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Davis Sena Filho

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Estúdio I ataca Lula, mas Globo não fala sozinha. Acabou o monopólio da fala

Críticas ao Estúdio I apontam uso político da informação e reforçam debate sobre o fim da hegemonia narrativa da grande mídia no Brasil

Estúdio I ataca Lula, mas Globo não fala sozinha. Acabou o monopólio da fala (Foto: andreia-sadi)

Antes de iniciar o artigo, é necessário lembrar: o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, ex-pastor da Igreja Batista da Lagoinha, "doou" R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro, que, segundo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foram depositados na conta do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso. Além disso, Zettel "doou" R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas, uma soma milionária que totaliza R$ 5 milhões. Mas não termina aqui. Quem pavimentou esse descalabro para concretizar as ações criminosas dessa escória foi o ex-presidente do BC, o bolsonarista Campos Neto, o personagem mórbido que impôs os juros mais altos do mundo ao País, e a imprensa de negócios privados o blinda que é uma "beleza".

Quando a jornalista e apresentadora do Estúdio I da GloboNews pediu desculpas ao vivo por ter apresentado um PowerPoint leviano e mentiroso, com propósito político-eleitoral, percebeu-se rapidamente que a mentira tem pernas curtas e que o monopólio da fala global foi desmontado imediatamente, e os jornalistas do Estúdio I ficaram desmoralizados perante o público por causa de uma aventura política irresponsável e moralmente perniciosa.

Por sua vez, as experiências relativas aos crimes da Lava Jato que a moçada do Estúdio I tentou, lamentavelmente, reviver na sexta-feira, dia 20/03, são inesquecíveis e, por isso, passaram a ser inaceitáveis por parte importante da sociedade brasileira, que reagiu fortemente, a sinalizar que não aceitará mais que uma empresa privada de comunicação interdite a política e interfira no resultado das eleições.

A criminosa Lava Jato “ensinou” que fake news, somadas ao lawfare, causam graves problemas políticos, sociais e administrativos ao País, inclusive a dividir a sociedade e radicalizar confrontos que eram negociados a respeitar o processo civilizatório nos fóruns de discussão e de pensamento adequados às resoluções pertinentes às diferenças da sociedade, realidade que hoje a polarização política e ideológica não permite no Brasil.

A verdade é que o PowerPoint repercutido pela GloboNews, que tentou colocar o escândalo Bolsomaster no colo do presidente Lula e do governo trabalhista, foi de uma desfaçatez sem medida, assim como uma das piores pantomimas que jornalistas supostamente respeitados fizeram ao vivo, sem sentir qualquer constrangimento ou vergonha.

Os jornalistas Andréia Sadi e Valdo Cruz, acompanhados de outros profissionais de imprensa, propiciaram ao público cenas dignas de um filme pastelão, ao repercutirem um jornalismo de péssima qualidade, pelo menos naquele lamentável momento no Estúdio I. Trata-se do verdadeiro, genuíno e autêntico jornalismo de esgoto, que tentou, com enorme desfaçatez, emparedar a verdade dos fatos.

A dupla, a mando de não sei quem e a cargo de não sei o quê, conseguiu superar o PowerPoint descarado de autoria de Deltan Dallagnol, deputado federal cassado e ex-procurador fujão, que renunciou ao cargo de procurador para não ser punido pelo MPF, revalidando assim sua intrínseca má-fé intelectual à frente de um cargo público, quando montou ao vivo, pela televisão, um PowerPoint leviano, mentiroso e covarde, sem nenhuma prova criminal contra Lula, além de encerrar tal patifaria com a inesquecível afirmação de que não haveria provas contra o líder de esquerda, mas sim convicções.

Sadi e Valdo reviveram ao vivo o lavajatismo do Grupo Globo, um dos protagonistas do consórcio de direita que levou à deposição injustificada e traiçoeira da presidente Dilma Rousseff e à prisão injusta de Lula, que liderava as pesquisas eleitorais em 2018 e ficou impedido de concorrer ao cargo presidencial, causando mais uma mancha na história do Brasil no que tange ao golpismo e ao desrespeito total às escolhas eleitorais do povo brasileiro, cujos presidentes trabalhistas ou de esquerda foram depostos e indelevelmente agredidos por uma imprensa de mercado, porta-voz dos interesses dos grandes conglomerados financeiros e empresariais.

Reverberaram uma das piores fake news vistas nos últimos anos, por se tratar de um veículo de grande audiência e suposta “respeitabilidade” e “prestígio”, de uma maneira canhestra, sem se preocupar com aqueles que estavam a considerar aqueles que se encontravam do outro lado da tela — o telespectador —, principalmente as milhões ou centenas de milhares de pessoas que votam em partidos progressistas e que são cidadãos brasileiros e eleitores pagadores de impostos.

Tratou-se, sem dúvida, de uma ação política que visou prejudicar o governo Lula, em especial o presidente da República e o Partido dos Trabalhadores, particularmente o PT da Bahia, que tem duas autoridades importantes que atualmente ocupam cargos estratégicos, nas pessoas de Rui Costa, atual ministro-chefe da Casa Civil, e Jaques Wagner, líder do governo no Senado.

O propósito seria envolvê-los na picaretagem do escândalo do Banco Master/Will Bank, um rombo financeiro de dezenas de bilhões de reais que envolve empresários, banqueiros e políticos de inúmeros partidos, mas todos de direita e de extrema direita, porque a verdade é que o Banco Master de Daniel Vorcaro lavava dinheiro sujo, negociava letras podres e tentava, de todas as maneiras, vender ações para o Banco de Brasília, um banco público que estava sendo usado para proteger e escamotear bandalheiras financeiras de bilhões por parte de um grupo que se tornou quadrilha e era aliado de políticos de partidos ligados ao Centrão e ao PL de Jair Bolsonaro et caterva.

Trata-se do Centrão (PP, PSD, MDB, Republicanos, União Brasil, Podemos, Solidariedade, Avante, dentre outros menores) e, principalmente, do PL, ressalto novamente, agremiação de extrema direita que há pouco tempo participou de uma tentativa de golpe de Estado, dentre outros crimes que levaram Bolsonaro e parte de sua turma de delinquentes à cadeia.

Também estão a vicejar nesse lamaçal putrefato a Igreja Batista da Lagoinha de Belo Horizonte, cujo líder é André Valadão, que teve em seus quadros o preso e ex-pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, que frequentava tal igreja e está, no momento, a preparar uma delação premiada, de acordo com a imprensa e vazamentos de policiais da PF, o que tem deixado setores políticos de Brasília com os cabelos em pé.

Porém, não acaba por aí. Envolveram-se com essa rapinagem nomes conhecidos que infestam as páginas dos jornais e vivem nas redes da internet, a exemplo de Tarcísio de Freitas, Roberto Campos Neto, Ciro Nogueira, Antônio Rueda, Ibaneis Rocha, Fabiano Zettel, Jair e Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, todos os nomes nas listinhas de Daniel Vorcaro, que certamente teve relacionamentos com outros atores dessa estratosférica lambança que, de acordo com a PF, chega a cerca de R$ 52 bilhões.

Tudo isso foi feito por meio de ações corruptas, como fraudes diretas, ocultação de patrimônio e prejuízos sistêmicos àqueles que compraram ou investiram em letras podres do Banco Master/Will Bank, como os aplicadores individuais ou particulares e os governos, a exemplo do governador Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, que comprou papéis podres no valor de R$ 1 bilhão, dinheiro cuja origem é a previdência dos servidores aposentados do Estado do Rio de Janeiro.

Entretanto, a blindagem ao governador do Distrito Federal por parte da imprensa de negócios privados, a exemplo do Estúdio I da GloboNews, chama a atenção, porque ele, juntamente com o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, são as peças principais do xadrez, sendo que o político fascista Jair Bolsonaro é o principal jogador dessa fraude toda, porque foi no governo dele que o banqueiro Daniel Vorcaro nadou de braçada para, em muito pouco tempo, se tornar um bilionário, que passou a financiar o caixa dois dos partidos de direita e de extrema direita por intermédio do Banco Master.

Será que é necessário riscar um círculo com um copo para ver o que se apresenta a olhos vivos? Evidentemente que não. Todavia, o Estúdio I, apresentado por Andréia Sadi, que depois pediu desculpas ao público de maneira constrangida — ou seja, aos assinantes —, a mando não sei de quem do Grupo Globo, ficou em uma difícil situação, a causar às pessoas a chamada “vergonha alheia”. Sadi chegou a gaguejar e seu rosto denotava uma expressão de desconforto. Parece que esses jornalistas, empregados de corporações midiáticas privadas, não entenderam a atual realidade e, por isso, o Estúdio I ataca Lula de forma surreal, mas a Globo não fala mais sozinha. Acabou o monopólio da fala.

O Grupo Globo, dos herdeiros bilionários irmãos Marinho, deveria, para muita gente brasileira, fazer jornalismo profissional, na medida do possível isento e, principalmente, não se meter a intervir no processo político e eleitoral, que não pertence ao Grupo Globo, e sim ao povo brasileiro. As experiências desse grupo empresarial são péssimas quando se trata de política e de eleição. Uma hora tem que aprender. Não é possível, porque daqui a pouco se tornará uma burrice irremediável. O megaescândalo Bolsomaster tem autores e origens: a direita e a extrema direita brasileiras. Trata-se do caixa dois financiador de eleições, de políticos e de partidos de direita, cara-pálida! É isso aí.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.