Niu Honglin avatar

Niu Honglin

Produtora e apresentadora da CGTN e uma das editoras de ‘Stories of Xi Jinping’

2 artigos

HOME > blog

Fronteiras compartilhadas, futuros compartilhados

A estabilidade global nasce do diálogo regional e da cooperação prática entre países vizinhos, e não da pressão ou da rivalidade geopolítica

Xi Jinping na Apec 2025 (Foto: Prensa Latina)

A paz nem sempre se desfaz por causa de rivais distantes. A paz se rompe quando os vizinhos deixam de conversar.

As fronteiras são questionadas e a confiança é corroída. Pequenos desentendimentos se acumulam e se tornam permanentes. Em um mundo repleto de pontos de tensão globais, são muitas vezes as relações entre países vizinhos que decidem silenciosamente se uma região avança ou permanece estagnada.

Essa ideia está no centro de um episódio de uma série de podcasts em que venho trabalhando sobre governança global e um futuro compartilhado para a humanidade. Ao prepará-lo, continuei percebendo o mesmo padrão: quando os vizinhos escolhem o diálogo em vez da pressão e a cooperação em vez da rivalidade, o desenvolvimento acontece. Quando isso não ocorre, a estabilidade se torna frágil. É por isso que líderes sensatos dão mais atenção às parcerias regionais — e por que elas são tão importantes para uma paz duradoura.

Por que os vizinhos importam mais do que qualquer outro

Em 2013, durante uma conferência voltada à diplomacia com países vizinhos, o presidente Xi Jinping apresentou quatro princípios que orientariam a abordagem da China: amizade, sinceridade, benefício mútuo e inclusão. As palavras em si são simples. O que me interessou foi a forma como elas são aplicadas na prática.

Pouco depois desse encontro, durante uma visita ao Cazaquistão, Xi Jinping propôs a ideia de construir conjuntamente um Cinturão Econômico da Rota da Seda. Esse momento plantou a semente do que mais tarde se tornaria a Iniciativa Cinturão e Rota. A Ásia Central, situada na encruzilhada de continentes, foi uma das primeiras regiões a vivenciar essa abordagem focada nos vizinhos. Mais interessante ainda é que os países da região não são convidados a se encaixar em um modelo pré-estabelecido. Em vez disso, a cooperação é moldada em torno das prioridades locais.

O Cazaquistão oferece um bom exemplo. À medida que o país passou a introduzir veículos de nova energia em larga escala, surgiu um problema prático: a falta de técnicos qualificados. A solução tornou-se clara: era necessário investir na formação da juventude promissora do país.

Foi assim que surgiram as Oficinas Luban. A primeira, lançada em 2023, teve como foco a tecnologia de transporte. Uma segunda veio em 2025, desta vez voltada à inteligência artificial. Professores cruzaram fronteiras. Os currículos foram adaptados às necessidades dos mercados de trabalho locais.

Um professor visitante do Cazaquistão comentou como essa experiência era diferente de sua própria formação anos atrás. Hoje, segundo ele, os estudantes conseguem aplicar imediatamente a teoria à prática. E os empregadores perceberam isso. Graduados desses programas agora estão sendo recrutados por grandes empresas em todo o país.

É assim que a cooperação entre vizinhos se manifesta na vida real quando funciona. Não é simbólica. Ela preenche lacunas, desenvolve competências e cria a sensação de que o desenvolvimento é compartilhado, e não imposto.

Do comércio à confiança

Os laços econômicos entre a China e a Ásia Central cresceram rapidamente, mas o que mais me chamou a atenção foi o esforço dedicado à criação de mecanismos de cooperação de longo prazo. Cúpulas regulares foram realizadas. Ministros das Relações Exteriores se reuniram. Por fim, foi estabelecido um mecanismo formal da Cúpula China–Ásia Central.

Em 2025, a China e os cinco países da Ásia Central assinaram um Tratado de Boa Vizinhança Permanente, Amizade e Cooperação. Tratados como esse não ganham manchetes da mesma forma que crises, mas são importantes. Eles consolidam expectativas e enviam um sinal de que a estabilidade é uma responsabilidade compartilhada.

Uma frase de Xi Jinping, dita em uma cúpula que marcou 30 anos de relações diplomáticas, sintetizou bem essa ideia. Independentemente de como o mundo mude, afirmou ele, a China continuará sendo um vizinho e parceiro em quem os países da Ásia Central podem confiar. Esse tipo de garantia é especialmente relevante para quem vive ao lado.

Além das fronteiras, o mesmo princípio se aplica

A ideia de parceria não se limita aos vizinhos imediatos. Ela se estende para além deles, mas a lógica permanece a mesma.

Na África, as relações da China há muito enfatizam sinceridade, igualdade e respeito mútuo. A Guiné Equatorial pode ser um país distante, mas sua história mostra como a confiança é construída ao longo do tempo. Estradas, portos, hospitais e programas de capacitação transformaram a vida cotidiana. Ao mesmo tempo, gestos de gratidão fluíram em ambas as direções, incluindo apoio oferecido à China em momentos de crise.

Um episódio que ficou comigo foi a história de uma escola primária na província de Yunnan, construída com uma doação do presidente da Guiné Equatorial. Milhares de estudantes de diferentes origens étnicas estudam ali hoje. É um lembrete de que a amizade entre países muitas vezes é levada adiante por crianças que nunca viveram as dificuldades originais que uniram as nações.

Por que isso importa agora

Todas essas histórias apontam para uma verdade simples: a paz regional começa quando os vizinhos escolhem a cooperação em vez da desconfiança. Quando essa escolha se repete ao longo dos anos, ela cria espaço para o desenvolvimento, e o desenvolvimento, por sua vez, reforça a segurança.

No podcast, essas ideias ganham vida por meio de vozes, lugares e pequenos detalhes que nem sempre se traduzem no papel. Se esse tema ressoar com você, recomendo ouvir este episódio de Stories of Xi Jinping. Ele acrescenta uma camada de riqueza que a escrita, sozinha, não consegue oferecer.

Em um momento em que as tensões globais frequentemente dominam as manchetes, vale lembrar que a paz duradoura raramente é construída por meio de grandes gestos. Na maioria das vezes, ela é resultado de um trabalho constante e paciente entre vizinhos que decidem que crescer juntos é melhor do que se afastar.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

Artigos Relacionados