EUA e a ação para manter a América Latina como “colônia”

Após o golpe na Bolívia, a invasão da Embaixada da Venezuela e a repressão contra a população nas manifestações populares na Colômbia e no Chile, é visível que a política norte-americana não abriu mão dos golpes tradicionais

(Foto: Reuters)

Após o golpe na Bolívia, a invasão da Embaixada da Venezuela e a repressão contra a população nas manifestações populares na Colômbia e no Chile - país que adotou a fracassada política neoliberal, que está sendo imposta aqui no Brasil -  é visível que a política norte-americana não abriu mão dos golpes tradicionais, aqueles perpetrados por militares com o uso sistemático da violência contra os cidadãos e o total fechamento do regime.

Ainda, a política dos EUA de controle na América Latina, recebeu o auxílio de um organismo internacional, a OEA, que com o falso argumento de fraude nas eleições bolivianas acirrou a disputa política do país, ocasionando o aumento das ações violentas da extrema-direita, que ao final culminou com o golpe de estado, e, a ação brutal das policias e do exército contra a população.

Agentes internos, integrantes de uma oligarquia putrefata, atacam, na América Latina, a democracia e a soberania dos países, com o único intuito de atender interesses dos EUA em detrimento dos seus próprios povos, como meros administradores de colônias.

Nas últimas décadas as intervenções internacionais sobre a autonomia política na América Latina se deram por meio do uso dos Tribunais em conjunto com o Parlamento, utilizando como instrumento uma suposta “guerra contra a corrupção”, em que partidos políticos e lideranças de tendência de esquerda foram criminalizados em processos judiciais duvidosos, com inovações jurídicas e aplicação de conceitos alienígenas a legislação pátria.

Essa suposta “guerra contra a corrupção” visa reduzir ao máximo a presença de partidos de esquerda e progressistas na condução dos países latino americanos, com o objetivo de ampliar a possibilidade da eleição dos aliados ao consenso de Washington, e possa ser mantida a hegemonia política, econômica e a reserva desse grande mercado em prol das empresas norte-americanas e europeias.

A utilização de agentes públicos latino americanos formados e treinados nas universidades norte-americanas foi o mecanismo encontrado para a nova modalidade de golpes nos países da América do Sul, mas a demora nos resultados e o combate de democratas e progressistas aos abusos e distorções do Direito para a eliminação das esquerdas fez com que o establishment retornasse ao seu formato original, ou seja, com o uso dos golpes clássicos com muita violência e repressão contra os que se insurgem à retirada de direitos e políticas de concentração de renda nas mãos dos mais ricos.

Alguns poucos observavam e diziam, como Moniz Bandeira, falecido em 10 de novembro de 2017, que o império reagiria, que não permitiria perder seu controle hegemônico na América Latina.

As iniciativas dos países latino americanos com governos de esquerda obtiveram bons resultados nos campos sociais e de competitividade no mercado internacional, impondo derrotas importantes aos interesses do establishment do norte, modificando a configuração global nos organismos internacionais e nas mesas de negociações. O que na visão do império era um grande risco a sua hegemonia, uma ameaça real em seu quintal.

Ainda assim, não se aventava a possibilidade do retorno dos golpes militares! 

Boa parte dos analistas acreditavam que as oligarquias entreguistas e putrificadas da parte sul das Américas se utilizariam apenas da modalidade dos “golpes suaves” (”soft coup”), nos quais os principais agentes são o Judiciário, mídia corporativa e parlamento que atuam em conjunto para eliminar as lideranças de esquerda e progressistas, e, assim, possibilitarem o retorno dos velhos políticos alinhados com o irmão do norte através de eleições, aparentemente, normais e com um arremedo de Democracia.

O golpe na Bolívia, a invasão na embaixada da Venezuela, as repressões aos manifestantes nos países vizinhos, o silêncio da mídia corporativa e o crescente discurso do atual governo brasileiro, para a implantação de medidas repressivas no país, mostra que não há mais interesse em manter uma aparência de Democracia, pois qualquer fresta de liberdade para a independência dos países latino americanos é tida como uma ameaça aos interesses dos que se consideram proprietários do mundo.

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