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André Barroso

Artista plástico da escola de Belas Artes da UFRJ com curso de pós-graduação em Educação e patrimônio cultural e artístico pela UNB. Trabalhou nos jornais O Fluminense, Diário da tarde (MG), Jornal do Sol (BA), O Dia, Jornal do Brasil, Extra e Diário Lance; além do semanário pasquim e colaboração com a Folha de São Paulo e Correio Braziliense. 18h50 pronto

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Flávio ativa os tanques virtuais como cortina de fumaça

Flávio Bolsonaro tenta criar cortina de fumaça com articulação nos EUA enquanto crescem questionamentos sobre o financiamento de filme ligado ao clã

Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Donald Trump (Foto: Reprodução)
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Contam que Flávio Bolsonaro está desesperado para salvar sua candidatura. Até agosto, o pré-candidato está tentando desviar a atenção com a ida aos Estados Unidos e mostrar uma suposta força internacional para seus eleitores e para a imprensa. Existe a chance de aproveitar sua estadia e apagar rastros sobre o dinheiro de Vorcaro. Logo depois, temos a Copa do Mundo, que vai dar mais um fôlego, junto com as férias escolares. Paulo Figueiredo não confirmou a reunião com Trump, o que pode reforçar a ideia de um teatro para seus seguidores.

Não dá para encobrir as digitais de uma ação de colarinho branco. Mesmo quando você tem interlocutores que entendem do riscado. Flávio Bolsonaro sempre fez de tudo para não alertar o Coaf. Basta lembrar das rachadinhas, basta lembrar do esquema milionário da loja de chocolates. Sempre houve o cuidado para manter o fluxo ilícito de dinheiro e impunidade. Ter uma grande bancada de extrema direita que se protege e desarma as fiscalizações. A produção do filme, que possivelmente não seria feito para ser lançado, seria a possibilidade de arrecadar um valor vultoso do banco Master. Os valores que chegariam à mão de Flávio seriam muito mais do que os 134 milhões de reais. O mesmo valor do filme Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (2011).

O jornal britânico Financial Times classificou o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, como uma “comédia de erros”. Nada na produção do filme tem uma resposta lógica e conclusiva. Em todas as fases você encontra problemas. Uma produtora que nunca fez filme recebe um aporte que nenhuma produção brasileira recebeu até hoje, com notas fiscais frias, produção sem nenhuma autorização de funcionamento, roteiro e filmagem não condizentes com o aporte recebido, patrocínio não explicado do banco Master, contrato de financiamento que iria ser mostrado e nunca chegou ao público, entre tantas e tantas irregularidades.

A empresa Go Up, produtora do filme, foi criada em junho de 2025, mas os áudios de Mário Frias agradecendo a Daniel Vorcaro por investir R$ 61 milhões são de dezembro de 2024. Tudo é sempre envolto em problemas. Estava certo Walter Benjamin, quando falou que a função social do cinema não é concebível, mesmo “em seus traços mais positivos, e precisamente neles, sem seu lado destrutivo e catártico: a liquidação do valor tradicional do patrimônio da cultura”. Não podemos esquecer que, apesar de o clã Bolsonaro demonizar a cultura, demonizar a Lei Rouanet, tirar o status de ministério da Cultura para secretaria da Cultura e colocar Roberto Alvim com todas as referências nazistas de Goebbels em seu pronunciamento, está recorrendo ao cinema para tentar criar fato político e chamar a atenção.

Diferente da Itália fascista, que fazia filmes históricos de propaganda como Scipione l'Africano (1937), e da Alemanha nazista, para glorificar Hitler, com Leni Riefenstahl, a campanha de Flávio tenta usar a estratégia americana que, durante a Segunda Guerra Mundial, Hollywood produziu documentários para moldar a percepção da população no período eleitoral. Você encontra informações no documentário Five Came Back, de Laurent Bouzereau. Antonio Gramsci entende que o cinema não reflete apenas a realidade, mas a reconfigura. Ajuda na construção de um mito, cria apelo às paixões e dissemina ideologias. O filme é o trunfo de Flávio Bolsonaro para a eleição. Seria a facada de Jair Bolsonaro. Mas o descontrole com a narrativa não era esperado por ele. Ativar tanques virtuais para sua bolha pode funcionar, mas não consegue, neste momento, atingir indecisos.

Os fins que justificam os meios malandros têm que ser discutidos. Flávio Bolsonaro errou na sua mira. Seus tanques virtuais não conseguem passar assim, sem nenhum solavanco.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.