Flávio Bolsonaro é o fruto do vira-latismo, do projeto entreguista: Trump e a relação com a extrema direita
A direita brasileira, desde os áureos tempos da ditadura, acostumou-se a se ajoelhar diante de governos estadunidenses
Não é de hoje que a família Bolsonaro e seus correligionários atuam como traidores da pátria. Sob o discurso de um nacionalismo às avessas, constrói-se um projeto anti-Brasil. Não se enganem: não se trata apenas de um ex-presidente golpista, mas sim de uma estrutura que amplia um projeto de colônia dos Estados Unidos sobre a América Latina.
O candidato à Presidência da República e filho de Bolsonaro (ex-presidente condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado no último ano), Flávio, em discurso recente, colocou toda a sua trama de covardia e antipatriotismo, aprofundando não apenas uma crise institucional com a China, mas colocando em xeque um real projeto de país.
PRIVATIZAÇÕES, INFLAÇÃO, CRISE DO PETRÓLEO
No governo Bolsonaro, refinarias foram privatizadas. O entreguismo se contextualizou na forma de inflação desenfreada sobre os combustíveis, em especial diante da guerra tramada por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Com o aumento das importações, o governo federal buscou alternativas, como a isenção de impostos sobre os combustíveis.
A ação foi definida como necessária, mas insuficiente, devido à insubordinação do mercado na relação entre oferta e demanda no mercado internacional. Alinhada a tudo isso, houve uma política econômica voltada à desregulação da Petrobras, especialmente no controle de preços. Em 2016, Michel Temer, presidente na ocasião, adotou uma medida econômica de paridade internacional do petróleo, fazendo com que cada barril fosse comercializado em dólar, prevendo oscilações do mercado internacional.
Dentro desse contexto, Bolsonaro e Temer, ex-presidentes, transformaram um país protagonista latino-americano em um “lacaio”, que aceita a subserviência e celebra seu ‘vira-latismo’ com orgulho. O controle da estatal na regulação de preços representa a subsistência de uma nação poderosa que não aceitou o imperialismo e resiste.
ESTADOS UNIDOS, TRUMP E VIRA-LATISMO: EXTREMA DIREITA NO BRASIL
A direita brasileira, desde os áureos tempos da ditadura, acostumou-se a se ajoelhar diante de governos estadunidenses, numa espécie de “guerra contra o comunismo”. As aspas parecem ironia, mas não: direita e extrema direita se uniram em um conformismo de insanidade política, acreditando em um suposto controle de governos socialistas. A relação entre Brasil e China sintetiza esse cenário, cujo mercado, liderado pelo Partido Comunista Chinês, traz perspectivas de globalização — e não o famigerado autoritarismo propagado por liberais.
Se a burguesia golpista liderada por Donald Trump não prevê regulação midiática, com informações falsas sendo vendidas em larga escala, o imperialismo se traveste de democracia para o Ocidente, numa estrutura de maniqueísmo e manipulação da informação, sob o controle hegemônico de um país cuja nação se mostra cada vez mais decadente.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro (PL — Partido Liberal) fazem parte de uma parcela de líderes latino-americanos, como María Corina (apoiadora de Trump na tentativa de captura do presidente venezuelano, Maduro) e Milei, que não apenas desmontou o funcionalismo público na Argentina, mas ajudou a transformar a Casa Rosada em terreno simbólico dos Estados Unidos.
“El Loco”, como é conhecido na “cidade-luz” sul-americana, em um dos encontros com o grupo de Donald Trump categorizado como “Los Traidores”, ajudou a simbolizar uma das cenas mais vergonhosas da história: a vergonha de não saber falar inglês e, pior, pedir perdão por isso. Milei é efeito de uma direita caricata e incompetente, que aprendeu a adotar o colonialismo como ferramenta de passividade e alienação política e social.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
