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"Europa: do mito da desnazificação à Russofobia suicida" ou "O Triunfo da Caquistocracia"

A classe dominante européia se encontra em estado terminal

Embarcação navega pelo rio Moscou com a Torre Spasskaya do Kremlin e a Catedral de São Basílio ao fundo - 14 de julho de 2025 (Foto: REUTERS/Evgenia Novozhenina)

A classe dominante européia se encontra em estado terminal. Elizabeth Kübler-Ross, a psiquiatra de origem suíça que se dedicou ao tratamento de pacientes terminais, identificou cinco estágios de luto pelos quais passamos ao perder alguém. O primeiro estágio do luto descrito por Kübler-Ross é o da negação. Face à perda de seu prestígio, influência e poder econômico e diante sobretudo da ascenção da China e dos demais países do BRICS , a classe dominante européia reage exatamente como previsto neste primeiro estágio do luto, pela negação.

Com muita raiva, confusa e atônita diante das profundas transformações do mundo, a classe dominante européia nega veementemente o seu próprio e inevitável declínio, sua crescente impotência e o definitivo fim do período colonial, seu glorioso passado.

Esta classe que ainda em 2022 reagia eufórica à operação militar especial da Rússia na Ucrânia, certa de uma rápida vitória em que as sanções econômicas combinadas com o poderio militar da OTAN levaria à derrota da Rússia e à queda de Vladimir Putin , abrindo as portas para a exploração dos recursos naturais da Rússia e de sua colonização pelo ocidente, nega agora desesperadamente que a Ucrânia e todo o arsenal da OTAN já tenham sido derrotados, punindo violentamente as vozes que, na Europa, ousam afirmar o óbvio, que esta guerra já está perdida. A grande imprensa européia, porta-voz desta classe moribunda, sem se dar conta de seu próprio ridiculo, persiste em divulgar as mentiras mais absurdas sobre a “ameaça” russa, sobre o “ iminente colapso” da economia russa e de sua inevitável futura, sempre futura, derrota na Ucrânia. Negar com tanta ênfase a realidade não altera a realidade, apenas torna ainda mais patético o enorme e lamentável esforço da negação. Em seu estado terminal a classe dominante européia já perdeu toda a vergonha e toda a credibilidade mas ainda é capaz de causar muito mal. Para melhor combatê-la, então, é importante lembrar um pouco de sua história e denunciar as suas mais perigosas mentiras.

A classe dominante européia e o mito da desnazificação

O mito da desnazificação ao fim da Segunda Guerra Mundial é um pilar fundamental da construção de uma pretensa “superioridade moral” da classe dominante européia, tão importante para legitimar seu controle. Esta classe se apresenta como orgulhosa defensora da democracia e dos direitos humanos, como inimiga histórica do nazismo e de todos os movimentos fascistas.

A verdade que esta classe procura tenazmente ocultar é que a reconstrução do capitalismo europeu que permitiu a sua própria ascendência foi realizada com o apoio e a participação de nazistas e coloboradores do nazismo, sobretudo na Alemanha.

No fim da Segunda Guerra a Alemanha foi dividida em distintas zonas de ocupação pelos exércitos aliados – EUA, Reino Unido, França e URSS. Porém, como escreveu a historiadora Mary Fulbrook em seu livro A History of Germany 1918 – 2014, houve uma enorme diferença no tratamento dos nazistas e de seus colaboradores entre a zona de ocupação soviética e as demais zonas:

“Na zona soviética, dada à interpretação principalmente estrutural e socioeconômica do nazismo que prevalecia, foram dedicados grandes esforços à reforma agrária que serviu para abolir a classe Junker ( eram chamados Junker os nobres grandes proprietários de terras da Prússia e da Alemanha do leste ), os recursos de certos industriais nazis foram expropriados e houve reformas na indústria e nas finanças que não tinham como objetivo apenas as reparações. Os soviéticos também estavam preocupados em destituir nazis individuais de cargos importantes. Eles realizaram expurgos não somente nas esferas política e administrativa, mas também no corpo docente e no judiciário.”

“Para além das tentativas de obter algum tipo de compensação pelas enormes perdas materiais e humanas impostas pela agressão alemã, os soviéticos implementaram certas políticas econômicas destinadas a transformar a estrutura socioeconômica da sua zona, de modo que, na visão soviética, ela nunca mais pudesse ser a base material para um militarismo capitalista nazista. Eles procuraram erradicar a classe dos Junkers e os grandes capitalistas de uma só vez.”

Sobre o lado da ocupação pelas potências ocidentais, Mary Fulbrook afirma:

“É notável que, em contraste com a zona soviética, não houve transformações radicais na estrutura econômica nas zonas ocidentais de ocupação.”

“A desnazificação avançou de forma curiosa nas zonas ocidentais. Não estava muito claro se o objetivo era punir ou reabilitar os ex-nazistas; e se a intenção era limpar as esferas política, administrativa e econômica da presença deles, ou limpar os ex-nazistas da mancha do nazismo, a fim de reintegrá-los nas suas antigas áreas de especialização. Em contraste com a zona soviética, que efetuou uma grande reestruturação da sociedade, juntamente com a substituição das antigas elites por novos quadros, além de permitir a reabilitação individual, as zonas ocidentais tenderam mais para a reabilitação do que para a transformação.”

Ainda segundo Mary Fulbrook:

“No entanto, pode-se argumentar que, de maneiras mais sutis e menos óbvias, houve de fato uma grande reorientação socioeconômica nas zonas ocidentais da Alemanha. No período imediatamente após a guerra, muitas pessoas acreditavam que o caminho estava aberto para uma transformação socialista da Alemanha. A decisão dos Aliados de suprimir os grupos antifascistas locais e apoiar partidos políticos moderados e conservadores teve um paralelo na esfera da política econômica.A demanda local, por exemplo, pela socialização das minas foi peremptoriamente negada pelos americanos. As medidas de socialização propostas pelos governos estaduais de Hesse e Renânia do Norte-Vestfália foram suprimidas pelos americanos e — sob pressão americana — pelos britânicos, respectivamente. Os americanos exerceram pressões sutis para dividir os sindicatos comunistas e socialistas, a fim de isolar os primeiros e moderar os segundos.”

Por fim:

“Os ex-nazistas, tanto os comprometidos quanto os conformistas, conseguiram se integrar facilmente na Alemanha de Adenauer ( Konrad Adenauer foi o primeiro chanceler da Alemanha Ocidental, de 1949 a 1963). Embora no período imediatamente após a guerra cerca de 53.000 funcionários públicos tenham sido demitidos por pertencerem ao NSDAP ( o partido nazista) , apenas 1.000 foram excluídos permanentemente de qualquer emprego futuro. De acordo com a Lei de Reintegração de 1951, muitos foram recontratados no serviço público e obtiveram créditos de pensão integral pelos seus serviços no Terceiro Reich. No início da década de 1950, entre 40% e 80% dos funcionários eram ex-membros do NSDAP. Da mesma forma, apenas muito poucos membros do poder judiciário foram permanentemente desqualificados. Os ex-nazistas conseguiram até mesmo obter posições de destaque na vida pública. Adenauer estava preparado para incluir ex-nazistas em seu gabinete, como o ex-membro da SS Oberlaender como Ministro para Refugiados. Talvez a mais controversa das nomeações de Adenauer tenha sido a de Hans Globke, autor do comentário oficial das Leis Raciais de Nuremberg de 1935, como assessor-chefe de sua Chancelaria.”

Sobre os tribunais responsáveis pelos processos contra os nazistas, Mary Fulbrook comenta:

“Os tribunais logo passaram a ser comparados a lavanderias. Entrava-se vestindo uma camisa marrom e saía-se com uma camisa branca limpa e engomada. A desnazificação acabou por se tornar, não a purificação da economia, da administração e da sociedade alemãs dos nazis, mas sim a purificação e a reabilitação dos indivíduos nazistas.”

David de Jong, um jornalista holandês que investigou alguns casos particulares de industriais e banqueiros nazistas e apoiadores do nazismo na Alemanha, publicou em 2022 o livro Bilionários Nazistas - A tenebrosa história das dinastias mais ricas da Alemanha, onde informa:“Em 1970, Friedrich Flick, August von Finck, Herbert Quandt e Rudolf-August Oetker constituíam os quatro empresários mais ricos da Alemanha Ocidental, por ordem decrescente de fortuna. Todos os quatro eram ex-membros do Partido Nazista; um deles tinha sido oficial voluntário da Waffen-SS; todos tinham se tornado bilionários.”

Em seu livro David de Jong dedica especial atenção ao uso de trabalho forçado de prisioneiros de guerra em fábricas da Alemanha e dos países ocupados. Mencionando Friedrich Flick, por exemplo, o autor escreve:

“Em 1943, aqueles que realizavam trabalhos forçados nas minas de carvão de Flick eram mulheres e crianças consideradas aptas para trabalhar nas minas a céu aberto. Muitos eram adolescentes russos com idades entre treze e quinze anos. Quando Flick completou sessenta e um anos, o seu conglomerado tinha entre 120.000 e 140.000 trabalhadores. Cerca de metade deles eram trabalhadores forçados ou escravizados.”

E ainda:

“IG Farben, Siemens, Daimler-Benz, BMW, Krupp e várias empresas controladas por Günther Quandt e Friedrich Flick foram alguns dos maiores utilizadores privados de trabalho forçado e escravo.”

“As colaborações de trabalho escravo entre campos de concentração administrados pela SS e empresas alemãs incluíram Auschwitz com a IG Farben, Dachau com a BMW, Sachsenhausen com a Daimler-Benz, Ravensbrück com a Siemens e Neungamme com a AFA de Günther, a Volkswagen de Porsche e a Dr. Oetker.”

Ferdinand Porsche, o famoso designer e proprietario da fábrica de automóveis que leva o seu nome e também da Volkswagen, foi um dedicado colaborador do regime nazista e produtor de armamentos para o exército alemão. Porsche utilizou trabalhadores escravos não somente na Alemanha, mas também na fábrica da Volkswagen na França ocupada. Segundo de Jong, Porsche foi inocentado por um tribunal em Dijon, na França, em 1948. E, ainda segundo de Jong, “nem sequer mencionado no julgamento” foi a uilização de “milhares de civis e soldados franceses como trabalhadores forçados e escravos no complexo da Volkswagen”.

Em plena era Adenauer, em 1951, foi fundada na Alemanha a Associação Stille Hilfe – Ajuda Silenciosa. A organização alemã Zukunft brauch Erinnerung – O Futuro precisa de Memória – (1) informa em seu website que a Stille Hilfe é “uma organização que se dedicava principalmente a apoiar assassinos nazistas, mas que, infelizmente, só muito tarde se tornou conhecida do público e de forma rudimentar. O que era assustador nessa organização de ajuda, além de suas intenções incompreensíveis, era o fato de quais pessoas estavam envolvidas nela ou a apoiavam. Pelo menos até 2011, a organização ainda era muito ativa.”

Sua fundadora, a Princesa Helene Elisabeth von Isenburg, se dedicou principalmente a prestar assistência jurídica a criminosos de guerra nazistas condenados à morte que estavam presos na prisão de Landsberg, sob controle dos aliados. Ficou conhecida como “Mãe dos Landsberger”. Esta associação também prestava ajuda financeira aos criminosos nazistas e aos seus familiares.

É importante também mencionar a Divisão Azul, um grupo formado por voluntários franquistas espanhóis que se juntaram ao exército nazista na luta contra a União Soviética. Em 2015 vários parlamentares do partido Die Linke na Alemanha fizeram uma interpelação ao Governo Alemão (2) sobre o pagamento de cerca de de 100.000 euros anuais em pensões que ainda eram feitos a estes ex-combatentes nazistas e às suas famílias pelo Governo da Alemanha, o que o partido Die Linke considerou um escândalo.(3)

Que uma associação com os objetivos da Stille Hilfe pudesse ter sido criada na Alemanha em 1953 e que pensões a ex-combatentes nazistas de um país estrangeiro ainda fossem pagas em 2015 pelo Governo na Alemanha são mais duas contundentes evidências contra o mito da desnazificação. Fatos semelhantes ocorreram por toda a Europa ocidental onde nazistas e seus colaboradores tiveram um papel importante não somente na reconstrução do capitalismo europeu mas também na repressão aos movimentos populares que exigiam mudanças revolucionárias na organização social, como a socialização de minas mencionado pela historiadora Mary Fulbrook. Foi essa pressão popular que levou à criação do estado de bem estar social – o welfare state – em países como a própria Alemanha, a França e a Inglaterra. É importante lembrar que o capitalismo como sistema econômico saiu completamente desacreditado da guerra e foi necessária sua reimposição em toda a Europa pelos Estados Unidos com a colaboração das antigas elites européias que apoiaram o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha. Com o fim da Segunda Guerra, os fascistas, os nazistas e seus colaboradores tinham ademais uma outra função da maior importância: a luta contra a URSS.

As muitas faces da Russofobia

A Russofobia tanto na Europa quanto nos EUA tem uma longa história, que remonta à Revolução Russa de 1917. O período da Guerra Fria acentuou a Russofobia que se estabeleceu firmemente até mesmo na cultura popular onde os soviéticos eram apresentados sempre como vilões caricatos nos mais variados filmes e livros. Paradoxalmente, foi a partir da dissolução da URSS em 1991 que a Russofobia ganhou novas dimensões. Os anos da presidência de Boris Yeltsin na Rússia de 1991 a 1999 foi o período de maior euforia do Ocidente em relação ao seu antigo adversário. A URSS havia sido derrotada, os imensos recursos naturais da Rússia estavam agora disponíveis para privatizações. Segundo estimativas do FMI, a fuga de capitais da Rússia nos anos 90 foi de cerca de 150 bilhões de dólares. O país mergulhava no caos e na depressão econômica e aos olhos do Ocidente a Rússia estava muito perto de se tornar uma nova colonia ocidental. Ao suceder Yeltsin em 1999, Vladimir Putin conseguiu reverter este processo de decadência política e econômica, impedindo a neocolonização da Rússia, o que o Ocidente nunca perdoou. Esta é a origem da demonização de Vladimir Putin, um ingrediente importante alimentando a Russofobia atual. Com a missão militar especial na Ucrânia, Putin mais uma vez frustrou os interesses do Ocidente. Através de uma guerra por procuração na Ucrânia, as potências ocidentais, com seus bloqueios econômicos e o poderia militar da OTAN, esperavam destruir a economia russa, derrubar o governo de Putin e colocar alguém como Yeltsin no poder na Rússia.

O Ocidente sonhava votar à grande festa russa dos anos 90. Mais uma vez Putin estragou a festa e o que aconteceu foi o contrário: foram as economias das potências ocidentais européias mais engajadas na guerra – Reino Unido, França e Alemanha – as mais afetadas.

Segundo as estimativas do Banco Mundial, em 2024, dois anos depois do início da operação militar especial na Ucrânia e sofrendo com as amplas sanções econômicas impostas pelo Ocidente, a Federação Russa teve um taxa de crescimento de 4.3. As taxas de crescimento da França, Reino Unido e Alemanha neste mesmo ano, ainda segundo o Banco Mundial, foram de 1.2 , 1.1 e -0.5 respectivamente. (4)

Já a porcentagem da dívida pública em relação ao PIB na Federação Russa em 2025, segundo o FMI, era de 24.8 (5). No mesmo ano a da França era de 119.6 (6), a do Reino Unido 104.8 (7) e a da Alemanha 66 (8).

Estes dados mostram que objetivamente a economia da Rússia está bem melhor do que a economia das potências européias ocidentais. Diante desses números pode-se compreender a frustação e o desespero da classe dominante européia que ainda sonha em se apossar dos recursos naturais da Ucrânia e da própria Rússia para solucionar sua crise. O suprimento de energia barata proveniente da Rússia, fundamental para o desenvolvimento da indústria alemã e de outros países europeus, foi irresponsavelmente suprimido pela russofobia histérica, um verdadeiro suicído econômico. Impotentes para reverter o declínio econômico causado pelas suas próprias ações, resta à classe dominante européia intensificar a Russofobia, demonizar Putin e culpar a Federação Russa pelos seus próprios fracassos.

Russofobia e autoritarismo

Na Europa a Russofobia tem sobretudo a função de justificar o crescente autoritarismo dos governos europeus e da União Européia, numa tentativa desesperada de manter no poder uma classe política que não consegue mais se sustentar por consenso. Cada vez mais a União Européia intensifica seus ataques à democracia e às vozes críticas de sua políticas, como denunciou o jornalista norte-americano de origem Palestina, Ali Abunimah neste texto (9):

“Em maio do ano passado, a União Europeia adotou seu 17º pacote de sanções supostamente direcionadas à Rússia. Mas essas sanções e outras que se seguiram não visavam apenas entidades e indivíduos russos. Bruxelas também começou a visar – aparentemente pela primeira vez – cidadãos da UE e outros cidadãos europeus. O que é particularmente chocante é que esses indivíduos foram sancionados simplesmente por suas opiniões – jornalismo ou pontos de vista que discordavam das políticas externas de seus governos, da OTAN e da União Europeia.

Entre eles estão Xavier Moreau – um ex-oficial militar francês e fundador da Stratpol, um site crítico da OTAN e do governo francês, com sede em Moscou – e os cidadãos alemães Alina Lipp e Thomas Röper, sancionados por suas reportagens na Rússia.

Em dezembro, a UE também sancionou Jacques Baud, um ex-coronel do exército suíço e analista de inteligência, conhecido na mídia independente por suas análises sobre a OTAN e a estratégia ocidental no contexto da guerra na Ucrânia.

Baud mora em Bruxelas, mas, devido às sanções, não pode viajar de volta para seu país a Suíça, que não é membro da UE. De acordo com o jornalista Patrick Baab, que o visitou recentemente na capital belga, Baud sobrevive com as poucas centenas de dólares que lhe é permitido levantar da sua conta bancária ao abrigo das sanções, e ‘os vizinhos cozinham para ele’.

A UE também sancionou Nathalie Yamb, uma estudiosa anticolonial suíço-camerunense. Ela descreveu o impacto devastador das sanções, apesar de não viver nem viajar para a Europa. Yamb afirma que não consegue pagar o aluguel nem os remédios e não pode voltar para a Suíça porque as sanções proíbem sobrevoar o território da UE.

Yamb considera as sanções uma “sentença de morte socioeconômica” e também está lutando na Justiça.”

O pretexto da “ameaça russa” é fundamental para a manutenção da hierarquia de poder na Europa. A “ameaça russa” justifica os imensos gastos militares e os consequentes cortes nos programas sociais, o que sempre foi o objetivo da classe dominante européia. Por outro lado, a “ameaça russa” justifica também a crescente vigilância sobre a sociedade e a repressão das vozes dissonantes.

Sem a “ameaça russa”, o capitalismo neoliberal não tem como sobreviver na Europa.

O Triunfo da Caquistocracia

( Caquistocracia : sistema de governo exercido pelos cidadãos menos qualificados, inescrupulosos ou incompetentes. Do grego kakistos – o pior – e kratos, poder. Descreve uma gestão pública baseada na inaptidão, na incompetência e na má administração. )

A caquistocracia é o estágio final do capitalismo neoliberal. A caquistocracia é mimada, arrogante, irresponsável e violenta. Na sua fase terminal o capitalismo neoliberal procura impor caquistocracias por todo o mundo. No Brasil conseguiram impor, por algum tempo, a caquistocracia com o Bolsonaro. Com Javier Millei a caquistocracia está no poder na Argentina e já triunfou também no Chile e no Equador. Na Palestina a caquistocracia comete genocídio.

A Russofobia foi um instrumento fundamental para o triunfo da caquistocracia na Europa, com Emmanuel Macron, Keir Starmer e Friedrich Merz . A Europa precisa urgentemente adaptar sua infraestrutura à realidade da mudança climática. Estes “responsáveis” líderes europeus, no entanto, só conseguem se unir em torno do apoio à continuação da guerra na Ucrânia. Uma política comum européia, responsável, engajada para reduzir os impactos do aquecimento global não é possível. O dinheiro disponível para Vladimir Zelensky e seu governo corrupto na Ucrânia simplesmente não está disponível para o meio-ambiente. A caquistocracia tem uma profunda indiferença pela natureza, a ela só interessam os recursos naturais. A caquistocracia é a maior ameaça à sobrevivência do planeta Terra.

A caquistocracia mundial se organiza em torno da supremacia branca e do projeto neocolonial, como publicamente exposto pelo discurso de Marco Rúbio na recente Conferência de Segurança de Munique, onde este representante da caquistocracia no poder nos EUA foi aplaudido de pé pelos representantes da caquistocracia européia presentes no evento. Como o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha, a caquistocracia, para se manter e propagar, também mobiliza sempre os piores elementos da sociedade.

A luta contra a caquistocracia é a grande tarefa dos povos do mundo no século XXI.

Franklin Frederick

  1. https://www.zukunft-braucht-erinnerung.de/
  2. https://dserver.bundestag.de/btd/18/062/1806259.pdf
  3. https://www.publico.es/politica/alemania-aun-paga-100-000-euros-anuales-exmiembros-familiares-division-azul.html
  4. https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.KD.ZG?locations=RU-DE-GB-FR
  5. https://www.imf.org/en/search#q=general%20government%20debt%20Russian%20Federation
  6. https://www.imf.org/en/search#q=general%20government%20debt%20%20France
  7. https://www.imf.org/en/search#q=general%20government%20debt%20%20United%20Kingdom
  8. https://www.imf.org/en/search#q=general%20government%20debt%20%20Germany
  9. https://www.defenddemocracy.press/eu-sanctions-german-journalist-in-shocking-first-over-gaza-reporting/

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.