Força do campo progressista deve ser a ideologia que apavora olavetes e bolsonaristas

As forças progressistas ainda penam para entender como funciona a máquina do atraso operada pelos agentes a serviço do obscurantismo no Brasil – e titubeiam com posturas frágeis quando deveriam marcar posição a favor das próprias bandeiras. O retrocesso age pelo constrangimento e pela psicologia reversa para inibir e despersonalizar o adversário

Força do campo progressista deve ser a ideologia que apavora olavetes e bolsonaristas
Força do campo progressista deve ser a ideologia que apavora olavetes e bolsonaristas (Foto: CLAYTON DE SOUZA)

As forças progressistas ainda penam para entender como funciona a máquina do atraso operada pelos agentes a serviço do obscurantismo no Brasil – e titubeiam com posturas frágeis quando deveriam marcar posição a favor das próprias bandeiras 

É preciso entender: o retrocesso age pelo constrangimento e pela psicologia reversa para inibir e despersonalizar o adversário.

O séquito pressiona opositores a se justificar, recuar e se mostrar perfilados com valores cultuados só no campo da retórica pelos autoproclamados “cidadãos de bem”.

E – tragicamente - os progressistas são engolfados pela necessidade de se apresentar como isentos, corretos e adequados a um estado de coisas cuja única finalidade é lhes humilhar, oprimir e eliminar.

É vital dar um basta à armadilha ideológica e ao cárcere mental erguido pelo conservadorismo com mentiras, ilações, desprezo absoluto pela verdade, negação da história e outras práticas nefastas adotadas tão somente com o propósito de esconder o próprio vazio e manter os progressistas intimidados na defensiva.

A divulgação recente do vídeo de uma professora em sala de aula crítica a Olavo de Carvalho por uma militante do PSL e toda a tentativa de criar o ambiente para o domínio ideológico do obscurantismo nas escolas exemplificam como é insuficiente o combate a essa agenda retrógrada.

Não basta apenas condenar a autora do vídeo. É necessário defender a postura da docente de rebater os delírios de um guru embriagado pela masturbação de uma ausência total de raciocínio consistente.

Instruir alunos contra a toxidade intelectual do patriota de araque, exigir deles criticidade frente ao vácuo lógico do astrólogo e observar a necessidade de desenvolver valores humanistas em busca de uma sociedade justa e inclusiva é ideologia esquerdista?

Ótimo. Precisamos disso nas escolas. Intensifique-se o enfrentamento ao retrocesso civilizatório.

A humanidade não pode tolerar, cabisbaixa e resignada, um retorno às crendices dos tempos medievais do terraplanismo, da submissão feminina, do preconceito e do apartheid socioeconômico – menina dos olhos de uma elite delinquente, entreguista e escravista.

A esquerda precisa lutar é pela criação e popularização de aulas contra dogmas olavetes, a favor de Paulo Freire, com tributos, relançamentos, exigência de ampliação do conteúdo sobre o educador nas salas, como contraponto enérgico à fúria dos descerebrados da internet.

É imperativo inverter a pauta, estabelecer a prioridade de assuntos, enfrentar com a mesma intensidade os ataques patrocinados pelas hordas reacionárias e pelos robôs espalhados pelas redes sociais – mas com inteligência, conhecimento e outras conquistas da humanidade com as quais eles não têm a menor intimidade.

Se o governo anuncia retaliação financeira a três universidades por razões ideológicas, nada de ficar acuado e tentar provar “isenção”, essa concessão subliminar ao desastre: é estratégico convertê-las em centros de resistência ao bolsonarismo, com atividades conscientizadoras. Se o presidente dá licença para o agronegócio assassinar sem-terra, é de bom tom encorajar a tenacidade no campo até a sanidade da obediência civil.

A saída é aprofundar a convicção e a busca por um mundo menos desigual, mais justo e inclusivo - e não se limitar à tentativa de conter a pressão imbecilizante de teorias maluquetes como “marxismo cultural”, criadas com o único propósito de revestir de legitimidade a pura apologia ao ódio e à violência institucional contra o cidadão.

Do fim da previdência ao comercial do Branco do Brasil silenciado, dos assassinatos pelo exército e pela PM aos retrocessos ambientais, dos crimes cometidos por Bolsonaro à etiqueta política usada como camisa de força por comentaristas televisivos, é necessário pensar e agir fora do modelo da direita - e para além da lacração das frases de efeito do Twitter e de uma combatividade de faz-de-conta.

As forças progressistas não precisam se “encaixar” nos parâmetros cínicos de aceitação definidos pelos conservadores ou pela mídia, linha auxiliar do poder militar e bancário no Brasil de hoje. A censura explícita e despudorada à entrevista de Lula dias depois da gritaria contra o silenciamento de sites da extrema-direita – antes, eles haviam ignorado a manifestação contra a Reforma da Previdência - é somente mais uma prova de como a imprensa patronal pouco se lixa para valores democráticos ou direitos sociais.

É hora de reagir. Enfrentar. De nada vale ficar “limpinho”, “cheiroso” e “correto” só para ser sepultado em uma nota coberta no Jornal Nacional.

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