Fato inusitado: Rússia aprofunda isolamento americano na cena internacional a partir da Ucrânia

"Choque cambial russo sobre o dólar pode ser considerado o primeiro tiro de canhão atômico russo na hegemonia monetária americana", escreve César Fonseca

www.brasil247.com - Dmitry Peskov, secretário de imprensa do governo russo, e o presidente Vladimir Putin
Dmitry Peskov, secretário de imprensa do governo russo, e o presidente Vladimir Putin (Foto: Dmitry Peskov, secretário de imprensa do presidente russo, Vladimir Putin + circulos de dolar e do euro)


Por César Fonseca 

Claríssimo: Lavrov explicitou o objetivo da Rússia: acabar com a hegemonia imperialista norte-americana a partir da desmoralização da sua moeda falsa: o dólar; o padrão-dólar, em vigor desde o fim do padrão ouro, em 1971, levou uma cacetada federal com a jogada de Putin em cima de Biden de exigir conversão da moeda americana em rublo para comprar mercadorias russas na Rússia; os cliente da Rússia, especialmente, europeus, precisam depositar dólar em banco estatal russo que faz a conversão para rublo, liberando, assim, a liquidação cambial; na prática, Putin estatizou o BC russo e tornou pública a oferta de crédito no país, escanteando a banca privada, subordinada à autoridade finaneira estatal; ou seja, a Rússia fixou o valor da sua moeda na conversão cambial; c'est fini o livre-cambismo imperialista; estabeleceu sua política monetária e seu Banco Central independente do domínio financeiro privado nacional e internacional; antes, vigorava o BC Independente do Estado, a favor do setor privado, como ocorre, atualmente, no Brasil neoliberal bolsonarista; a economia russa não está mais sujeita à variação cambial do dólar nos mercados especulativos, o que dava vantagem comercial para moeda americana em relação às demais moedas; Putin estabeleceu, com um golpe de judô, o nacionalismo monetário russo soberano, na relação internacional; esse choque cambial russo sobre o dólar pode ser considerado o primeiro tiro de canhão atômico russo na hegemonia monetária americana, que tenta arregimentar, agora, aliados para mover guerra contra Rússia a partir da Ucrânia, transformada em base militar de Tio Sam, objetivando guerra prolongada.

PREDISPOSIÇÃO TOTAL PARA GUERRA IMPERIALISTA

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Biden descarta o cessar fogo na Ucrânia, em negociação entre Rússia e Ucrânia, com os pressupostos russos acentuados por Putin, como defesa da neutralidade ucraniana frente a Washington  e cumprimento da exigência russa para que Ucrânia jamais seja parte da OTAN; Biden, diante dessa posição da Rússia, estimula, não o fim, mas a continuidade da guerra, que EUA apoia, para que não fique explícita a vitória russa, imposta a partir do campo de batalha, depois que a OTAN negou-se a todas as tentativas diplomáticas russas; ao contrário, agora, diante do perigo da vitória de Putin, Otan e Estados Unidos dobram aposta na guerra e enviam dinheiro grosso para o governo ucraniano, que, no entanto, está sem poder de ação, visto que as forças armadas ucranianas estão completamente dizimadas pelos ataques russos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

FRACASSO DAS SANÇÕES, VITÓRIA RUSSA

As sanções americanas à Rússia, por outro lado, não estão sendo eficazes, porque os clientes do petróleo, do gás e dos minérios russos não podem radicalizar contra a decisão de Putin de só receber em pagamento por elas o rublo e não mais o dólar depositado em bancos estrangeiros; estes, diante das sanções de Biden, transformaram-se em ladrões piratas da poupança russa no estrangeiro; os europeus, nesse cenário, correm o risco de ficar sem as mercadorias, indispensáveis para eles; para piorar, os Estados Unidos não têm poder de compensar, imediatamente, os europeus, que se engajaram a Biden contra Putin, dada insuficiência da oferta de matérias primas disponíveis nos Estados Unidos para a Europa, com o agravante da alta de preços, que elevaria inflação europeia a níveis insuportáveis etc; a tendência europeia seria a de afastar-se da Otan, ou seja, dos Estados Unidos, que deixam de ser úteis aos europeus, em comparação à utilidade expressa pela Rússia, com sua oferta de matérias primas indispensáveis à população europeia; quem está se isolando, aos olhos dos europeus - e do mundo -, portanto, não é a Rússia, mas os Estados Unidos, que tentam forçar esse isolamento contrário ao interesse público, na Europa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

ESTRATÉGIA DE UM CRAQUE

Portanto, é por aí que a Rússia está começando a materializar a pregação de Lavrov, ou seja, a desmontagem da hegemonia imperialista dos Estados Unidos; Biden, na base do desespero, tenta, agora, forçar a China e, também, a Índia a se distanciar da Rússia; o objetivo dele é isolar a Rússia, para tentar destruí-la, militarmente, como os líderes europeus, na Otan, evidenciam, de forma clara; nem China nem Índia, que fazem, com a Rússia, parte dos Brics, mostram-se predispostos a atenderem o presidente americano; da mesma forma, Biden vai encontrando dificuldades crescentes para manter europeus unidos em torno da Otan, liderada pelos Estados Unidos, a fim de cumprir sua pregação pela guerra contra Putin; a Europa teme pelo pior, se não tiver acesso às matérias primas russas, indispensáveis à sobrevivência econômica do velho continente; em vez de estar conseguindo isolar a Rússia, o que se verifica, aparente e substancialmente, é o relativo distanciamento dos aliados de Biden da potência outrora hegemônica; aliar-se a ela deixou de ser segurança coletiva garantida. 

DÓLAR VIRA PROBLEMA, NÃO SOLUÇÃO

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A moeda americana,  ao contrário, transformou-se em insegurança crônica; isso se torna uma realidade cada vez mais comprometedora, se o mercado financeiro internacional aprofundar desconfiança na moeda americana como valor seguro nas relações de troca internacionais, especialmente, com o avanço financeiro e econômico da China, apoiada no crédito público, distribuído por bancos estatais, no domínio do comércio internacional; Washington, subordinada aos bancos privados que mandam no BC americano, não pode fazer o jogo chinês; Kennedy tentou fazer isso, mataram ele; a tudo isso deve ser acrescentado o fato determinante da aliança militar econômica e financeira China-Rússia, atraindo os Brics, para avançar na nova fronteira econômica mundial, a Eurásia, ao longo do quente século 21.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email