Europa? Não. Obrigado

As pessoas estão cansadas de toda a política e dos escândalos que não param. Não se trata somente de presidentes e deputados, mas de toda uma casta nefasta de políticos

Como resultado das últimas eleições para o Parlamento Europeu, os partidos extremistas e populistas de direita, os eurocéticos, avançaram em vários dos 28 Estados-membros da União Europeia. Agora, 140 dos 751 assentos do Legislativo comunitário, serão ocupados por deputados que não concordam com a forma como a UE funciona, ou a rejeitam radicalmente. Os partidos de extrema direita ganharam espaço nessas primeiras eleições convocadas desde a eclosão da crise da zona do euro. Em 2009, na eleição anterior, esses partidos conquistaram apenas 53 das 766 vagas. Após essas últimas eleições, em maio de 2014, esses deputados irão representar mais de 500 milhões de cidadãos residentes nas 28 nações que integram a União Europeia.
 
A Frente Nacional, o partido francês ultradireitista de Marine Le Pen, conseguiu apoio de cerca de 25% dos eleitores, tornando-se na principal força política da França, defendendo medidas como a saída da França da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), além da anulação do acordo de livre-comércio com os Estados Unidos. O Partido Socialista de François Hollande, obteve apenas 14% e qualificou o resultado como um "terremoto político": "Este é um momento muito sério e grave para a França e para a Europa. Estamos em uma crise de confiança, uma ira que repercute também na adesão ao projeto europeu". Os franceses têm um grande medo da globalização. Existe uma tendência protecionista do eleitorado e é exatamente isso o que a Frente Nacional oferece. 
                          
No Reino Unido, o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), uma formação populista que reivindica a saída da UE, ganhou as eleições com cerca de 27,5% dos votos, obtendo 24 cadeiras e derrotando o partido do premiê, David Cameron. É a primeira vez na história que nenhuma das duas principais forças políticas do Reino Unido - trabalhistas e conservadores - não ganham uma eleição nacional. "Todo o projeto europeu tem sido uma mentira", declarou Nigel Farage, líder do UKIP. "Não queremos apenas que a Grã-Gretanha deixe a União Europeia, queremos que a Europa deixe a UE".  
 
Na Alemanha, ultradireitistas do NPD, partido alemão que reúne defensores do neonazismo, conseguiu uma cadeira na Eurocâmara, mesmo sofrendo um processo que exige sua clandestinização no Tribunal Constitucional do país. Para a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o resultado foi "surpreendente e lamentável". Como o número de cadeiras é proporcional à população dos países europeus, os alemães possuem ao todo 96 assentos, devido à sua maior população e obtiveram 36% dos votos, dando a vitória à CDU (União Democrata Cristã), mesmo mostrando que houve uma queda em relação aos 41,5 dos votos conquistados na eleição federal de 2013. Mas, o partido de extrema direita, Alternativa para a Alemanha, ficou com 6,5% dos votos, defendendo políticas anti-imigratórias.
 
Na Grécia, o partido radical de esquerda e eurocético Syriza, conquistou cerca de 27% dos votos e o partido grego neonazista Amanhecer Dourado, ficou em terceiro lugar, com 9%. Na Dinamarca,o ultranacionalista Partido Popular Dinamarquês, obteve 23% da preferência eleitoral. Na Áustria, o Partido da Liberdade (FPÖ), populista de direita, ganhou mais oito pontos percentuais, conquistando 20,5% dos votos em todo o país. Na Hungria, o partido Jobbik de plataforma facista e antisemita, ficou em segundo lugar com 15% dos votos. Os países escandinavos são igualmente responsáveis por um maior número de agremiações de direita no Parlamento Europeu. E, as legendas que questionam a permanência de seus países na União Europeia, deverão ocupar agora 129 lugares.
 
Para o cientista político alemão Tim Spier, para evitar que os eleitores apoiem partidos extremistas, é preciso oferecer melhores condições de vida. Pois, os que votam nos agrupamentos mais radicais, são aqueles que se encontram abaixo do nível de bem-estar geral no seu próprio país. Os atuais resultados das urnas, também confirmam que os cidadãos sentiram os efeitos sociais da crise financeira na zona do euro. Portanto, é preciso atacar as causas e, a solução, é prover mais bem-estar e justiça social. "Uma Europa mais social, seguramente dificultaria a vida dos grupos de direita. Não podemos nos ver mais, apenas como uma união econômica, mas também como uma união social", afirmou. 

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