Filme resgata atentado político em Rondônia

Corria o ano de 1962 e a disputa por uma vaga de deputado federal foi decidida com violência. Se passaram mais de cinco décadas, mas saiu a versão do jornalista Zola Xavier com o documentário Caçambada Cutuba

Corria o ano de 1962 e a disputa por uma vaga de deputado federal foi decidida com violência.

Há quem chame de acidente um evento com mortos e feridos e quem sempre considerou a história mal contada.

Se passaram mais de cinco décadas, mas saiu a versão do jornalista Zola Xavier com o documentário Caçambada Cutuba, exibido hoje em Porto Velho, capital do estado.

É resgate histórico que traz depoimentos de quem testemunhou um comício da Frente Popular ser interrompido por uma caçamba da prefeitura que passou por cima do povo.

Até hoje se discute se foi um acidente, se houve mortes e se o motorista da caçamba da prefeitura comandada por um ‘cutuba’, recebeu ordens para o ato tresloucado.

Zola foi buscar informações em documentos processuais do Centro de Documentação Histórica do TJ/RO e conseguiu na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, um exemplar do Jornal Alto Madeira com a seguinte manchete: “Trágico acidente no bairro Olaria; 1 morto e 25 feridos”.

A lista das vítimas que na época o jornal prometeu divulgar, foi sepultada a mando de gente muito poderosa.

Cutubas e Peles Curtas, assim eram chamados os grupos que se opunham na arena política.

No trágico 26 de setembro dois comícios foram realizados, o do coronel Ênio dos Santos Pinheiro, candidato apoiado por militares e pela elite local e o do médico Renato Clímaco Borralho de Medeiros (PSP), da coligação de centro-esquerda que se formara.

Corre de boca em boca que o então Território Federal de Rondônia tinha um ex-governador que se comportava como dono de tudo e todos, Aluízio Pinheiro Ferreira. O coronel Ênio era seu sobrinho e também já havia governado.

Foi contra cerca de quatro mil pessoas que ouviam o candidato da frente por renovação política que a caçamba avançou.

A eleição enfuriada, dizem, descambou no desespero da corrente política que mandava e desmandava para frear o avanço da Frente Popular.

Renato Medeiros venceu a eleição, mas foi cassado com o golpe de 1964 e teve seus direitos políticos suspensos por 10 anos, por força do Ato Institucional nº 1.

Seu nome estava em uma das listas de cassações de deputados federais interrompidos pelo regime militar.

Art. 10 – No interesse da paz e da honra nacional, e sem as limitações previstas na Constituição, os Comandantes-em-Chefe, que editam o presente Ato, poderão suspender os direitos políticos pelo prazo de dez (10) anos e cassar mandatos legislativos federais, estaduais e municipais, excluída a apreciação judicial desses atos.

O filme não encerra a controvérsia, mas disponibiliza versão com depoimentos e documentos que tentaram calar e ocultar.

A exibição será no Teatro Guaporé, a partir das 19 horas, nesta sexta-feira, 13.

O jornalista conta que desde que anunciou o lançamento do documentário vem sendo ‘alertado’ sobre as ações judiciais que vai enfrentar.

A tentativa de censura segue, mas a história não é como um trem que não desvia do seu destino.

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