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Jeferson Miola

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Folha é porta-voz de bolsonaristas da PF na guerra contra Lula

Jornal transforma boatos em manchetes, distorce investigações sob sigilo e alimenta uma ofensiva política para desgastar Lula e atingir seu governo

Lula, Janja e Folha de S. Paulo (Foto: Ricardo Stuckert/PR | Divulgação)

Em matéria assinada pela jornalista Mônica Bergamo [8/3], o jornal Folha de São Paulo afirma que “a possibilidade de a PF [Polícia Federal] pedir a prisão de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, divide a corporação e está elevando a tensão em Brasília”.

Esta afirmação, totalmente disparatada e inventada, é produto de versões produzidas por bolsonaristas incrustrados na PF, não um desdobramento de investigações em andamento.

A própria matéria reconhece isso ao dizer que, devido ao sigilo do processo que tramita no STF, “não é possível saber oficialmente se, junto com o pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha, autorizado por Mendonça, os policiais encarregados da investigação solicitaram também que ele fosse preso”.

Embora a Folha reconheça que “não é possível saber oficialmente” se foi solicitada a prisão, a diz que “a discussão interna, no entanto, existe”, e “delegados que têm trânsito no gabinete do ministro do STF André Mendonça defendem a ideia”.

Ora, o próprio jornal assumiu que não sabe se o pedido de prisão é realidade ou fantasia, mas mesmo assim transformou em notícia o que não passa de manipulação criminosa de policiais bolsonaristas da PF interessados em atingir o presidente Lula e comprometer a reeleição dele.

A Folha de São Paulo precisa esclarecer porque dá publicidade não a um fato, mas a uma nítida manipulação de um fato, sabendo de antemão dos efeitos altamente prejudiciais desta mentira para o governo e para a imagem do presidente da República?

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, da defesa de Fábio Luís, manifestou perplexidade e indignação. Ele declarou à Folha acreditar “que tudo não passe de fofoca. Não havia nem sequer justificativa para a PF fazer o pedido de quebra dos sigilos, já que o Fábio havia comunicado ao Supremo a disposição voluntária, espontânea e efetiva de colaborar com as investigações”.

A Folha de São Paulo assumiu a posição política e editorial de combate sem tréguas a Lula, do mesmo modo que há duas semanas assumiu a vanguarda da reação patronal-escravocrata ao fim da jornada 6×1 – ou seja, um lado claro da história.

O Grupo Folha, assim como Globo, Estadão e outras famílias da mídia dominante sentiram “cheiro de sangue” com a recuperação da expectativa eleitoral do bloco anti-Lula. Neste “cenário de oportunidade”, se jogaram de cabeça com seus jornalismos de guerra.

Nessa guerra, a mídia emprega armas sujas, e não tem limite das imundícies que lança mão. Exemplo notório foi a edição impressa da Folha da 6ª feira passada, 6/3, que destacou como escândalo que “Filho de Lula movimentou R$ 19,5 milhões em 4 anos”.

A Folha agiu assim, com esta manchete de capa criminalizadora, mesmo depois de receber dos advogados de Fábio Luís os esclarecimentos com informações concretas que desmentem categoricamente a matéria baseada em dados manipulados e vazados criminosamente por alguém – ou pela CPMI, ou pela PF.

Portanto, é óbvio que depois de ter conhecido no dia anterior os esclarecimentos, a Folha jamais poderia estampar na capa da edição do dia seguinte a manchete falsa sobre suposta movimentação financeira irregular do filho do presidente.

No entanto, a Folha fez isso, como faz novamente agora, com esta insinuação canalha sobre a prisão de Fábio Luiz.

Este jornal que um dia classificou a ditadura sanguinária como “ditabranda” assumiu o posto de porta-voz dos setores bolsonaristas da PF que querem destruir Lula para abrir o caminho para a barbárie com Flávio Bolsonaro.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.