assim: “Defendemos uma administração pública reverente à Constituição, audaz no combate à corrupção e à desigualdade, verdadeiramente comprometida com a educação, a segurança e a saúde da população. Defendemos um país mais desenvolvido, mais feliz e mais justo”.

Parágrafos assim podem ser lidos em textos de quase todos os partidos brasileiros. Novamente, perguntamos: com Guedes ou sem Guedes?

A seguir, pode-se ler: “Temos ideias e opiniões diferentes, mas comungamos dos mesmos princípios éticos e democráticos. Queremos combater o ódio e a apatia com afeto, informação, união e esperança”.

Comungamos dos mesmos princípios éticos e democráticos?

Quer dizer que os que defenderam o impeachment de Dilma e a prisão de Lula comungam dos “mesmos princípios” que os que foram depostos e presos ilegalmente, injustamente?

O manifesto termina dizendo assim: “Vamos #JUNTOS sonhar e fazer um Brasil que nos traga de volta a alegria e o orgulho de ser brasileiro”.

Lendo o manifesto do “Estamos Juntos”, não resta dúvida: Lula tem razão no que disse, ao final da audiência pública promovida pelo Diretório Nacional do PT no dia 1 de junho.

Na continuação deste texto, falaremos mais a respeito.

Por enquanto, basta dizer que estamos juntos sim. Juntos com o que disse Lula!!

SEGUE A INTEGRA DO MANIFESTO

Somos cidadãs, cidadãos, empresas, organizações e instituições brasileiras e fazemos parte da maioria que defende a vida, a liberdade e a democracia.

Somos a maioria e exigimos que nossos representantes e lideranças políticas exerçam com afinco e dignidade seu papel diante da devastadora crise sanitária, política e econômica que atravessa o país.

Somos a maioria de brasileiras e brasileiros que apoia a independência dos poderes da República e clamamos que lideranças partidárias, prefeitos, governadores, vereadores, deputados, senadores, procuradores e juízes assumam a responsabilidade de unir a pátria e resgatar nossa identidade como nação.

Somos mais de dois terços da população do Brasil e invocamos que partidos, seus líderes e candidatos agora deixem de lado projetos individuais de poder em favor de um projeto comum de país.

Somos muitos, estamos juntos, e formamos uma frente ampla e diversa, suprapartidária, que valoriza a política e trabalha para que a sociedade responda de maneira mais madura, consciente e eficaz aos crimes e desmandos de qualquer governo.

Como aconteceu no movimento Diretas Já, é hora de deixar de lado velhas disputas em busca do bem comum. Esquerda, centro e direita unidos para defender a lei, a ordem, a política, a ética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia.

Defendemos uma administração pública reverente à Constituição, audaz no combate à corrupção e à desigualdade, verdadeiramente comprometida com a educação, a segurança e a saúde da população. Defendemos um país mais desenvolvido, mais feliz e mais justo.

Temos ideias e opiniões diferentes, mas comungamos dos mesmos princípios éticos e democráticos. Queremos combater o ódio e a apatia com afeto, informação, união e esperança.

Vamos #JUNTOS sonhar e fazer um Brasil que nos traga de volta a alegria e o orgulho de ser brasileiro.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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