Francisco recebe Melania Trump no Vaticano

Se não respeito às religiões e à espiritualidade dos demais porque cargas d´água deveria esperar que os demais mostrassem respeito e reverência à minha própria forma de exercer minha religião, minha espiritualidade?

Se não respeito às religiões e à espiritualidade dos demais porque cargas d´água deveria esperar que os demais mostrassem respeito e reverência à minha própria forma de exercer minha religião, minha espiritualidade?
Se não respeito às religiões e à espiritualidade dos demais porque cargas d´água deveria esperar que os demais mostrassem respeito e reverência à minha própria forma de exercer minha religião, minha espiritualidade? (Foto: Washington Araújo)

É sempre bom achar um gancho, para usarmos o jargão jornalístico, para tratar de um assunto tão em desuso nos dias atuais: a reverência e o respeito em assuntos relacionados à religião. Reverência e respeito, religião e espiritualidade são temas que caminham juntos porque tratam de nossa relação com o Sagrado. E o Sagrado está muito além de uma ou outra denominação religiosa, o Sagrado geralmente nos remete à divindade, a Deus. Mas, consideremos que, desde que parece ter decaído de forma colossal o respeito dos filhos pelos pais e das pessoas mais novas para com a mais velhas de uma forma geral, o mau hábito da irreverência infelizmente tem campeado as relações sociais. E quando se perde o respeito se perde muito do brilho que uma civilização pode oferecer.

E o gancho que encontrei para tratar disso é a visita de ontem, quarta-feira (24/5) da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, que chamou atenção durante o encontro do presidente americano com o papa Francisco, no Vaticano. Ela e Ivanka, filha de Donald Trump, usavam vestidos pretos longos, com mangas compridas e véu.

O traje integra o protocolo do Vaticano para mulheres em audiência com o papa, mas provocou questionamentos especialmente porque em viagem à Arábia Saudita, poucos dias antes, Melania não cobriu a cabeça, como manda o costume do país. Segundo o diretor de comunicação da primeira dama, Stephanie Grisham, ao contrário do Vaticano, lá não houve nenhum pedido ou exigência para uso de vestimentas.

O cerimonial diplomático da Santa Fé é historicamente rígido, com regras especificas sobre o que vestir, como se comportar e de que modo se dirigir ao papa, mas ganhou um pouco de flexibilidade com Francisco. O uso do véu para mulheres, apesar de ainda seguido pela maioria das autoridades, deixou de ser obrigatório. Vestidos ou saias discretos, com ombros e joelhos cobertos e sem decotes são requisito para participar de uma audiência com o pontífice. Homens e mulheres devem trajar cores escuras, como preto, azul marinho ou cinza chumbo.

De acordo com o protocolo, a cor vermelha é reservada aos cardeais e só o papa pode vestir-se de branco. A exceção fica por conta das rainhas católicas que têm o "Privilégio do Branco" e podem optar pela cor. Mas isto já é outra parte da história a ser abordado em outro post.

Muito além dos trajes e vestimentas de pessoas em visita a autoridades religiosas e em lugares representativos da religiosidade, há que se refletir sobre a reverência que se deve ter com o uso de símbolos sagrados, religiosos, como fotos, imagens, desenhos, filmes, animações. Não é tanto o respeito ao objeto em si, à foto como mera foto, ao desenho como mero desenho, mas sim, ao que tal foto e desenho evocam. A propósito, não se passaram tantos anos em que cartunistas de países nórdicos foram sentenciados à morte por fundamentalistas religiosos por terem ousado publicar desenhos alusivos a Muhammad, geralmente em situações de ofensiva irreverência.

A natureza do Sagrado é permeado por mistério e, como tal, precisa ser respeitado, afinal, a reverência e o respeito são não mais que o símbolo físico de uma realidade bem maior, superior e muitíssimo mais abrangente do que pode fazer supor nossa vã imaginação. A reverência e o respeito aos símbolos de outras religiões nos tornam mais tolerantes com a diversidade de manifestações do fenômeno religioso em si.

Basta pensarmos: se não respeito às religiões e à espiritualidade dos demais porque cargas d´água deveria esperar que os demais mostrassem respeito e reverência à minha própria forma de exercer minha religião, minha espiritualidade?

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