Farra do boi - a tragédia chamada de “tradição” que acontece em Santa Catarina

Mesmo proibida, as farras de fim de ano continuam acontecendo com muita frequência no Estado de Santa Catarina. A farra do boi causa danos ao patrimônio público, segurança pública, crime ambiental e maus-tratos aos animais

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Mesmo proibida, as farras de fim de ano continuam acontecendo com muita frequência no Estado de Santa Catarina. Somente no dia 23 de dezembro, o Coletivo Brasil Contra Farra (@brasilcontrafarra) registrou 3 ocorrências em Florianópolis, duas no bairro Rio Vermelho e uma na Vargem Pequena.

Na tarde deste domingo (23), a  Polícia Militar de Florianópolis atendeu ao chamado da população para atender o primeiro registro de farra do boi de Natal.

Segundo a polícia, durante a farra, devido ao estresse do linchamento e por estar muito machucado, o animal feriu uma pessoa no olho gravemente - sem informação se era farrista, ou não.

Transtornado por causa da farra, o boi ainda invadiu uma residência causando danos, danificou uma das viaturas e quase atropelou agentes do SAMU em atendimento a acidente de trânsito.

Um laçador do 22° Batalhão da Polícia Militar, de folga, foi chamado e tentou captura-ló, mas não foi possível já que o boi estava muito agitado. Assim, a polícia abateu o boi no local. É importante ressaltar que, ainda que a polícia não abatesse o boi no local (vídeo), os bovinos usados na farra são bois que os mandantes retiram os brincos, para que sua identidade não seja identificada; e assim, os animais são considerados clandestinos, sendo encaminhados após o recolhimento para a Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina), cujo destino é o sacrifício.

A Polícia Militar justifica o sacrifício a céu aberto para preservar a integridade física dos moradores locais e do patrimônio público e privado, e que todos os princípios do uso progressivo da força foram utilizados na ocorrência.

O Coletivo Brasil Contra Farra acredita que as farras vão se intensificar nos municípios de Florianópolis, Porto Belo e Governador Celso Ramos nos próximos dias de festas até o Réveillon; como é recorrente nesta época do ano.

O Estado de Santa Catarina já deve mais de 1 milhão por falta de políticas públicas de combate à farra do boi. Um dos principais motivos dos bois serem linchados é a falta de carretas e laçadores que possam recolher os bois e inibir a ação dos farristas. Outro motivo que dificulta o combate é que as leis ambientais são brandas, onde  lavra-se um Termo Circunstanciado e o criminoso é liberado em seguida.

Acredita-se também que haja interesses de facções de outros setores no incentivo à prática no Estado.

Para o Coletivo Brasil Contra Farra, o Ministério Público deveria entrar com uma Ação Civil Pública para mudar as normativas da Cidasc a fim de que os bois possam ser examinados para eliminar a hipótese de viroses e contaminações, com o objetivo de serem rebrincados e encaminhados para santuários e sítios de defesa animal a fim de lhes dar dignidade através de adoção responsável, cujo subsídio deveria ser de responsabilidade do Estado.

A ação deve contemplar também que o Estado repasse multa aos municípios por falta de empenho ao combate à farra do boi. A farra do boi causa danos ao patrimônio público, segurança pública, crime ambiental e maus-tratos aos animais.

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