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Paulino Cardoso

Historiador, analista geopolítico e Editor do Mundo Multipolar

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Faz sentido o chororô da esquerda brasileira com as eleições na Europa?

Ciosas de seus ancestrais europeus, essa gente ainda acredita que a Europa ocidental é o centro do mundo

(Foto: REUTERS/Yves Herman)

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Os brados desesperados das esquerdas, ou quem sabe, progressistas brasileiros, só não é maior que o da Globo e de toda mídia corporativa internacional. O chororô é tanto que o jornalista e editor internacional do site Brasil 247, José Reinaldo Carvalho¹, foi obrigado a escrever uma coluna recente alertando para o fato que o crescimento dos partidos de extrema direita, não implica necessariamente em uma frente ampla sob liderança da direita liberal, também conhecida como direita cheirosa.

Em primeiro lugar, a surra, principalmente na Alemanha de Olaf “salsicha de fígado” Sholz e Emmanuel Macron, vulgo Napoleão III, era mais que esperada por conta de suas políticas belicistas que ameaçam levar a Europa a uma confrontação direta com a Federação Russa. No caso da Alemanha, a submissão do país ao Império estadunidense, levou a nação a uma gigantesca crise econômica com o fechamento de negócios e saída de empresas para os EUA e outros, devido à perda do gás russo barato. A política dos Verdes, retirou subsídios aos agricultores, levou ao fechamento das usinas nucleares germânicas. Já, Macron, funcionário dos Rothschild, preside um governo profundamente impopular, violento com as manifestações populares e comprometido com a banca e pouco com os franceses.

Combine isso com uma esquerda, com raras exceções, derrotista que desde os anos 1990, deixou de mão as pautas trabalhistas, anti-imperialistas, para abraçar a agenda woke estadunidense e suas pautas identitárias. Incapaz de viabilizar um discurso anti-sistema, abriu espaço lá, assim como no Brasil e Argentina, ao crescimento da chamada extrema direita que foi capaz de captar o sentimento de insatisfação popular.

O problema é que, como vimos na Itália da primeira-ministra Giorgia Meloni, o voto de protesto dos populares europeus, não irá significar uma mudança importante nas suas vidas. A Europa continuará caminhando a passos largos para insignificância geopolítica e geoeconômica, um penhasco estéril no extremo-oeste da Ásia, como o era a duzentos antes de tomar consciência de si mesma.

Do ponto de vista do Sul Global, quanto mais em crise , um clima de guerra civil imperarem no Atlântico Norte, melhor para nós, pois o bem estar de lá deveu-se a colonização do Leste Europeu (perceberam a distribuição geográfica dos votos na Alemanha?) e do neocolonialismo mais descarado de África, Ásia e América Latina. Não é de estranhar o compromisso do Ocidente Coletivo com a entidade sionista e genocida na Ásia Ocidental.

Essa sensibilidade extrema com o destino da Europa, também revela o profundo viralatismo de uma esquerda que não se importa com a prisão infinita do presidente Pedro Castilho no Peru. É crítica dos governos de Nicarágua, Venezuela e Cuba. Não entende a importância geopolítica e anti-imperialista de Irã, Rússia, China e Coreia Popular. Não são contrárias às administrações de Laos, Camboja e Vietnã, porque teriam dificuldades de apontá-los no mapa.

Ciosas de seus ancestrais europeus e de sua formação em Portugal, Espanha, Alemanha, Bélgica e, não podia faltar na lista, a França da Sorbonne, essa gente ainda acredita que a Europa ocidental é o centro do mundo e o coração da dita comunidade internacional. Como bem denunciou Breno Altman, o silêncio dos intelectuais e das universidades brasileiras acerca do genocídio palestino é fruto do medo de perder seus financiamentos internacionais, em especial, alemão.²

Uma esquerda comprometida com “um outro mundo é possível” deveria estar atenta aos movimentos incríveis nos países ditos em desenvolvimento. Árabia Saudita, depois de normalizar suas relações com o Irã, enterrou de vez o petrodólares ao negociar em moedas nacionais, inclusive com a China. Se prestarem atenção à estrutura de conexão global, intermodal, capitaneada por China, Irã, Rússia, verão que a velha Ásia volta para o lugar que possuía há milênios: ser o centro do mundo e de encontro de civilizações.

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