Fracasso da vacinação, fracasso do capitalismo

Não há saída sem enfrentar e derrotar o imperialismo decadente que arrasta milhões de pessoas para a morte e uma brutal degradação das condições de vida da maioria da humanidade

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(Foto: Governo do Estado de São Paulo)
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Em meio a uma nova onda da pandemia da Covid-19, impulsionada pela variante Delta que está devastando o mundo e levando regiões inteiras do Sudeste Asiático ao colapso, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu no último dia 4,  uma moratória mundial para uma terceira dose das vacinas contra o Coronavírus.

A vontade expressa da OMS seria que os países mais ricos deixassem de lado os planos para aplicar uma terceira dose, de reforço das vacinas contra o coronavírus diante das ameaças da variante Delta, sem que antes a população da imensa maioria dos países pobres, tivessem acesso – pelo menos – à primeira dose. O apelo foi feito depois que Israel e Alemanha anunciaram que oferecerão uma dose de reforço aos idosos, enquanto o Reino Unido planeja fazer o mesmo a partir de setembro.

É fácil prever que o apelo da OMS será inútil e não surtirá qualquer efeito prático. Da mesma forma que vimos – há meses – o alardeado pronunciamento de representantes do governo dos EUA, supostamente, a favor da negociação da quebra das patentes, não produzir qualquer resultado concreto, a não ser uma sucessão de discursos de o governo Biden seria mais humano e preocupado com a pandemia que seu antecessor.

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Segundo dados da própria OMS, 80% do total de 4 bilhões de doses de vacinas administradas no mundo, mais de 80% foram para países de renda alta e média, que juntos representam menos da metade da população mundial. Pela proposta demagógica da entidade, a moratória duraria até o fim de setembro, prazo estabelecido para conseguir que pelo menos 10% dos habitantes de cada país estejam completamente vacinados. Ou seja, a OMS sequer tem planos para que a vacinação atinja toda a população do planeta, apenas quer fazer uma “média”; por certo, preocupada em conter a revolta que a falta de vacina e, consequente matança dela advinda, pode provocar em regiões inteiras do planeta. No mais, a política do órgão da ONU, não é mais do que a mesma de todos os governos capitalistas do mundo: “deixa morrer”. Uma política que a extrema direita adota abertamente, inclusive, defendendo que não haja vacinação em massa ; e a que a direita “científica” (que se disfarça de “centro”, “democrática”, etc.) adota de forma disfarçada, cortando gastos públicos com a Saúde, garantindo o lucro dos grandes monopólios da indústria farmacêutica etc.

Segundo especialistas da OMS, o aumento da produção, não tornou a vacina mais acessível para a maioria da população mundial e a desigualdade na disponibilidade de vacinas está aumentando. Países da Europa já vacinaram mais da metade de sua população. Nos Estados Unidos, os vacinados são cerca de 70%. Enquanto isso, apenas 2% dos habitantes da África receberam as duas doses e 5% receberam só uma dose. Nos países ricos, a média de doses aplicadas é de quase 100 doses por 100 habitantes. Por sua vez, nos países pobres, a média é de apenas 1,5 dose por 100 habitantes, segundo a OMS.

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A proposta de moratória, não tem – nas condições atuais – qualquer possibilidade de ser efetivada, uma vez que para os monopólios imperialistas e seus governos, a vacina não é mais do que uma mercadoria destinada a garantir os lucros dos abutres que estão ganhando bilhões com a desgraça de milhões de pessoas. Não há vacinas para os pobres simplesmente porque eles não têm recursos para assegurar os gordos lucros, que está acima da vida da população, para os capitalistas.

A única saída é a luta pela quebra das patentes e a fabricação da vacina em todo o mundo, a expropriação dos grandes laboratórios e controle popular da fabricação, distribuição e vacinação. Isso não pode ser conquistado mediante um acordo com o imperialismo sanguessuga mas por meio da luta contra ele.

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Por Antônio Carlos Silva, no Diário Causa Operária

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