Estranhas ideias circulam pelo Ministério Público

Promotores públicos de Goiânia pregam o golpe baseando-se num falsário da história

Promotores públicos de Goiânia pregam o golpe baseando-se num falsário da história
Promotores públicos de Goiânia pregam o golpe baseando-se num falsário da história (Foto: Dom Orvandil)

Na sexta-feira passada, dia 21 de novembro, realizou-se aqui em Goiânia no salão auditório do Ministério Público Federal evento para debater o golpe dado à democracia em 1964 no Brasil.

Duas posturas se digladiaram no painel composto por alguns promotores públicos. Um dos painelistas analisou o desenvolvimento do processo maturativo da democracia e as necessidades de avanços, inclusive no campo econômico com abrangência dos direitos humanos e correção das históricas injustiças sociais.

Mas o que chamou a atenção de forma gritante foi a defesa feita por outros palestrantes, que claramente advogaram os argumentos a favor do golpe militar de 1964 e defenderam os pressupostos sufocantes da democracia dos que fecharam as instituições e fóruns políticos de participação popular nas decisões do País, fechando inclusive o parlamento.

Um dos palestrantes se baseou no livro do fanfarrão, mistificador, moleque e irresponsável professor aposentado da Universidade Federal de São Carlos, Marco Antônio Villa. Este escreveu livro sobre o golpe de 1964, que intitulou de "DITADURA A BRASILEIRA 1964-1985: A DEMOCRACIA GOLPEADA A ESQUERDA E A DIREITA". Neste livreto o autor "sustenta" a "tese" de que não houve ditadura, mas enfrentamento de tentativa da esquerda de impor uma ditadura financiada e promovida de fora para dentro do País, desde a União Soviética e Cuba.

O autor do livro inverte as posições ao defender que os dois lados, legalistas e golpistas, arquitetavam um viés autoritário para o que viria a ser o futuro político do Brasil, tirando do "fundo do baú" o surrado argumento da direita de tentativa de implantação, por parte dos legalistas, de uma "ditadura do proletariado". Asseguro ao leitor, por parte de quem combateu ao lado dos legalistas, naquele momento só se pensava e lutava pela manutenção do Estado de Direito. Mesmo para a esquerda institucional, interessava e sempre interessou o aprofundamento da democracia!

Marco Antônio Villa é divulgador das ideias rasteiras, direitistas e fascistas do Instituto Millenium em São Paulo. Esse instituto é fórum permanente de fomento da direita, fornecedor de livros, palestras, filmes e viagens para os Estados Unidos de divulgadores da direita que reivindicam o golpe militar e a volta do sistema concentrador de riquezas e de renda.

Um dos braços do Instituto Millenium é a mídia conservadora e propriedade de seis famílias brasileiras, as mais ricas do País. Marco Antônio Villa é um dos destacados para atuar na mídia, por isso o enorme espaço de que dispõe na revista Veja, nos jornalões de São Paulo, do Rio de Janeiro e nas TVs.

É bom sabermos o que dizem eminentes brasileiros sobre Marco Antônio Villa. O famoso jornalista, que atuou na Veja e na Rede Globo, Paulo Nogueira, escreveu em seu blog "Diário do Centro do Mundo" (dia 14/11/2014) um artigo sugestivamente intitulado "A triunfal ascensão à base de asneiras de Marco Antônio Villa".

Paulo Nogueira ironiza e lamenta o quanto pode uma pessoa ser tão mentirosa, manipuladora e asnática (que diz asneiras, coisas de asnos), embalado não pela inteligência e pelo esforço intelectual, mas pela oligarquia financeira, que despeja dinheiro nos bolsos de qualquer um que despreze os pobres, os trabalhadores que buscam incessantemente dignidade no trabalho e salarialmente, as mulheres em suas lutas por mais direitos, os negros que ascendem socialmente apesar de 500 anos de massacres desumanos, os indígenas que resistem à extinção imposta pelos eternos colonizadores, os agricultores que lutam por reforma agrária e os eleitos pelo povo, que são comprometidos com o futuro de mais igualdade e justiça social. Nogueira chega a lamentar pelos ex-alunos desse professor. Eu também me entristeço com gente que adultera a educação e a história, tão egoístas e mesquinhas que são. Conheço muitos que fazem o mesmo que ele em sala de aula, configurando e moldando antas sociais.

Uma matéria no site Brasil 247, de 23 de novembro de 2013, diz, sem rodeios, que "Marco Villa é o retrato da desonestidade intelectual". Mais: "De falta de senso de ridículo, Marco Antonio Villa jamais poderá ser acusado. Palestrante do Instituto Millenium, colunista de jornais conservadores e autor do livro "Mensalão", o militante serrista, que se diz historiador, acaba de lançar um novo livro, chamado "Década perdida". A obra trata, obviamente, dos primeiros dez anos de poder do Partido dos Trabalhadores, com Lula e Dilma. A questão é: pode ser chamado de "historiador" alguém que classifica desta forma um período de profundas transformações sociais e econômicas, reconhecidas até pelos adversários?"

E assim vai, vale a pena percorrer a internet em busca das opiniões avalizadas sobre o "grande" "teórico" que ilumina o raciocínio e o debate de alguns promotores públicos federais de Goiânia. Lembro-me do velho ditado e me ocorre adaptá-lo: "dize-me quem te fundamenta, que autores lês e te direi que asneiras pensas e dizes", para lembrar do manchete de Paulo Nogueira.

O que importa numa situação dessas, com promotores públicos pagos com os impostos da produção, é indagar sobre sua honestidade intelectual e sobre esse triste papel de mentir para aclamar pelo golpe contra a democracia, contra a soberania nacional e contra o povo brasileiro.

Vale lembrar que um colega deles, o senhor Davy Lincoln Rocha, de Joinville, Santa Catarina, foi punido por ser desleal com a democracia. Aquele promotor público teve o desplante criminoso de pedir golpe militar com a ajuda dos Estados Unidos, tal como aconteceu em 1964 quando o governo daquele País imperialista apoiou com dinheiro e logística militar o golpe contra nossa democracia e a derrubada do Presidente Constitucional, João Goulart. O triste é que naquela época usaram a mesma ladinha adotada agora: corrupção, invasão comunista e outras asneiras, totalmente sem fundamentos nos fatos.

Em Joinville o Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) instaurou na última segunda-feira, 17 de novembro, durante a 21ª Sessão Ordinária de 2014, Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) e decidiu afastar das atividades, por 90 dias, aquele procurador da República golpista e criminoso. Também foi decidido o encaminhamento do processo ao procurador-geral da República, que vai analisar o caso sob o aspecto penal, cabível em crimes contra as leis democráticas.

Não há dúvidas de que precisamos realizar cada vez mais debates, mas de forma competente, honesta intelectual e politicamente, para ajudarmos a democracia a avançar e não para sepultá-la dando lugar a criminosos e bandidos como Sérgio Fleury Filho, notório delinquente que prendeu, torturou e matou cidadãos e cidadãs honrados em nome do Estado terrorista implantado pela ditadura.

O promotor de Joinville foi punido por seus colegas democratas. Parece ter seguidores em Goiânia. Nesta próxima sexta-feira o falso historiador Marco Antônio Villa mais uma vez sujará o solo sagrado do Centro Cultural Oscar Niemayer e os ouvidos dos que lá o escutarão. Quem reagirá contra isso tudo?

Não se deve aceitar que homens e mulheres servidores públicos serviam ao mal contra a democracia e contra a soberania nacional. Providências clamam à justiça.

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