Faróis que iluminam na escuridão

Bolsonaro é remanescente dos esgotos da ditadura assassina, mãe de assassinos que prenderam, perseguiram e mataram brasileiros e brasileiras

Bolsonaro é remanescente dos esgotos da ditadura assassina, mãe de assassinos que prenderam, perseguiram e mataram brasileiros e brasileiras
Bolsonaro é remanescente dos esgotos da ditadura assassina, mãe de assassinos que prenderam, perseguiram e mataram brasileiros e brasileiras (Foto: Dom Orvandil)
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No Brasil encerramos a semana passada em meio a densas trevas de destruição humana por pessoas detentoras de todas as possibilidades de realizar o bem, mas que parecem, todavia, insistir que a nossa espécie seja projeto falido moralmente.

Nosso olhar para o interior de São Paulo recai sobre a cidade de Adamantina, onde o padre um negro foi destituído do seu cargo como vigário da paróquia Santo Antonio de Pádua, porque seu bispo diocesano aceitou o racismo e os preconceitos de um grupo oponente do padre e o deixou sem moradia, como nos informam as notícias de lá.

O padre Wilson Luiz Ramos sente as reações do grupo como racistas, discriminatórias e intolerantes, determinadas pela falta do diálogo respeitoso e conciliador. Pessoas que impulsionaram a estatística de meu blog nesta semana manifestaram-se através de comentários, de e-mails diretos a mim e algumas até por telefonemas, com uma só exceção, se sentem traídas pelo grupo dominante na cidade e por dom Luiz Antônio Cipolini (leia mais no blog +Cartas e Reflexões Proféticas), que se aliou aos interesses duvidosos dos que rejeitam o padre, sem compaixão para dialogar, ouvir e ajudar a construir o caminho da unidade. Tanto é verdade que o diocesano saiu enxotado do templo no domingo, dia 07 de dezembro, escoltado pela polícia e não dá explicações à mídia que o procura insistentemente. Por parte dos que apoiam o grupo excludente sobram argumentos infundados e de conceitos confusos, discriminatórios aos evangélicos e antiecumênicos, por essência, a cavalo da velha e superada arrogância imperial romana.

Os olhos brasileiros veem trevas medievais em Adamantina e negação dos pressupostos fundamentais da proposta de Jesus e anulação do amor pregado pelo Papa Francisco. O padre Wilson e sua mãe idosa se encontram hospedados em casas de moradores da cidade porque foram desalojados abruptamente da residência paroquial.

Os gestos nebulosos da diocese de Marília e de seu bispo dom Luiz Antônio são grosseira negação do Evangelho e prejuízo à construção de sociedade mais justa. Não devem nada a outros seguimentos autoritários e anti-diálogo atuantes em São Paulo.

Outro caudal de trevas que repercutiu por todo o País foi o encenado da tribuna da Câmara Federal pelo desqualificado Jair Bolsonaro, quando, espumando ódio, gritou à deputada gaúcha Maria do Rosário que não a estupraria porque ela não merecia. Já em entrevista ao jornal Zero Hora, no outro dia, o metralha nazista disse que não a estupraria porque ela é muito feia.

Tais derrames de bílis por parte deste ainda deputado são costumeiros e as pessoas bem informadas os acompanham há tempo.

Como educador lido com a ciência e sei que todos os fenômenos e eventos factuais têm causas. Bolsonaro elegeu-se por mais de 400 mil votos no Rio de Janeiro. É evidente que todos os seus eleitores não são das trevas como ele, mas é lógico que há explicação para tantos votos.

Bolsonaro é remanescente dos esgotos da ditadura assassina, mãe de assassinos que prenderam, perseguiram e mataram brasileiros e brasileiras, além de colaborar com outras ditaduras tenebrosas latino americanas.

Sabe-se que amplos setores das polícias ainda acolhem bandidos e torturadores de pobres, de negros e jovens trabalhadores. Boa parte desses criminosos usurpadores da segurança pública vota em Jair Bolsonaro. E ele sabe disso. Certamente conta com pessoas do mesmo naipe que atuam no judiciário e no ministério público, encobertos pela estrutura advinda do regime das trevas de 1964 e da impunidade.

Como boa parte dos policiais no Rio de Janeiro vive nababescamente do dinheiro pesado que escoa pelo esgoto do narcotráfico, o truculento e desrespeitoso Bolsonaro tem lá também seus eleitores, que o elegem para que colabore com esse estado de trevas. Fora os conservadores e corruptos que precisam de representantes no Congresso Nacional.

Por todas essas causas, pelo que significam como trevas que sombreiam o bem, o direito e a justiça, fragilizando a democracia, que a cassação de Jair Bolsonaro se faz urgente e necessária, ainda este ano, sem muito ritual. Precisamos estancar essa fonte de votos tingidos de fascismo, de machismo, de homofobia, de racismo e de ódio aos direitos humanos. Bolsonaro não expressa opinião diferente. Ele é o legítimo desrespeito aos diferentes e teme o debate. Portanto, é necessariamente excretável.

Outra nuvem pesada que voo sobre nós foi a trazida pelo relatório apresentado pela Comissão Nacional da Verdade. As lágrimas da Presidenta Dilma também rolaram pela dor e pela mancha de ódio em nossa história.

Sempre que uma mulher chora de dor todos sofrem. Pois a mulher mais importante em nosso País chorou ao ser tocada pelas lembranças das torturas, da falta de respeito, dos crimes hediondos que pessoas como Bolsonaro causaram em nossa Presidenta. Lembrou-se dos socos que recebeu, dos choques elétricos em paus de arara, dos estupros e do que viu acontecer quando bebês foram pisados pelas botinas sanguinárias dos torturadores e quando muitas mulheres foram profundamente feridas, inclusive perdendo as vidas.

Apesar de sua atuação limitada e ameaçada pelos torturadores, todos soltos e serelepes, o relatório da CNV nos lembra das trevas. Pior, trevas causadas pelo desvio terrorista das funções do Estado, que deixou de servir o povo e o Brasil, para ser usado por criminosos e assassinos. Em lágrimas a Presidenta discursou e lapidou uma frase que define as trevas nas quais mergulhou o Estado brasileiro durante o período ditatorial. Ao contar que ouvia todo o rosário de ameaças e ofensas, jamais esquecíveis, Dilma disse: "...ameaças ouvidas de um agente público no período em que esteve presa...".

Agentes públicos, pagos com os recursos do povo, apossaram-se do Estado para ofender, desrespeitar, humilhar, prender, torturar e matar cidadãos brasileiros, em altissonante desvio dos objetivos de propósitos e subversão dos direitos humanos.

Essa fase de trevas tem que ser superada e dela temos que nos libertar. Um dos caminhos, certamente o que mais clama por justiça e pelo esgarçamento da verdade, é a revisão do processo de anistia para possibilitar a apuração e investigação profundas dos crimes e os criminosos que prenderam, torturaram e mataram cidadãos que lutaram contra o arbítrio e o esmagamento da liberdade.

No contexto de impactos fortes nesta semana é que entra a esperança iluminada pela beleza de pessoas que nem de longe se assemelham ao bispo Luiz Antônio Cipolini nem a Bolsonaro e nem aos outros seus colegas de tortura, que fizeram a nossa Presidenta chorar de dor e que ofenderam nossa Pátria.

Frei Betto, como que num acender de luzes para a luminosidade que espanca as trevas, escreveu artigo (publicação online do Correio da Cidadania) explicando de que se trata o seu grupo ecumênico Emaús. Este é convictamente ecumênico e comprometido com o povo na luta por justiça social. Emaús foi um dos que produziram uma carta com conteúdo animando a Presidenta Dilma a dialogar com as bases da sociedade, de quem ela se afastou no primeiro governo, desta vez insistindo com as reformar que possibilitarão o Brasil a avançar mais profundamente na qualificação da vida do povo.

Outro lampejo de esperança foi um grandioso gesto de amor e tolerância que contou com a participação e protagonismo da pastora Sônia Mota da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil.

A pastora Sônia Mota e mais outros cristãos se reuniram com representantes do governo da Bahia na defesa de um grupo de membros de religiões de matriz africana e em sua solidariedade pelos casos graves de intolerância religiosa, recentemente ocorridos em Salvador. O ato revestiu-se de rico significado que levou a ialorixá mãe Branca a dizer emocionada: "As crianças não podem dizer que são do candomblé por que são discriminadas" e "saio daqui muito emocionada. É um acontecimento histórico para os povos de terreiro. Nunca imaginei que um dia receberia pastores em minha casa. Tenha certeza de que essa luta não será em vão" (informações do A Tarde online).

A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, desde sua fundação, destaca-se pelo ecumenismo, pela militância na defesa dos direitos humanos e, originariamente, por se opor à ditadura militar e seus crimes, apoiados pelos seus irmãos da Igreja Presbiteriana do Brasil, que contou com capelães militares e pastores entre os mais sádicos torturadores de presos políticos. É desse campo cristão sério e iluminador que nasce o testemunho humano e belo da querida pastora Sônia Mota, em defesa dos diretos à religião candomblé e demais afrodescendentes se afirmarem na sua fé.

E, finalmente, arrolo outra comovente e esperançosa luminosidade. O reverendo Fred Morris, pastor da Igreja Metodista nos Estados Unidos, atuou no Brasil, entre 1969 e 1974. Aqui foi preso por militares do Exército Brasileiro. Evidentemente foi barbaramente torturado.

Fred Morris não carrega mágoas nem rancor. Pelo contrário, testemunha sobre o que aprendeu sobre a indignidade das torturas.

Ainda em 1974 ele disse com experiência e reflexão sobre as torturas: "A tortura embrutece e desumanize não apenas aqueles que são torturados mas aqueles que torturam, aqueles que são intimidados pela tortura de outros, e aqueles que se esforçam para ignorar o fato que tortura existe."(Publicado pelo blog Rede Metodista Confessante).

A tortura é a mais pesada escuridão que aleija as almas humanas e humilha eticamente o mais belo poema do amor revolucionário, que anima os sonhos e as lutas na lapidação da sociedade mais justa.

O Grupo Emaús, a pastora Sônia Mota e o pastor Fred Morris são lâmpadas poderosas que rasgam os céus e espancam as trevas.

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