Fuga da Otan fragiliza dólar na guerra da Ucrânia

"Os sinais dados pelos Estados Unidos no teatro da guerra se transformaram no mais terrível indicativo da fragilidade da moeda americana", escreve César Fonseca

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(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)


Por César Fonseca 

Queda do dólar seria derrota de Biden ou vitória de Putin? Correm dois movimentos paralelos contra a hegemonia da moeda americana, que perde prestígio internacional na guerra da Ucrânia; de um lado, o jogo da oferta e da procura de commodities, de modo que elas, na prática, transformam-se em ativos monetários; se os neoliberais fossem, realmente, inteligentes, teriam cuidado de fortalecer, no Brasil, estoques reguladores de alimentos e minérios, para ter soberania para colocar preços nos seus produtos e não submeterem ao jogo de manipulação na hora da crise. 

HEGEMONIA EM COLAPSO

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O outro movimento que ataca a hegemonia do dólar é a própria guerra em si, na qual os Estados Unidos estão indo mal, produzindo, consequentemente, expectativas negativas no mercado no ambiente abalado da financeirização econômica global. Por isso, os sinais estão cada vez mais trocados; por exemplo, a OTAN, ao resistir mandar tropas e aviões para a Ucrânia, como fez, hoje, em Bruxelas, não contribuiu em nada para fortalecer a moeda americana, enquanto os sinais de vitória da Rússia aumentam, diante do temor dos otanistas de enfrentarem Putin, no campo de batalha. 

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MERCADO COM BARBAS DE MOLHO

Por que prejudicou a higidez do dólar? Porque o mercado mundial vai se conscientizando de que a força militar russa, aliada à força econômica chinesa, vai dando as cartas, deixando vulnerável a moeda de Tio Sam. Tal cenário sinaliza que Biden sai derrotado na guerra que armou contra Putin, que reagiu, violentamente, mandando tropas à Ucrânia; por ter Putin colocado os aliados de Biden para correr, o mercado começou a ler a nova realidade com os olhos da realpolitik: forte, prá valer, mesmo, é Putin, não Biden; prova-o o comportamento fugitivo da Otan.

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FRAGILIDADE MONETÁRIA

Os sinais dados pelos Estados Unidos no teatro da guerra se transformaram no mais terrível indicativo da fragilidade da moeda americana, nas praças internacionais; as commodities passam a representar moeda real, enquanto a moeda papel vira, gradualmente, ficção; por isso, os investidores estão correndo para moeda chinesa, sinal de que, na guerra econômica, o vitorioso não é Biden, mas Xi Jiping, aliado de Putin; se o BC americano, para combater inflação, puxa juros para enxugar a liquidez, correria ou não perigo de bolha, se o mercado desacreditar em Wall Street? O mercado faria leitura mecanicista ou dialética do movimento monetário imperialista americano? 

INVERSÃO DE FATORES

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Putin vira indicativo de que ganha força ao negar receber exportações pagas em dólar, exigindo rublo; põe preço na sua mercadoria na sua própria moeda; atuará, nesse sentido, apostando que elevará trocas comerciais com o yuan, nova âncora da economia russa. Nas bolsas de commodities, quem estiver acumulando superávit em dólar, tende, no cenário de incerteza, trocá-lo por ouro ou equivalente dado pelo sucesso comercial da China, ou seja, yuan. As sanções comerciais impostas por Biden a Putin estarão, nesse contexto de sinais trocados, gerando expectativas negativas para o dólar; nem Moscou aceita recebê-lo, visto que terá a garantia relativa de negociá-la com a moeda chinesa.

INSEGURANÇA EUROPEIA

Assim, nessa altura do campeonato, nitidamente, a balança da guerra, segundo os mais argutos analistas internacionais, pende para Putin, visto que seu maior adversário, Biden, foge dele, como se viu, na fuga da Otan, sua maior aliada; claramente, os europeus refutaram a proposta de Biden por entenderem que ela traz mais insegurança para a Europa, afetada pelo bloqueio americano à Rússia; sua tradução é recessão econômica, inflação, desemprego e tensão política; simplesmente, a Otan deu as costas para Biden; não quis enfrentar convocação do Império para arregimentar soldados para salvar a Ucrânia.

O ÚLTIMO LANCE DA GUERRA

Aí entra o lance decisivo: o que fará a China, essencialmente, pragmática, com as reservas de mais de 4 trilhões de dólares em caixa? Continuará acumulado dólar ou dará um jeito de desova-lo? Se continuar aumentando suas reservas em dólar, propenso à desvalorização, graças aos superávits comerciais ascendentes, corre ou não risco de implosão de bolhas? E se acelerar a desova, em meio ao conflito em que a Ucrânia sinaliza debacle, sem ter socorro dos Estados Unidos e Otan, perdem ou não Estados Unidos e Europa, para Putin? Estará ou não Washington cumprindo a maldição do economista Paulo Nogueira Batista de que os Estados Unidos se transformam no maior inimigo da sua própria moeda? Restará o imponderável: o império econômico em crise se deixará sucumbir ou lançará mão do império nuclear para fazer valer a sua força?

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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