Festa retrógrada

Com um presidente golpista conspirando nos EUA contra a Venezuela, censura e juízes togados tomando decisões típicas da Idade Média, o Brasil atravessa tempos de breu

Festa retrógrada
Festa retrógrada (Foto: Beto Barata/PR)

(originalmente publicado no Nocaute)

Então o ilegítimo Michel Temer foi para Nova York. Na agenda dele, estava previsto um jantar com Donald Trump. Ele, e também estava prevista a presença do Juan Manuel Santos, presidente – esse sim, legítimo – da Colômbia. No cardápio, evidentemente, a Venezuela. Vamos ver o que é que o Temer vai aprontar com o Trump.

Por falar em Temer, eu tenho me divertido por esses dias vendo nos jornalões, apesar da prescrição médica, eu de vez em quando me distraio e vejo Rede Globo. A comparação entre a situação do Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Lula, e o Michel Temer. E se destaca que os dois se dizem perseguidos pela Justiça.

Realmente, há essa coincidência. Não há como negar. Mas há uma diferença que ninguém lembra, ninguém menciona. O Temer foi chamado de “chefe do quadrilhão do PMDB” pela Polícia Federal. Do Temer sobram provas, não só denúncias, provas, fotografias, o homem correndo com a mala, os milhões do nosso Geddel Vieira.

E contra o Lula não há prova alguma. Só delações, algumas patéticas, como a do Antonio Palocci, que não têm efeito jurídico nenhum. Efeito político, sim, tremendo. Mas efeito jurídico nenhum. Contra o Lula, na verdade, o que existe é uma obsessão de um juiz de província, Sérgio Moro, herói da direita e daquele bando de jovens procuradores evangélicos, fanáticos.

Por falar em juiz. Por falar em juiz, eu fico cada vez mais pasmo com esses energúmenos togados. Vou dar o nome de um deles, com licença, eu vou ler. Chama-se Leandro Bittencourt Cano. Esse camarada é juiz da vara contra a violência doméstica e a família. Ele absolveu um pai que surrou a filha com fio elétrico, rapou o cabelo da menina que tem 13 anos, porque descobriu que ela perdeu a virgindade.

A sentença do Cano diz que o que o pai fez foi um mero exercício do direito de correção. O que fazer com um togado desses?

Agora tem outro, de Brasília. Chama-se Waldemar de Carvalho. Dia desses ele autorizou psicólogos a aplicar, como é que é mesmo? “Terapia de reversão sexual”. A cura gay. Gente, não tem o que fazer com essa classe de juiz, com essa classe de, sei lá o que dizer, um sacripanta desses. Eu acho que não, eu acho que não. Porque a gente está vivendo tempos de breu neste país náufrago, de náufragos.

A questão da censura, por exemplo. Quer dizer. O Santander fechou uma exposição em Porto Alegre. Um delegado de polícia de Campo Grande vai e apreende um quadro. Baseado em quê? Em uma exposição. Vai lá e apreende o quadro. O juiz de Jundiaí proíbe a exibição de uma peça. E claro, a bancada evangélica tratou de censurar uma exposição em Brasília.

Isso tudo é péssimo. É péssimo, é péssimo. É assustador. É ameaçador. Para fechar esse quadro de ameaças, eu quero lembrar vocês que eu sou da geração que viveu a ditadura no Brasil. Fui embora do Brasil, acompanhei a ditadura argentina, padeci o exílio argentino.

Há um general da ativa que se chama Antonio Hamilton Mourão. General da ativa. Não é daqueles velhinhos do Clube Militar aqui do Rio de Janeiro, aquela cova de reacionários. Não, eles têm um general da ativa. Ele, fardado, disse que há planos, e que numa dessas haverá sim uma intervenção militar.

O que aconteceu com ele? Passados quatro dias, nada. Nada. Não houve uma reprimenda por insubordinação hierárquica, o empertigado Raul Jungmann, ministro da Defesa do governo golpista, covarde, não abriu a boca.

E o poltrão do Michel Temer, traidor, conspirador, ilegítimo, foi para Nova York sem dar um pio. Este país me envergonha.

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